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Bleed From Within [Abril 2013]

Longe vão os tempos em que os, na época, ainda imberbes Bleed From Within apregoavam sonoridades deathcore nos EPs “In The Eyes Of the Forgotten” (2006) e “Welcome to the Plague Year” (2007). Como vão perceber os nossos leitores ao lerem esta entrevista, qualquer vestígio deathcore foi sistematicamente eviscerado da música dos BFW ao longo dos tempos.

Aparentemente, por altura do iniciático Humanity (2009) o metal já estava quase a ganhar primazia sobre a matriz deathcore, chegados a Empire (2010), ainda via Rising Records, o metal era já predominante; agora com Uprising (2013), via Century Media, a banda parece ter extirpado qualquer vestígio deathcore mais irredutível, enveredando por uma purista vocação metal.

Craig ‘Goonzi’ Gowans, guitarrista dos BFW, esteve à conversa connosco e entre confissões sobre o passado, desejos para o futuro, confissões sobre o novo álbum, comentários políticos e religiosos, ‘Goonzi’ renega o deathcore, hasteando a bandeira do metal.

Oriunda da Escócia, a música dos Bleed From Within ultrapassa fronteiras e conquista fãs por todo o lado. Como tem evoluído o metal escocês e como é que ele se enquadra no seio da cena global do Reino Unido?
O ambiente aqui é fantástico, o metal tem uma cena bem sustentada aqui em Glasgow assim como noutras cidades/vilas na Escócia, por exemplo, Aberdeen, Dundee, Edinburgh. Aqui toda a gente adora música e sinto que muitas das bandas de outras proveniências que passam por aqui, notam isso. O Reino Unido em geral tem bandas emergentes que são extraordinárias e bandas que estão a alcançar grande sucesso não só aqui no Reino Unido, mas também a nível internacional. Bandas como While She Sleeps, Bury Tomorrow, Sylosis estão a deixar a sua marca na cena musical e a colocar o Reino Unido de novo no mapa no que diz respeito a novas bandas de metal. Os músicos da maioria das bandas do Reino Unido conhecem-se uns aos outros e assim é como se fizéssemos parte de uma grande família, estamos nisto todos juntos.

Entretanto passaram 7 anos desde que formaram a banda. Pensando nos primórdios, de que é que sentem mais falta desse tempo?
Não vou dizer que tenho saudades dos primeiros tempos, até porque atualmente ainda sentimos a mesma excitação e paixão do passado. Não começamos a banda para ficarmos famosos ou para chegar a algum lado com ela, desde o início apenas foi pelo divertimento e porque adorávamos o que fazíamos e isso ainda é verdade atualmente. Era fantástico ser jovem e não saber verdadeiramente o que esperar, é uma sensação espetacular termos a oportunidade de sair em digressão, viajar e fazer uma data de cenas fixes só porque fazemos parte de uma banda. Ainda nos sentimos como se tudo só agora estivesse a começar, temos muitos anos à nossa frente e mal podemos esperar pelo que o futuro nos reserva.

Recentemente, “Uprising” ficou em segundo lugar numa competição promovida pelo site Revolvermag, visando eleger o álbum da semana. Havia outros grandes nomes da cena musical nessa eleição. Sentes que o vosso talento está finalmente a ser reconhecido?
Com os nossos outros 2 álbuns, não tivemos verdadeiramente grande apoio da imprensa, logo é uma sensação fantástica ler análises a Uprising em revistas, etc, e saber que revistas influentes e os media gostam daquilo que fazemos. A resposta que tivemos dos nossos fãs também foi incrível e isso é muito importante para nós. Não fazemos música para satisfazer certas pessoas ou grupos, compomos aquilo que nos dá prazer e que gostamos de tocar, por isso é fantástico saber que as pessoas que tornam tudo possível e nos permitem fazer isto, os fãs, gostam mesmo muito do novo material. Empenhamos muito tempo e suor na criação do novo álbum e vê-lo cá fora, é um grande alívio!

Acerca do novo álbum Uprising quais são as maiores diferenças que podemos ouvir,quando o comparamos com os trabalhos anteriores?
A concentração é muito maior em Uprising, tivemos muito tempo para fazer este álbum em comparação como o que aconteceu como os outros 2. Queríamos usar as partes de Empire de que gostávamos, trabalhá-las e a partir daí darmos o nosso melhor. Estávamos verdadeiramente inspirados por vários acontecimentos em torno da banda nessa altura, e além disso havia grandes álbuns de metal a saírem nesse momento. Sabíamos aquilo que não queríamos fazer e assim concentramo-nos em compor metal pesado, “groovy” e melódico da forma como o queríamos fazer. Amadurecemos muito desde que lançamos o nosso último álbum há 3 anos atrás, ainda soamos à Bleed From Within, mas estamos a um nível completamente diferente.

“The War Around Us” que conflitos são estes? E por quê este “Uprising”?
“The War Around Us” é sobre as pessoas que vemos à nossa volta no dia-a-dia, ou seja, drogados/oportunistas vivendo de subsídios/escumalha que estão a criar os filhos para serem e viverem exatamente como eles, apenas para criar mais escumalha e sem lhes darem uma verdadeira oportunidade na vida e, obviamente, sabendo que ao fazerem mais filhos significa ainda mais subsídios do governo. Estamos rodeados por este tipo de pessoas na nossa terra-natal e isso revolta-nos. Uprising é algo que pode ser interpretado livremente e para quem conhecer a banda e aquilo porque passamos o título fará sentido. Em certa medida ele descreve-nos neste momento, estamos a deixar o passado para trás e em busca de um futuro melhor, temos uma nova editora, um novo álbum e estamos prontos para conquistar o mundo!

A 11 de novembro de 1988, o australiano Simon Robinson registou um recorde do Guiness ao produzir um grito que chegou aos 128 decibéis. Mas quando ouvimos o Scott Kennedy, raios!! Será que o vosso vocalista está a tentar entrar para o Guinness World Records com o título de homem mais barulhento, até porque a voz dele está estratosférica em Uprising?
Acho que ele conseguia dar luta a esse tal Simon. 1988 foi o ano em que nasci por isso ele também deve estar a perder qualidades de qualquer forma.

Recentemente o Justin Bieber foi galardoado com o prémio pelo “Grito mais poderoso” produzido no estádio Wembley, em Londres. Mas, e se tivéssemos uma competição Scott vs Bieber em Wembley. Qual seria o resultado final?
Na minha opinião o Scott ganhava, visto que provavelmente o Justin Bieber acabaria por chegar atrasado/nem chegar a aparecer.

O design da capa do álbum é deslumbrante. Será que podias explicar o conceito implícito nas imagens?
Já sabíamos que queríamos o nosso amigo Tom Bates a tratar das questões de design gráfico, ele é um artista incrível e nós queríamos algo verdadeiramente negro/maléfico e muito meticuloso, e esse é verdadeiramente o estilo dele. Contactamos o Tom, partilhamos com ele as nossas ideias e ele desenvolveu o conceito. O lucano (vaca-loira) é um escaravelho lutador, luta por aquilo que quer/precisa, algo que representa a nossa luta para chegarmos onde estamos atualmente, sairmos da situação em que estávamos e a nossa luta para mantermos vivo o sonho. A chave representa a chave para a nossa liberdade, a nossa libertação do passado e a evolução. A cruz invertida representa o colapso de um elemento do nosso passado que nos estava a empatar e o olho simboliza uma nova abertura da nossa visão do mundo que nos rodeia e um olhar para o futuro.

O próximo passo será voltar à estrada. Quais são as bandas que estarão ao vosso lado desta vez, e o que podemos esperar da set-list?
Acabamos de chegar de uma digressão europeia com os Testament que foi a loucura. Não é o tipo de público a que estamos habituados, mas essa foi mesma a nossa intenção para esta digressão, conquistar as audiências mais maduras e tradicionais do metal. Estamos quase a embarcar para a nossa primeira digressão pelo Reino Unido como cabeças de cartaz em quatro anos. Estamos ansiosos por esse regresso à estrada, tocar os temas novos de Uprising e ver a resposta que teremos do público. Também vamos tocar alguns velhos favoritos, mas são as novas canções que nos deixam verdadeiramente entusiasmados por as levarmos para o palco.
Depois disso, festivais de verão e, se possível, a dominação mundial!

Será que vão atacar as costas portuguesas ainda este ano?
Esperemos que sim, ainda não há nada planeado, mas adoramos tocar aí, é um país lindíssimo e os concertos são a loucura, por isso vamos fazer figas!

A “Dama de Ferro” faleceu recentemente. Depois, houve músicos de todo o Reino Unido a tomarem posição de ambos os lados da barricada, contra e a favor de Margaret Thatcher. Elvis Costello com “Tramp the Dirt Down” estava a subir no Top britânico e o The Independent informava que havia uma campanha em curso para levar a
jornal canção “Ding Dong! The Witch Is Dead” a número 1 do Top. Qual é a vossa opinião sobre este assunto?
Para ser franco, não queremos saber, tudo o que aconteceu com a Thatcher foi ainda antes de termos nascido, logo nunca estivemos envolvidos e isso nunca nos afetou. Podemos compreender o ódio que os escoceses sentem em relação a ela, mas ao final do dia ela era apenas mais uma pessoa, com uma família, e é errado as pessoas celebrarem a morte dela, não é como se ela fosse o Bin Laden ou o Hitler.

O The Independent também noticiava que o Ministro para os Assuntos Estrangeiros, William Hague, afirmou que «os contribuintes britânicos podiam “muito bem ajudar a pagar” o funeral da Baronesa Thatcher orçado em £10 milhões». Será que vocês aceitavam abrir os cordões à bolsa para pagar o funeral de um antigo governante?
Nem pensar! Isso é completamente ridículo.

Por último, uma questão mais humorística! No wiki.answers.com lê-se: “Será que a banda Bleed from within é anti-cristo?” Resposta: “Não!” Podes comentar?
Somos ateus, logo somos mais anti-religião do que anti-cristo, se nós acreditássemos no diabo isso obviamente significaria que também acreditávamos em Deus, mas não acreditamos.

Peço desculpa, mas ainda temos mais uma! Agora a questão que todas as vossas groupies e fãs talvez gostassem de ver respondida! O que há dentro do kilt de um músico de deathcore escocês?
Seria melhor perguntares isso a um músico de deathcore escocês, nós somos uma banda de metal.

Algumas palavras especiais para os nossos leitores e para os vossos fãs?
Ouçam o nosso álbum novo Uprising, se ainda não o fizeram, e venham fazer headbanging connosco num dos nossos concertos!

Obrigado por esta oportunidade e por nos oferecerem esta obra-prima do metal