free website stats program

Capitão Fausto – Pesar o Sol

Pesar o Sol dos Capitão Fausto é o sucessor do aclamado disco de estreia, Gazela (Chifre, novembro de 2011).

A abrir “Nunca Faço Nem Metade” instala-nos na voluptuosidade indolente, muito própria do indie rock psicadélico, através de melodias vaporosas e delicodoces que revestem as vocalizações etéreas e sibilinas. De facto, a atmosfera é de total ataraxia e descontração, assim sendo rapidamente nos deixamos envolver por esta diáfana neblina musical que nos transporta por paisagens surreais e oníricas. No entanto, como o título indica há também um prazer solar para fruir nestas composições. “Litoral” é um bom exemplo dessa fruição assente num lirismo intensamente estival e bem português. De facto, a componente lírica na língua de Camões será sempre outro aspecto a valorizar no universo musical dos Capitão Fausto. Assim, “Tui” remete para um imaginário báquico que está subjacente a este disco gravado na adega da Quinta de Sto Amaro. Inebriante até à alucinação, “Tui” explora profusamente as fronteiras do psicadélico e do surreal.

A viagem continua com os contornos diáfanos e etéreos da baudelairiana e poética “Flores do Mal”, seguindo-se o interlúdio instrumental de sabor exótico “Pesar o Sol”, marcando uma transição para músicas mais rápidas e incisivamente rock como a pulsante e cardíaca “Célebre “Batalha do Formariz”, o frenesim das “Ideias”, a intespestiva e vintage “Prefiro Que Não Concordem” e o single “Maneiras Más”.

O epílogo fica reservado para a longa ode “Lameira” que clarifica (se alguma dúvida ainda existia) que os Capitão Fausto amadureceram e que do “mosto” rubro e fértil deste manancial musical evolam-se melodias mais complexas e inquietantes do que aquelas que marcaram o álbum de estreia. Onde “Gazela” tinha a natureza frutada e jovial de um vinho novo, “Pesar o Sol” apresenta notas quentes de frutos vermelhos amadurecidos ao sol. Portanto, um disco para ouvir da mesma forma como se bebe um bom “vintage”!

Análise de Rui Carneiro