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Clan of Xymox [Hard Club, Porto]

O Porto anoiteceu chuvoso, o que – coincidência ou não – acabou por se adequar ao que seria vivido dentro das quatro paredes da sala 2 do Hard Club. Contudo, ninguém desconhecia aquilo que os esperava – os espetadores, que preencheram a quase totalidade da sala, eram “veteranos” que recordavam bem outras passagens dos holandeses Clan Of Xymox pelo nosso país.

A abertura esteve reservada à escocesa Tracy Vandal, que promove “The end of everything”, um EP que marca a sua estreia a solo, ela que integrou uma série de bandas no Reino Unido até chegar a Portugal, onde se estabeleceu e continuou a colaborar com bandas portuguesas, como os Tiguana Bibles.
Envergando um curto vestido de lantejoulas e uma postura expressiva e sensual, dominou pelo visual mas também pela voz, num set-list que, aparentemente, ia sendo ditado pelos músicos Pedro Mangerona e Miguel Teixeira.
Durante meia hora, Tracy projetou-se de alma e coração, ela que domina a arte da expressão dramática dos seus próprios sentimentos que servem de mote aos temas apresentados, como “Straight to the Stars”, “On the Hill” ou “Ex-Codes”.
Pelo meio foi conversando, bebeu vinho branco, desceu do palco, descalçou os saltos altos, libertou-se de amarras invisíveis, conquistou um público.


Pelas 23 horas, subiam ao palco os Clan Of Xymox, nome sobejamente conhecido para o público maduro e conhecedor que acorreu ao Hard Club.
Num percurso que começou há mais de 30 anos, e sempre centrados na figura do guitarrista e vocalista Ronny Moorings, a banda foi precursora do darkwave e uma das figuras de proa da lendária editora 4AD.
Hoje em plena tour mundial de apresentação do álbum “Matters Of Mind, Body & Soul”, é natural um certo foco nos novos temas, e foi com “I Close My Eyes”, “She Is Falling in Love”, “The Climate Changed” e “Love’s on Diet” que atuação arrancou, com um Ronny competente mas pouco entusiasmado, e até perturbado com o facto de poder-se fumar no recinto.
Progressivamente foi acontecendo a viagem no tempo, com passagens pelos álbuns “In love we trust”, “Farewell” e o incontornável “Medusa”.
Quanto mais se recuava no tempo, maior se tornava a recetividade por parte do público (como em “Emily”, “Louise”, “A day” ou “Muscoviet Musquito”), e menor a rigidez em palco por parte da banda, visível no baixista e guitarrista Mario Usai, ou no teclista Sean Göbel quando largou o seu “posto de comando” no centro do palco para se aproximar do público, munido de um micro teclado na mão.
Nada menos que três encores para terminar um set que incluiu duas covers: “Venus” dos seus conterrâneos Shocking Blue (lançado no início da década de 70, popularizado na década seguinte pelas Bananarama, e onde Ronni prudentemente adaptou o refrão para “She’s my Venus”) e ao fim de hora e meia de atuação, terminar com “Heroes”, de David Bowie.

Fotografia e texto: João Fitas
Agradecimentos: Muzik Is My Oyster