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Chevelle – La Gárgola

Os Chevelle são uma das bandas mais proeminentes do Metal Alternativo actual, levando a inúmeras comparações com os titânicos Tool, mas enquanto estes sempre deram prioridade à experimentação nas suas músicas, os primeiros preferem os elementos de Hard Rock que lhes permitem apelar a uma maior audiência ao mesmo tempo que editam álbuns constantemente sólidos.

Depois de um consistente Hats Off To The Bull já de 2011, La Gárgola é o sétimo álbum de estúdio dos americanos e mostra uma mudança de sonoridade que dá primazia ao peso, patente no fuzz das guitarras e no ritmo lento a lembrar Helmet, em vez de hinos mais imediatos que marcaram a carreira da banda até agora.

Isto permite evidenciar desde logo aquele que é o ponto mais forte da banda: os vocais de Pete Loeffler, que trazem à memória Maynard James Keenan, alternando entre um tom suave e autênticos rugidos viscerais, muitas vezes na mesma música, são uma delícia para os ouvidos e mostram a excelente forma do músico, dando vida às suas letras abstractas de forma impecável, acompanhado ainda por uma secção rítmica também ela irrepreensível, mesmo sem virtuosismos.

O primeiro single, “Take Out the Gunman”, é a música mais imediata do álbum, com um riff viciante e uma energia contagiante, enquanto que o segundo, “Hunter Eats Hunter”, já aposta numa atmosfera claustrofóbica e num negrume que paira no cd na globalidade.

A vontade de experimentação dos Chevelle não se fica apenas por aqui, sendo notável logo pela inicial “Ouija Board” com a sua percussão excêntrica e uma prestação vocal impressionante naquela que é a faixa mais pesada do cd, bem como pela fantástica “Choking Game”, com mais uma grande prestação de Loeffler, quer na voz, quer nas guitarradas vibrantes.

Além disto, a banda assume ainda uma postura contemplativa com faixas mais lentas e instrospectivas, com “One Ocean” e o seu reverb a trazerem ao de cima a faceta mais próxima dos Deftones da banda, mesmo com um refrão claramente preguiçoso, bem como a final “Twinge”, hipnótica e encerrando La Gárgola com chave de ouro, assumindo-se mesmo como a melhor faixa nele presente.

Curiosamente, é quando os Chevelle tentam soar mais a si mesmos que as músicas perdem qualidade, com faixas como “An Island” ou “Jawbreaker” a manterem a distorção e energia típicas da banda, mas sem prenderem o interesse de forma notória.

Desta forma, os americanos mudaram de direcção ao seu sétimo cd, optando por uma experimentação que os aproxima mais dos Tool com que sempre foram comparados, à medida que mantêm na mesma uma identidade própria, acabando por resultar mesmo no melhor álbum da banda desde sempre.