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Caladmor [Outubro 2013]

Estivemos à conversa com Barbara Brawand (“Babs”), vocalista dos helvéticos Caladmor, banda originária de Zurique que pratica um Epic Folk Metal muito cativante e ecléctico, que depois de ter merecido análise aqui, motivou também esta entrevista que agora partilhamos com os nossos leitores.

Vamos começar com uma pergunta mais Shakespeariana e existencial, quem é Barbara Brawand? O que é que realmente te realiza, como mulher e como ser humano, e como é que a música e os Caladmor se relacionam com tudo isso?
Ser ou não ser… Eu certamente sinto que existo pelo acto de fazer música. Enquanto tocamos juntos há momentos em que tudo – a vida e o universo e todos os seus enigmas – tudo parece claro como água e eu sinto-me profundamente bem… Certo, é difícil explicar isso por palavras haha, espero que fiques com uma ideia daquilo que quero dizer – Cantar é como um canal que me permite exorcizar tudo aquilo que me deixa enraivecida, triste ou feliz e, assim, consigo manter o equilíbrio. Se não pudesse continuar fazê-lo ficaria doente de certeza.

Sendo também um fã dos Nirvana, recordo que tu e os restantes membros da banda, quando ainda davam pelo nome de Pale, também sentiam afinidade pelo chamado “Som de Seattle “. E, de certa forma, consigo identificar-me com o caminho que vocês seguiram desde esses dias, mas será que consegues clarificar melhor como passaste de “grunger” a uma diva do metal?
Ok obrigado por esse “diva do metal” Na verdade, a nossa música cresceu a partir de uma espécie de “darker alternative Metal” para aquilo que é hoje em dia. Mas eu ainda acho que algo dos Pale ainda pode ser percepcionado, por vezes, na nossa música recente, assim sendo, pelo menos para nós, o Grunge não morreu 😉 Eu acho que a música que fazemos hoje nos traz mais desafios, tanto em termos de composição e como de execução e por isso acho que é mais interessante usar diferentes estilos e não apenas aqueles “vocais estridentes do grunge”, foi por isso que eu exercitei um pouco mais a minha voz desde a época do “Grunge” nos Pale.

“Of Stones and Stars” acabou por ser uma grande surpresa para mim, porque este vosso trabalho é muito mais do que um disco de Epic Folk Metal convencional. Então, será que podia falar um pouco sobre o conceito do álbum ? E ao mesmo tempo, clarificar como ele presta tributo ao género Epic / Folk, mas ao mesmo tempo avança por “territórios menos explorados”?
Fico feliz por ele ter sido assim uma surpresa tão grande para ti, porque acho que “Of Stones and Stars” definitivamente não é um típico álbum de Folk Metal. Más críticas ainda foram mais longe e disse que NÃO era de forma alguma um álbum Folk – acho que realmente tudo depende daquilo que se está à espera quando se lê o rótulo “Folk” . Felizmente, tu tens uma mente mais aberta e muito obrigado por isso!  As músicas “Of Stones and Stars” são, no que diz respeito ao seu estilo, todas diferentes umas das outras e por isso tivemos alguma dificuldade em encontrar uma “marca” para a nossa música no álbum, até que finalmente decidimos designá-lo como Epic Folk Metal. Mas quando ouves Folk não deves estar à espera de ouvir nele muitas gaitas de foles, flautas e violinos. Nós poupamos um pouco na utilização destes elementos de forma a colocá-los apenas no lugar certo no momento certo. O Folk está mais relacionado com a forma como as melodias (da guitarra) soam e são compostas. Escolhemos a designação “Epic” mesmo por causa de seu significado real, ou seja, referindo-se ao género literário grego e aos poemas medievais épicos que inspiraram muito as nossas letras.

Na verdade, uma grande percentagem dessa “exploração” acaba por definir a origem da sonoridade “Caladmoriana”. De facto, “variedade” é algo que a banda claramente quer alcançar com a sua música. Então de onde é que vem toda essa variedade e como é que os vários elementos da banda conseguem reunir toda essa diversidade numa “opus” sólida e coesa.”

Bem, um dos nossos princípios é: Vamos fazer o que queremos! O que significa que não partimos da ideia “vamos soar como esta ou aquela banda” e , em seguida, colocamos toda a nossa composição em torno dessa ideia fixa – nós apenas trabalhamos cada canção como uma entidade singular . Talvez seja porque é o Maede que compõe a maioria das canções que, no entanto, haja uma certa coerência em todo o álbum.

Avançar (involuntariamente) para um lançamento de um álbum de forma independente não é uma tarefa fácil, como conseguiram gerir essa situação? Houve obstáculos ¬ que a banda foi forçada a ultrapassar, nomeadamente, quando passaram à fase promocional?
Para a fase promocional tivemos a felicidade (e ainda temos) de contar com a ajuda de Markus Eck da Metalmessage . Claro que a falência da nossa antiga editora foi um constrangimento para nós e tivemos que encontrar outra fonte de dinheiro para pagar as despesas de gravação do CD. Mas, por outro lado, esta foi também uma oportunidade para descobrirmos as vantagens de uma banda trabalhar sem um rótulo, ou seja, ser mais livre e capaz de tomar as suas próprias decisões em cada uma das etapas.

Algo que achei fantástico sobre “Of Stones and Stars” foi a relação estreita entre música / literatura / mitologia medieval. Como é que o folclore ancestral, o Edda poético e outras narrativas medievais se transformaram em fortes influências líricas para a vossa música?
Estamos realmente muito interessados em todos os tipos de mitologia, lendas e poemas épicos. Acho que eu e o Maede somos também muito influenciados pelos nossos estudos na universidade, onde, muitas vezes, descobrimos novas lendas e obras que desconhecíamos. Para o curso básico de Literatura Medieval na Universidade, eu, por exemplo, tive que ler ” Iwein “, de Hartmann von Aue e fiquei verdadeiramente impressionada com uma passagem que descreve Laudine chorando por causa do marido ter falecido – eu imediatamente soube que queria fazer uma canção sobre isso.

Outro aspecto a destacar no álbum tem que ser, como referi na minha análise, o teu fantástico desempenho vocal. Houve muito trabalho por trás dele, e foi algo que realmente querias alcançar com esta novo trabalho?
Antes de mais, obrigado pela tua análise! E muito obrigado pelo teu elogio! Sabes, nunca me senti muito feliz com o meu desempenho vocal em Midwinter – havia diversas partes em que eu poderia ter cantado melhor, mas simplesmente não naquela altura 😉 Por isso, sim, eu disse mesmo a mim mesma: Vamos fazer melhor desta vez! Também tivemos em atenção a necessidade de colocar mais altas as minha linhas vocais, porque em Midwinter, muitas vezes elas estavam demasiado baixas para a minha voz. E depois, claro, tive que trabalhar muito em todas as linhas, mas fiz tudo sozinha, visto que não poderia pagar a um professor de canto 😉

“Alvíssmál” é uma grande canção, que me levou a investigar a sua origem literária e mitológica. Além disso, a banda fez um vídeo para este tema, que factores pesaram nessa escolha? Será que podias partilhar algumas curiosidades sobre o processo de gravação desse vídeo?
Obrigado! Nós escolhemos Alvíssmál porque é uma das músicas favoritas de toda a banda. Além disso, achamos simplesmente que seria a música que as pessoas mais gostariam em todo o álbum e a própria riqueza do seu conteúdo histórico também a tornava ideal para um vídeo. Tivemos muita sorte em termos os Blackmoore (www.blackmoore.ch), um grupo dedicado a reencenar a época Viking, como atores na cena do festim. Eles adaptaram-se perfeitamente e tivemos um dia tão divertido com eles. Alguns deles tornaram-se mesmo nossos bons amigos!… No vídeo podes ver o que tem a barba escura cair para trás da cadeira, mas o que ninguém pôde ver é que ele magoou-se mesmo na cabeça quando bateu na parede … Cada vez que vemos aquela cena não conseguimos deixar de sofrer e gritar “aaaaaaah “;) Para as cenas de exteriores, subimos a montanha ” Uetliberg “, em Zurique, para congelarmos os nossos rabos a menos de dois graus… É isto que fazemos pelos Caladmor 😉

Recentemente, os Eluveitie e os Caladmor partilharam o palco, no Bierhübeli, em Berna, como foi esse concerto? Podes partilhar a experiência?
Ah, foi ótimo! Muitas das pessoas na plateia ainda não nos conheciam, mas tiveram todos uma atitude muito positiva, amável e de mente aberta e assim, após a terceira música, eles já estavam rendidos à nossa actuação. A química desencadeada entre todos foi avassaladora.

Será que há planos para uma digressão promocional? Eu sei que sair para a estrada em digressão é muito dispendioso, mas seria fantástico encontrar-vos num Festival Português, e posso mesmo garantir-vos que temos alguns eventos ideais para a vossa música. Acho que os Caladmor ficavam bem no cartaz de um festival como o “Entremuralhas”, aconselho-vos a descobri-lo!
Obrigado pela dica! Gostaríamos muito de visitar Portugal ! Como disseste, as digressões ficam caras, por isso vamos começar a fazer planos no sentido de angariarmos os fundos necessários para visitar Portugal e outros países fora da Suíça. Vou manter os dedos cruzados para que os Caladmor possam estar aí em 2014. Estamos mesmo ansiosos por conhecer-vos a todos!!!

Algum anúncio especial que possas partilhar connosco, aqui na Rock n’Heavy, e será que gostarias de deixar uma mensagem para os nossos leitores e todos os fãs?
Bem: Obrigado Rui e à Rock n’Heavy por esta entrevista – foi um prazer para mim! Obrigado a todos os nossos loucos fãs por todo o vosso apoio até agora. Vocês são fantásticos! Continuem a visitar o nosso site e a página do facebook para todas as novidades e esperamos sinceramente estar convosco em breve