free website stats program

Black Sabbath – 13

O regresso dos Black Sabbath tem sido alvo de escrutínio próximo e cauteloso por parte de todos os fãs de música pesada; os considerados “pais do Metal” (embora “pais do hard rock” fosse um título mais adequado, com o primeiro rótulo a assentar melhor nos Judas Priest) estão de volta após 18 anos sem gravarem nenhum cd e 35 anos sem gravarem nada em estúdio com Ozzy Osbourne.

Depois de várias reuniões a curto prazo e um desentendimento contractual com o baterista Billy Ward, 13 conta com o alinhamento de luxo dos Sabbath, com Ozzy nos vocais, Iommi na guitarra e Geezer Butler no baixo, sendo que a responsabilidade das baquetas recai sobre o baterista dos Rage Against the Machine Brad Wilk, elemento honorário de uma das maiores bandas de todos os tempos.

A razão para este retorno ser acompanhado de algum receio é que já passaram 40 anos desde que a banda inglesa assinou os seus registos mais importantes, que influenciaram inúmeras bandas ao longo de várias gerações de hard rock e Metal, acabando por se pôr a questão da actual relevância dos Sabbath no panorama musical.

Eles também não dão azo a grandes surpresas e o que aplicam em 13 é a fórmula que os tornou famosos desde o início: riffs sucessivos com raízes nos blues a cargo da guitarra de Iommi, com Ozzy a cantar por cima enquanto constrói melodias negras e melancólicas sobre temas não menos escuros.

No single que foi avançado inicialmente, “God Is Dead?”, as expectativas eram altas e os resultados foram mistos; se é inegável que os membros mantêm a forma (é incrível notar a técnica de Butler e Iommi nos seus instrumentos e mesmo Ozzy, sem a versatilidade vocal que dantes tinha, ainda consegue ter uma prestação competente em todas as faixas), a música parecia longa demais para o seu próprio bem, assumindo uma estrutura repetitiva até finalmente “rebentar”.

Infelizmente, isso é um problema que afecta todo o cd, onde é raro encontrar uma música que tenha menos de 5 minutos, o que leva a um esgotamento rápido da estrutura em que assentam os riffs da banda (as letras de Ozzy não são tão interessantes que salvem esses momentos) e, embora as músicas tenham sempre pormenores interessantes, acabam por ser prejudicadas pela sua duração, com as faixas mais lentas a serem, em geralmente, as menos saturantes.

Facto ilustrado logo pela inicial “End of the Beginning”, que aborrece facilmente até se passar a metade da música, onde as coisas finalmente animam um bocado, culminando num grande solo de Iommi, mas é preciso “penar” um bocado até lá chegar.

Outro facto a reter é que, embora Wilk seja sempre competente atrás do seu kit, talvez por estar amedrontado perante os “gigantes” com que trabalhou, nunca dá “algo mais” às músicas, limitando-se a completar as melodias com a bateria, sem nada lhes acrescentar.

Com isto em mente, quem esperava encontrar uma total revolução musical no som dos Sabbath pode desde já desenganar-se, pois os veteranos não têm qualquer interesse em adaptar-se à música actual nem em re-inventar-se, acabando por entregar os momentos de puro hard rock (notem-se as excelentes “Loner” e “Age of Reason”), havendo também espaço para a ocasional balada (“Zeitgest”, mesmo soando artifical, é um momento bem passado).

O que é certo é que, esquecendo as primeiras músicas medianas, o cd melhora consideravelmente enquanto se vai avançando, com elementos capazes de deixar contentes os fãs da banda, mesmo que não consigam conquistar nenhuns adeptos novos.

Quando se atinge a metade do álbum, já se vai “embalado”, e “Live Forever”, das faixas mais pesadas do registo, só ajuda; segue-se depois a calma de “Damaged Soul”, que, mais uma vez, sai prejudicada pelos seus quase 8 minutos de duração, tornando impossível manter a atenção durante todo esse tempo.

A recta final traz-nos “Dear Father”, a única música longa que não proporciona aborrecimento, a acelerada “Methademic” que é o melhor momento do cd e as finais “Peace of Mind”, curta mas eficaz e “Pariah”, que não fica na memória e parece uma escolha pobra para encerrar o álbum.

Assim sendo, o que os Sabbath entregam em 13 é o que todos esperavam, rock pesado com raízes nos blues, mostrando os seus elementos em boa forma e capazes de entregar um registo competente e que não envergonha o catálogo respeitável da banda, mesmo que por vezes saia prejudicado pela duração excessiva das músicas e pela fórmula repetida até à exaustão.