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Caspian – Dust & Disquiet

Desde meados da década passada que o Post Rock se tem assumido como um dos géneros mais populares (e populados) da música alternativa, com inúmeras bandas novas a aparecerem quase diariamente dispostas a deixar a sua marca num estilo que, de resto, começa a dar sinais de cansaço.

Porque se é verdade que pode ser berço de alguns dos momentos mais emocionantes da música movida a guitarras, não menos verdade é que o Post Rock é um dos estilos mais rígidos e presos que há memória, com as suas bandas de proa a seguirem registos formulaicos que se tornaram numa espécie de ‘receita’ para os novatos ao estilo, à excepção de alguns ilustres forasteiros.

E depois há os Caspian… Não tão extremistas na sua irreverência como uns And So I Watch You From Afar ou 65daysofstatic, os americanos sempre souberam manter as suas origens fiéis ao Post Rock catártico de uns God is An Astronaut ou Explosions In The Sky enquanto mantêm margem de manobra para inovar na sua sonoridade, algo que fazem desde a estreia e que não pretendem abandonar no novo Dust & Disquiet.

Se Waking Season, de 2012, foi um álbum antémico e repleto de músicas maiores do que a vida, num registo maduro sobre mudança, o novo CD é o seu contra-peso melancólico, por vezes desbargado (a épica “Ríoseco” não deixa espaço para dúvidas), mas muitas vezes emocionalmente frágil e intimista (a belíssima balada “Run Dry” mostra os dotes vocais da banda e o seu refrão memorável ‘We are wide awake now’ cantado em tom agridoce anuncia dores de crescimento ficará para a História como um dos momentos mais delicadamente encantadores do Post Rock).

Algo verdadeiramente impressionante sobre os Caspian é a sua habilidade de criar faixas com a mesma toada dos seus pares em termos de catarse e intensidade sem se render às regras impostas pelo seu género (que neste momento já é muito redutor para os definir), seja através da esquizofrenia em crescendo que traz a fantástica “Arcs of Command” a bom porto ou à completude da faixa-título, melhor momento do disco e que o encerra de forma inesquecível.

Por outro lado, a faceta minimalista dos americanos também está bem patente além da sua balada delicodoce, funcionando bem na inicial “Separation No.2”, mas deixando algo a desejar na monótona “Aeternum Vale”, que parece prometer sempre mais do que acaba por entregar.

Finalmente, os Caspian dão asas ao seu lado electrónico em Dust & Disquiet também como nunca antes, resultando na surpreendentemente positiva “Sad Heart of Mine”, mas também na excêntrica “Darkfield”, que dispara em demasiadas direcções sem nunca se comprometer num resultado coeso.

Desta forma, o novo álbum dos Caspian é a montra perfeita do motivo porque são uma banda em rotura com o Post Rock, aceitando as normas do género, mas subvertendo-as às suas idiossincrasias e criando no final um álbum que muito surpreenderia se não fosse fenómeno de culto em breve.