free website stats program

Bons Sons 2014 [Dia 4]

Olho para trás e sinto que os últimos quatro dias passaram a correr. Já estamos no último dia de Bons Sons e no coração batem por antecipação as saudades da aldeia de Cem Soldos e das vivências palpitantes destes últimos dias. Literalmente, bons sons não faltaram e esperamos sinceramente que todos tenham vivido a aldeia como a Rock n’Heavy viveu. Ficam aqui as últimas palavras e fotografias deste festival, marcado pela queda de Sérgio Godinho no palco Lopes-Graça.


Os Ermo marcaram presença no palco Giacometti do Bons Sons, com o seu estilo mais arrojado. No entanto, como em dias anteriores, com a tarde plena uma luz solar inclemente, o pouco público presente refugiou-se nas poucas sombras que existiam junto ao palco. Com efeito, é na fuga da luz para a sombra que a música dos Ermo se concentra e António Costa, qual ser demiúrgico, derrama sobre nós o poder encantatório das suas palavras.


Eram já bastantes aqueles que esperavam pela atuação dos Memória de Peixe no palco Eira, ansiosos por divagarem por aquelas sonoridades meramente instrumentais. Nada como o som cristalino das guitarras e as batida cardíaca da percussão para encerrar em beleza uma tarde de verão.


Após terminar a atuação dos Memória de Peixe, o palco Giacometti teve ainda mais afluência e a rua encheu para ver António Chainho, o mestre da guitarra portuguesa. Acompanhado pelas vozes de Filipa Pais e Ana Vieira, o mestre não se fez rogado e deliciou os presentes com uma atuação que durou cerca de hora e meia, mas que podia ter durado pela noite dentro sem que ninguém arredasse pé.


Também no palco Giacometti, Amélia Muge distribuiu simpatia e contagiou o público, impregnando-o com a sua voz. Sempre comunicativa, acompanhada pelo pianista Filipe Raposo, contava-nos histórias através de poemas originais e também de textos de outros poetas portugueses, tais como Fernando Pessoa. Ao longo do concerto falava-nos de histórias de Moçambique, seu país de origem e assim vivemos uma experiência verdadeiramente intercultural.


O susto e a surpresa da noite teve lugar por volta da 00:15, quando Sérgio Godinho terminava umas das suas canções e dirigia-se para a frente do palco para comunicar com o público. Num palco com cerca de 1,60m, o músico teve uma queda aparatosa para o fosso onde se encontravam os seguranças e os fotógrafos, batendo com a cabeça na parafernália do palco. De seguida, o músico foi assistido pelos bombeiros de Tomar. Os presentes, já com poucas esperanças de voltar a ver Sérgio Godinho em palco naquela noite, ficam surpresos quando o músico volta ao palco, tinham passado cerca de 10 minutos, como se nada tivesse acontecido. Um momento insólito naquele que foi, de longe, o concerto com mais público entre os 4 dias de festival.


No palco Eira, cinco jovens provenientes de Leiria vieram mostrar o seu trabalho. Os First Breath After Coma juntam guitarras e teclas, criando melodias que nos transmitem harmonia, mas também uma explosão de Rock no palco. Muitos fãs vieram de Leiria e chegaram bem antes da hora para poder assistir ao concerto na primeira fila, num dos momentos mais verdadeiramente Rock do evento.
Finda, esta edição do Bons Sons, resta-nos esperar que os próximos anos tragam ainda mais sonoridades lusas aos palcos de Cem Soldos.


 Texto e fotografia: Mónica Sousa

Agradecimentos: Bons Sons