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Blur – The Magic Whip

Depois do ponto final que Think Tank parecia representar em 2003 para os Blur, seguido das constantes zangas entre Damon Albarn e Graham Coxon, bem como graças aos milhentos projectos paralelos do primeiro, seriam poucos os que acreditavam no verdadeiro regresso dos gigantes da Britpop, entenda-se para novos discos e digressões invés do concerto esporádico de celebração que tinha sido o caso até agora.

Quando o anúncio de The Magic Whip chegou, a expectativa foi mais do que muita, sobretudo pela reunião do alinhamento clássico do conjunto e pelo entusiasmo que os parecia rodear em relação ao CD e a verdade é que não só foram cumpridas, como as expectativas foram superadas e estamos perante um dos grandes discos deste ano!

Seria fácil para os Blur tentarem capitalizar  nos seus êxitos passados e editarem um álbum cumpridor e pouco mais, mas os britânicos excederam-se nos seus esforços e criaram um registo que é alegre e digno da sua marca, mas também introspectivo e maduro, a beneficiar muito das aventuras de Albarn nos Gorillaz e sobretudo a solo, ouvindo-se muitos ecos de Everyday Robots na electrónica minimalista que premeia o CD (veja-se a simplicidade genial de “New World Towers”, por exemplo).

Além do vocalista, também Coxon deixa a sua assinatura indelével, seja pela melancolia no riff da belíssima “Pyongyang” ou pelo irresistível dedilhar da ora reflexiva ora dançável “My Terracota Heart”, o melhor momento de The Magic Whip e uma pseudo-balada recheada de sensibilidade e emoção.

No entanto, não é só de electrónica e Indie que o CD é feito e quando os Blur ligam as engrenagens do Britpop também saem verdadeiros novos hinos do género, festivos e celebratórios de uma segunda vida da banda, como a excelente “Go Out” em que a voz arrastada de Albarn parece ganhar novas dimensões quando acompanhada de coros e distorção ou da alegre “I Broadcast”, que não será estranha para os amantes da era Parklife que têm saudades de música rock nas suas saídas à noite.

Finalmente, a faceta megalómana dos Blur também não poderia estar ausente, com “There Are Too Many of Us” a ser um portento musical à altura de “The Universal” e a mostrar a banda no seu pico de forma, conseguindo soar gigante, emotiva e arrebatadora numa faixa feita para conquistar estádios.

Desta forma, mesmo com alguns tiros ao lado (“Ghost Ship” e a inicial “Lonesome Street” nada acrescentam), The Magic Whip é mais do que um competente regresso à forma dos Blur, mostrando-se como uma entrada forte na sua discografia que é excitante, refrescante e mostra uma banda segura de si e madura, mas na mesma com vontade de re-invenção.