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Crosses – Crosses

Para qualquer fã do melhor Metal praticado a partir do final dos anos 90, será decerto difícil o nome de Chino Moreno passar despercebido; líder dos Deftones, protagonizou a revolução do Nu Metal, conseguindo ainda sobreviver ao declínio do mesmo com a exploração de elementos mais experimentais pela sua banda de sempre, com grande sucesso e aclamação.

Além disto, colaborador frequente de artistas dos mais variados géneros, Moreno tem ainda no currículo mais uma banda de Post-Metal, Palms e outra de raízes no trip-hop, os Team Sleep (ironicamente adormecidos actualmente).

Como o homem dos Deftones arranja tempo para tudo isto, ninguém sabe, mas o que é certo é que ele acha pouco, formando mais uma banda, Crosses, mais adepta de explorar a fronteira ténue entre a electrónica baseada no Witch-house e o rock atmosférico e que lançou o seu cd homónimo que os estreia no mercado.

Com uma estética minimalista e inspirada vagamente em fenómenos culturais como Twin Peaks e uma sonoridade negra e que tanto pede emprestados elementos ao Post-rock como à música Industrial, os Crosses são difíceis de definir, mostrando-se como um escape para Moreno poder dar asas às suas vontades experimentais e romances com a electrónica, que ele nunca escondeu.

“This Is a Trick”, com a sua batida repetidamente viciante, poderia ser um hino em qualquer clube nocturno mais obscuro, abrindo portanto o cd de forma bastante promissora, assim como o single “Bitches Brew”, liderada pela voz de Chino Moreno, sobretudo em registo hipnótico e suave no seu tom típico e numa forma invejável a nível vocal.

Uma das maiores críticas a fazer ao cd é a falta de música nova, com a maioria das faixas presentes a serem “recicladas” dos EP’s anteriormente editados, o que acaba por desapontar depois de uma espera tão longa por um álbum.

No entanto, a música nova que existe é de inegável qualidade, com “The Epilogue” num registo mais próximo do rock atmosférico de uns Isis a ganhar as honras de melhor momento do cd e “1984”, alternando entre uma leveza acústica e uma exploração electrónica minimalista apoiada num teclado “cheio” e, pois claro, na magnífica voz de Moreno, é dotada de uma beleza surreal e de um refrão delicioso.

No entanto, ao resgatar as músicas do “baú”, seria de esperar pelo menos um maior cuidado na selecção das mesmas, visto que, se trunfos como “Bermuda Locket” ou “Trophy” são mais-valias, ainda que não sejam temas novos, momentos mais desinspirados e banais como “Telepathy” ou “Option” (numa abordagem falhada ao som mais “sujo” dos Deftones em “modo calmo”) seriam perfeitamente dispensáveis numa “triagem” adequada.

Desta forma, Crosses tem na sua estreia homónima um álbum promissor, capaz de se distinguir dos restantes pela alma que imprime num género onde ela é bastante vestigial, sendo mais um projecto de sucesso para Moreno, ainda que a falta de música nova seja inaceitável e desapontante.