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Clan of Xymox [Setembro 2012]

Formados nos anos 80, uma década tão frutífera no desenvolvimento da música electrónica, os holandeses Clan of Xymox tornaram-se numa das bandas pioneiras de um estilo de música que mais tarde ficaria conhecida por Darkwave, sendo considerados por muitos como uma das bandas mais influentes da cena underground. Tendo sido uma das bandas cabeça de cartaz no festival Entremuralhas, a Rock’n’Heavy aproveitou a oportunidade para conversar com o seu líder, Ronny Moorings.

A banda existe desde os anos 80 e, desde então, lançaram vários álbuns, e tornaram-se numa das bandas mais emblemáticas da cena underground. Passaram por várias fases e seguiram muitas direcções ao longo do tempo até chegarem ao que são hoje. Em que momento é que sentiram que os Clan of Xymox foram verdadeiramente reconhecidos pelo público?
Essa é uma questão difícil de responder… Quando os Clan of Xymox lançaram o primeiro álbum, esse foi o momento em que começou a nascer o nosso público. Claro que, ao longo dos anos, experimentei direcções diferentes, no sentido de me conhecer melhor como músico e perceber que estilo me “servia” melhor. As várias mudanças que foram acontecendo na vida e no mundo também influenciaram essas mudanças de direcções. Pessoalmente, sinto que o período mais consistente para mim surgiu a partir do ano de 1997. Penso que os nossos fãs conseguem apreciar as várias fases pelas quais a banda passou, e isso sente-se sempre que tocamos ao vivo.

Qual é a sensação de serem uma das bandas mais emblemáticas da cena underground?
Essas palavras não são ditas por mim! Mas dito dessa forma, é um elogio, e os elogios são sempre bons! É sempre óptimo ser-se reconhecido, portanto é uma sensação muito boa.

Desde o nascimento da banda até aos dias de hoje, vocês assistiram às várias mudanças que foram ocorrendo na indústria musical. As técnicas de gravação são diferentes, mudou-se a forma como a música é produzida e como chega ao público. Qual é a tua opinião em relação a isso?
Eu usufruo da tecnologia desde o primeiro dia em que comecei a fazer música. Comecei por arranjar um computador, na altura um Commodore barato com um sequenciador, com um teclado midi. Isso ajudou-me a tornar-me independente de toda a gente. Aos poucos, o equipamento tornou-se cada vez melhor, até que consegui
ter o meu próprio estúdio e fui capaz de escrever e gravar música a tempo inteiro. As ferramentas disponíveis tornaram-se cada vez melhores. A tecnologia torna a tua vida muito mais simples; no entanto, tens de ser tu a escrever as tuas próprias letras, a tecnologia não faz isso por ti. Tens que ter as tuas próprias ideias e visão do mundo, o teu próprio gosto musical…

O panorama musical mudou bastante ao longo dos anos, tal como o público que ouve o tipo de música que vocês fazem. O que achas do crescimento da cena underground dos últimos anos?
Felizmente há sempre miúdos que não querem consumir cegamente o que está na moda! Nós somos aquele tipo que não segue tendências, apenas ouvimos a música que gostamos. A cena underground é bastante diversa e, nesse sentido, fico contente que haja tantos festivais com bandas alternativas, dando às pessoas que não conhecem esta ou outra banda a oportunidade de enriquecer o seu conhecimento musical. Pelo que tenho observado, a cena underground é bastante saudável. As pessoas continuam a ir aos concertos e, admitamos, em termos de música alternativa não há muito mais além do underground, talvez o indie rock, mas basicamente não passa disso.

Revela-nos um pouco mais acerca dos vossos últimos álbuns: “Darkest Hour” e “Kindred Spirits”.
O “Darkest Hour” foi lançado a 20 de Maio, no meu aniversário. Desta vez, deixei a minha guitarra um pouco de lado e diverti-me mais com os sintetizadores e os teclados. Isto aconteceu de uma forma natural. Usei a guitarra apenas quando a música assim o pediu; se a usasse sempre isso teria tornado as músicas muito cheias e pesadas, e eu quis evitá-lo. Há algumas músicas totalmente baseadas na guitarra, como a “Tears Ago”, ou a “She Did Not Answer”, uma faixa com uma guitarra samplada que guia a música. Mas, na generalidade, os sintetizadores dominam, o que não significa que o álbum seja menos atmosférico. Adequam-se às músicas. O “Darkest Hour” baseia-se no seguinte: depois da “hora negra” existe a esperança, esperança por coisas melhores. A “hora negra” é por volta das 3 da manhã, quando tudo está calmo e é a minha hora preferida para criar músicas, não me distraio e é o momento perfeito para escrever. Uma das faixas teve esse nome precisamente por ter sido criada por volta dessa hora, e o nome deixa a porta aberta a qualquer interpretação por parte do ouvinte. Quis que algumas músicas soassem tal e qual como quando eu comecei a compor no início da minha carreira, com os sintetizadores. Por vezes as músicas são mais autênticas quando não são cheias de instrumentação… Acho que estas músicas são um pouco diferentes e eu gosto muito delas. Para mim, são mais old school com um twist. O resto do álbum consiste em músicas típicas de Clan of Xymox, muito compatíveis com todos os anteriores álbuns lançados.

Relativamente ao “Kindred Spirits”, escolhi este título porque refere-se às pessoas mais geniais e espirituosas do mundo da música. As bandas e os músicos cujas músicas eu fiz covers foram a minha inspiração, há um sentimento de conexão com eles e com a música que fizeram. Para fazer uma cover, tens que ter algum tipo de afinidade com a música; de outra forma, não funciona. Eu sempre quis fazer um projecto como este, e este ano foi perfeito para isso acontecer. Sei que não somos a primeira banda a fazer este tipo de coisas, mas também não existem muitos álbuns de covers de bandas que normalmente lançam álbuns há algumas décadas.

De onde surge a inspiração para os vossos álbuns?
As letras das músicas surgem, na maior parte das vezes, de coisas que eu ouço ou sinto. A música surge por si própria. Quando me sento no estúdio e começo a escrever, nunca sei realmente aquilo que vou começar. Quando um som emerge, então há um longo processo até se fazer a música. As letras e a música influenciam-se mutuamente. O resultado final é sempre uma surpresa para mim, igualmente.

Os Clan of Xymox já tocaram em Portugal mais do que uma vez. Quais são as vossas impressões em relação ao público português? Vamos voltar a ver-vos em breve?
Eu adoro Portugal e as pessoas! Até hoje, só tenho boas memórias acerca do vosso país! Espero que algum promotor nos peça para voltarmos no próximo ano!