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Blame Zeus – Identity

Nativos de Gaia, os Blame Zeus são um conjunto versado na escola do Rock e do Metal mais alternativos, juntando essas influências para fazer um som que ora pisca o olho ao Rock Progressivo, ora ao Nu Metal, com muitas tonalidades pelo meio que justificam o próprio ecletismo do grupo a falar das suas influências (vão desde Dream TheaterNirvana ou Red Hot Chili Pepers).

Lançado pelo selo da eminente Raising LegendsIdentity é o álbum de estreia da banda, dando mostras disso mesmo, combinando ao mesmo tempo uma frescura assinalável com uma ingenuidade que por vezes os levam a querer explorar demasiados sons ao mesmo tempo numa tentativa de encontrar uma identidade que, apesar de tudo, já fica bem definida.

Começando logo com uma “Falling of the Gods” que transpira Nu Metal a lembrar Guano Apes (para isso muito contribui a versatilidade vocal e o timbre peculiar da vocalista Sandra Oliveira, o pilar fundamental dos Blame Zeus), a banda portuense rapidamente encontra a sua sonoridade por entre os momentos mais alternativos da banda de Sandra Nasic e alguns acenos a Tool e, sobretudo, A Perfect Circle, em faixas como a pesadona “Clocks” ou a deliciosamente etérea “The Apprentice”, a faixa final com aquele “saborzinho” a Maynard James Keenan que é impossível não gostar.

Mesmo esgotando todos os elogios com a impressionante performance de Sandra, é impossível não reconhecer mérito também à “espinha dorsal” da banda, entendam-se os restantes membros, quer através de uma secção rítmica impecável ou de uma dupla de guitarras que consegue conter o seu virtuosismo em prol da emotividade e da intensidade que as músicas exigem (veja-se a épica “Broken”), embora também saibam “rebentar” e deixar tudo aos seus pés, como provam na progressiva “Sleep”.

Passando para um terreno mais cimentado no Post-Rock (ou Metal), é aos Isis e aos Deftones mais recentes (entenda-se atmosféricos) que os Blame Zeus parecem querer prestar homenagem nas suas faixas mais badaleiras, seja através da excelente “Accept” ou de uma suave “Receiver” que ameaça trazer de volta os isqueiros nos concertos.

Ainda assim, é impossível não reconhecer os erros à banda (normais numa estreia) quando se decidem aventurar demais em terrenos que simplesmente não lhes servem, pois são uma banda demasiado apegada à emoção e ao sentimentalismo típico dos devotos ao Grunge e ao Metal Alternativo para se dedicarem a faixas de Hard Rock genérico como “Sick Of You” e a muito fraquinha “Shoot Them Down”.

No entanto, “dores de crescimento” à parte, os Blame Zeus têm em Identity um cd de alto gabarito, que não só os projecta estelarmente para um lugar vago na música portuguesa, no trono do Metal Alternativo, como ainda os põe lado a lado com Os Alice na luta por melhor cd nacional do ano, elevando a fasquia para o álbum-sequela, onde já deverão ter a sua identidade definitivamente cimentada.