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Bullet For My Valentine – Venom

Os galeses Bullet For My Valentine (BFMV) foram em tempos um dos maiores fenómenos do Metal, quando a meados dos anos 00 apadrinharam o Metalcore britânico com a sua mistura de rugidos e clean, mas muito mais influenciado por Thrash do que o Groove das restantes bandas do movimento que imperava na altura.

Actualmente, depois do declínio do género e de um Temper Temper muito sofrido em 2013, onde se tentaram re-inventar numa banda de Hard Rock próxima da rádio, é interessante ver o grupo regressar às origens neste Venom que logo no título pisca o olho a The Poison, a estreia seminal de 2005.

Recrutando elementos sobretudo desse álbum, o novo CD não se desvia um centímetro da fórmula trabalhada pela banda, com os seus vocais alternados, dualidade de guitarras e solos aprimorados a reinarem como sempre, num registo infinitamente melhor do que o seu predecessor, mas que soa algo cansado e não iguala o esforço de há 10 anos ou o seu sucessor Scream Aim Fire.

Destilando a mesma agressividade e urgência em cada riff furioso ou berro do sempre carismático Matt Tuck, os BFMV semeiam a sua fórmula habitual e colhem frutos em faixas incendiárias como a excelente “No Way Out” ou a inflamável “Broken”, que além de nostalgia trazem ao de cima a veia pulsante de adolescente enraivecido que o Metalcore sempre foi tão bom a expor.

No entanto, nem mesmo os riffs explosivos e os solos de guitarra impecavelmente alinhados (veja-se a contagiante “Army of Noise”) livram a banda de se tornar refém de alguns clichés que ajudou a criar, seja nas letras forçadas e vazias de significado em que pregam raiva adolescente de forma inconsequente e longe da lírica rica da estreia, como se pode ver na banal “You Want a Battle? (Here’s a War)” ou mesmo na reciclagem de guitarradas e refrões imemoráveis de músicas como “The Harder the Heart (The Harder It Breaks)” ou a final “Pariah” que mostra uma banda a tentar regressar às origens tão desesperadamente que fica contente em por vezes representar um tributo a si mesma de forma desinspirada.

Felizmente que a faixa-título, representando as clássicas power ballads omnipresentes escapa a este critério, apresentando um registo familiar mas ainda assim contagiante, que está ao nível de momentos como “Hearts Burst Into Fire”, com a sua progressão até ao refrão explosivo e viciante que, numa imagem de marca da banda, é pesado e ainda assim Pop o suficiente para ser trauteado incessantemente.

Desta forma, no regresso dos BFMV os fãs de Metalcore (e Thrash?) poderão ficar satisfeitos com o regresso às origens da banda, mas que ainda assim não se compara aos seus esforços ‘clássicos’ da década passada.