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Bring Me The Horizon: Muito mais do que os reis do Metalcore [por Jorge Martins]

Outrora reis do Metalcore, os britânicos dos Bring Me the Horizon podem dividir a comunidade metaleira no que toca às suas origens Deathcore e Screamo, ao peso da sua música e ao look pouco “Metalhead” dos membros da banda, mas algo que ninguém pode questionar é a versatilidade da mesma, que se tem aventurado por vários territórios da música pesada e sempre com grandes resultados, ao longo de 4 cd’s e um EP.

Na semana em que está prometida uma nova música para suceder a “Drown”, que mostrou um novo (e mais leve) lado de Oli Sykes e companhia e mais uma vez dividiu a comunidade da música pesada, nós aproveitámos a ocasião para contarmos as 10 melhores músicas de uma das bandas mais excitantes do Metal actual.

10. Suicide Season

No registo do Deathcore, a estreia dos Bring Me the Horizon com Count Your Blessings não caiu nas boas graças de críticos nem fãs, tendo a banda de esperar até ao seguinte Suicide Season para refinar o seu som para mais próximo do Metalcore e ser levada a sério, contribuindo ainda para a revolução no género, que passou a incluir espaço para electrónica depois deste cd em que a faixa-título, mantendo ainda a agressividade do registo inicial da banda, já mostra um sentido mais apurado para a melodia numa combinação irresistível.

“If only sorrow could build a staircase/Our tears could show the way/We would climb my way to heaven/And bring him home again”

9. Go to Hell, For Heaven’s Sake

Sempiternal foi o álbum mais importante para a banda inglesa; editado em 2013, apresentou um som já na fronteira entre o Metalcore e o Post-Hardcore, com muito ênfase na melodia (e vocais clean de Oli) e nos sintetizadores e recolheu aclamação de todas as partes, sendo considerado dos melhores discos do ano e até dos anos 00; “Go to Hell, for Heaven’s Sake”, mesmo sendo uma faixa pesada, já mostra esse balanço que chega a lembrar Post-Rock e que é testemunha da versatilidade dos Bring Me The Horizon.

“When did the diamonds leave your bones?”

8. Shed Light

Das iniciais Bedroom Sessions, “Shed Light” foi a única demo que (injustamente) nunca foi promovida a um EP ou cd; esta faixa é representante da vontade de experimentalismo dos Bring Me The Horizon desde o início, com a instrumental eclética a lembrar o Post-Hardcore de uns La Dispute em início de carreira, enquanto o growling por cima já tem o flirt com o Deathcore presente que iria suceder em Count Your Blessings; crua, emotiva e melódica, mas com a agressividade certa (e um solo “enorme”), é a prova que o potencial estava lá desde o início.

“Put on your best fucking dress/The words you awaited”

7. The Sadness Will Never End

Presente em Suicide Season, tem a colaboração de Sam Carter, dos Architects, cuja voz melódica faz um contraste excelente com os gritos arranhados de Oli, sobretudo numa música que prima pela emoção e com a temática que é comum a todo o cd: suicídio; numa dinâmica de altos e baixos sucessivos em termos de ritmo, “The Sadness Will Never End” foi um indício mais óbvio do amor dos músicos por sonoridades mais leves.

“And dear, I fear/That this ship is sinking tonight!”

6. Crucify Me

Faixa de abertura do bem-sucedido There is a Hell, Believe Me, I’ve Seen It, There is a Heaven, Let’s Keep It a Secret, de 2010, “Crucify Me” foi a declaração definitiva de que havia espaço na sonoridade dos Bring Me the Horizon para gritos cheios de raiva e uma contenção quase etérea movida a electrónica e sintetizadores suaves; o resultado: épico e avassalador, ora com o peso de um soco na cara, ora com a leveza de uma música quase Pop.

“I am the ocean, I am the sea/There is a world inside of me”

5. Sleepwalking

Proveniente de Sempiternal, “Sleepwalking” é uma música que põe ênfase sem dúvida no lado mais leve (quase baladeiro) dos Bring me the Horizon, com a abundância de gritos de Oli, mas apenas arranhados, sem entrar no terreno do growling ou do Screamo e apoiado por teclados atmosféricos e guitarras contidas de forma a transmitir na perfeição a sensação de angústia que pauta toda a faixa.

“Wake up!/Take my hand and/Give me a reason to start again”

4. Blessed With a Curse

Penúltima música de There is a Hell… (e um final que seria bastante mais adequado do que a mediana “The Fox and the Wolf”), “Blessed With a Curse” é basicamente uma balada quando os Bring Me The Horizon ainda não sabiam escrever baladas; a transpirar emoção e desespero, é uma música que só ganha pela agressividade patente em cada urro rasgado de Oli, complementando na perfeição uma instrumental próxima do Post-Rock (mas com momentos mais orquestrados verdadeiramente deliciosos), crescendo até um final apoteótico.

“Because everything I touch turns to stone, turns to stone/So wrap your arms around me, and leave me, I can’t hold on”

3. Can You Feel My Heart

Faixa de abertura de Sempiternal, “Can You Feel My Heart” é o romper total com a sonoridade até aí dos Bring Me The Horizon, com os seus sintetizadores em loop e música mais catártica e menos explosiva a deixar o terreno do Metalcore para se aproximar do Rock Alternativo melódico de uns Circa Survive ou até Linkin Park nas suas encarnações mais recentes; sem ofensa para Chester Bennington, mas a melhoria vocal notável de Oli e os riffs contagiantes fazem esta faixa (e cd) levarem o ouro em relação aos seus pares.

“Can you hear the silence?/Can you see the dark?/Can you fix the broken?/Can you feel my heart?”

2. Visions

Uma das faixas mais épicas de There is a Hell…, “Visions” com a sua letra simbólica que compara uma relação a uma batalha e com um poder explosivo sustido no seu refrão viciante e nos riffs disparados sem misericórdia, é das músicas mais caóticas da banda ao vivo e uma das suas pérolas que entretanto já “viraram” clássicos.

“I’ve been dreaming of us leaving everything and everyone we’ve ever known/I’ve been thinking all these visions must be a sign, so hold on and don’t let go”

1. Chelsea Smile

Por muito que gostemos do lado mais melódico e sensível dos Bring Me The Horizon, há qualquer coisa em “Chelsea Smile” que é transcendente; este hino de Suicide Season é a faixa mais característica e emblemática da banda e realmente percebe-se, pelo seu peso cru, mas já a denotar uma sensibilidade catchy nos seus riffs e refrões “pegajosos” que não deixa ninguém indiferente, pegando-nos no primeiro “I’VE GOT A SECRET” e nunca mais largando.

“I’ve got a secret/It’s on the tip of my tongue, it’s on the back of my lungs/And I’m gonna keep it/I know something you don’t know”