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Blackjackers [Julho 2012]

Os Blackjackers são uma banda oriunda do Porto, cuja música se destaca pela imprevisibilidade e atitude irreverente, pautada por rasgos esquizofrénicos e explosões de criatividade aliados a actuações electrizantes em palco, que não conseguem deixar nenhum ouvido indiferente.
A Rock’n’Heavy esteve à conversa com a banda, que se encontra actualmente a preparar o álbum Croissant Champagne Marquise and Ménage e promete regressar às lides musicais com uma missão: agitar (ainda mais?) o panorama indie e alternativo nacional.

Quem são os Blackjackers? A banda existe desde 2008 mas foi tendo vários membros até chegarem à formação actual. Apresentem-se.
Actualmente a banda é composta pelo Nelson na guitarra, o Francisco na voz, o Marcelo na bateria, o Gonçalo no baixo e o Gonçalo Telles na guitarra. Mas os Blackjackers começaram a banda com o João no baixo e o Guga na guitarra, que entretanto saíram da banda por motivos pessoais. Ainda assim, eles continuam a acompanhar o nosso trabalho de perto, e a amizade perdura. A saída desses dois membros atrasou um pouco o processo de gravação deste LP.

As vossas influências musicais são bastante distintas, e vão desde o Reggae ao Hardcore, passando pelo puro Rock’n’Roll… Mesmo assim, vocês têm um som próprio muito característico. Qual é o ponto que vos une? Sem querer catalogar a vossa música, que prima essencialmente pela liberdade e não conformismo, como classificariam o som dos Blackjackers?
A música resulta da união. Para além da nossa amizade, que é uma união muito forte, a música é uma união ainda maior e une todas as pessoas. Quando começamos a banda, a mistura de estilos daquilo que ouvíamos foi algo natural, porque em cada música nós procurámos imprimir o cunho de cada um de nós. Além disso, a nossa formação clássica esteve sempre presente, quer nas composições, quer nas influências de toda a história da música, que está tão avançada que já não temos hipótese de criar nada de raíz. Falar de um estilo que defina os Blackjackers é algo impossível, porque não nos cingimos a rótulos, não nos vergamos ao que nos impõem, simplesmente tentamos mostrar através da nossa música aquilo que realmente somos, a nossa verdadeira essência.

Falemos agora do vosso EP de estreia, Held Open May Cause Delay. A crítica ao sistema politico vigente da altura é bem notória, principalmente através da capa do vosso álbum…
A escolha da capa resultou de uma expressão artística aliada à situação geral que na altura se vivia em Portugal, em que representamos o povo como sendo o “cão” no colo de um agente político, procurando desesperadamente a mudança quando ataca. Ali está representada a rebelião, a revolta violenta contra o sistema, mas nós não revelamos explicitamente a nossa forma de pensar em relação a ele nem transmitimos idealismos políticos através da nossa música, apenas procuramos levar à reflexão. O animal vai revoltar- se porque ele já está dentro do sistema. Porque o objectivo é mesmo esse: é preciso ir às roots do problema e cabe ao povo retirar, pelos seus próprios meios, o que apodrece a sociedade, para poder mudá-la. No fundo, a mudança na forma de encarar o meio artístico e musical passa também por aí, no sentido em que é necessário agir para levar à mudança das mentalidades.

Se o actual Primeiro-Ministro assistisse a um concerto dos Blackjackers e comprasse um disco vosso, considerariam a hipótese de lhe fazer uma “homenagem” no próximo disco?
Nós já estamos a fazer-lhe uma homenagem, porque todo o nosso álbum é feito através de metáforas e a partir de fábulas e contos tradicionais; e o nosso primeiro-ministro é um coelho, por isso enquadra-se perfeitamente no cenário das fábulas. Ele vive num mundo de fantasia, não vive no nosso mundo!

A vossa ascensão e reconhecimento no meio musical deram-se muito rapidamente, e embora o vosso primeiro EP tenha sido bem recebido e aclamado pela crítica e pelo público, tudo aconteceu num período das vossas vidas em que eram ainda muito novos. Sentem que o vosso trabalho é levado a sério, apesar da idade?
A idade não é um factor importante na música, porque o espírito e a vontade de criar não têm idade. Nós basicamente começamos numa altura tenra, e descobrimos o que gostávamos de fazer desde o início, e focamo-nos nesse objectivo, que é mostrar ao mundo a nossa arte e transmitir uma mensagem às pessoas. Ainda assim, precisamente por sermos tão novos neste meio, tivemos que mostrar que aquilo que fazíamos tinha realmente qualidade, e que não éramos apenas uns meninos que se lembraram de fazer música de um dia para o outro. Nós nunca vamos tentar representar uma coisa só porque é cool tocar aquilo. Nós fazemos a música que nos agrada e adoramos aquilo que fazemos, e procuramos mostrar que cada música é a nossa favorita.

Entretanto o tempo passou e vocês cresceram, não só em termos cronológicos como também musicalmente se assumem com uma sonoridade mais madura, evidente através das prestações em concertos mais recentes. De que forma é que todas as alterações na formação original marcaram a mudança e levaram à evolução e maturidade e maneira de encararem o vosso trabalho?
O primeiro EP foi muito baseado no trabalho que já estava feito pelos membros anteriores. Tinha apenas duas músicas que já eram da formação nova, e estas já tiveram um “toque” diferente, como a Snail Spotting que mistura um pouco de psychobilly e punk. Os outros membros saíram da banda, mas foram eles que fizeram o primeiro álbum, que tem o cunho e influência deles bem marcados. Mas a verdadeira evolução e maturidade da banda aconteceram quando começamos a trabalhar no LP.

Vocês têm estado em estúdio e já iniciaram os preparativos para o próximo álbum, mas para já ainda só temos acesso ao single Tiger Pun. Quais são as principais diferenças entre o EP de estreia e este LP que têm vindo a preparar?
Em relação à Tiger Pun, o vídeo-clip vai sair ainda este Verão, se tudo correr conforme o previsto. Este álbum é a definição da banda. É o produto final daquilo que os Blackjackers se tornaram ao longo de quatro anos, demonstra o nosso crescimento até agora, ou seja, este álbum representa a caminhada para onde a banda nos está a levar. Depois do lançamento do 1º EP já temos rodagem de palco, e aí estabelecemos contacto com pessoas do meio musical nacional e com outras bandas, com quem criamos laços muito fortes e isso foi importantíssimo para a nossa evolução natural. O primeiro álbum era mais ingénuo e foi a nossa oportunidade de “experimentar”. O LP já é um álbum mais coeso, que define aquilo que nós realmente somos.

Quando é que poderemos finalmente ter acesso ao tão esperado Croissant Champagne Marquise and Ménage? Que, aliás, é um título tão sugestivo quanto enigmático, e alicia pela mistura tão inconveniente de palavras…
As previsões para o lançamento do 2º álbum apontam para Setembro deste ano. O título tem a ver com quatro conceitos tão essenciais à vida de qualquer humano: comida, bebida, casa e…

E concertos? Quando é que voltam aos palcos para mostrarem as novidades que têm vindo a aprontar?
O mundo vai poder voltar a ter o prazer imenso de assistir à loucura e ao delírio Blackjariano depois de sair o próximo álbum. Vai haver uma digressão pelo país novamente, à semelhança do que aconteceu depois do lançamento do nosso EP de estreia.

Finalmente, e para acabarmos em beleza com um toque à lá Jackers, uma pergunta random: se a banda tivesse uma mascote, qual seria?
O nosso primeiro-ministro anterior deveria ter sido a nossa mascote.