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Cult Of Luna – Vertikal

Se há algo com que Vertikal pode ser acusado, é de ter um mau timing; ainda está toda a gente a refazer-se das típicas listas de melhores de 2012, a tentar pôr a música em dia e pronto, eis que os Cult of Luna nos caem em cima com este registo assombroso, que decerto será falado daqui a 10 meses.

O colectivo sueco demonstra neste novo disco uma afirmação para a linha da frente do pós-metal, assinando uma performance em tudo complexa e multifacetada.

Para começar, desengane-se quem julgar que descobriu tudo o que o álbum tinha para dar ao fim da primeira audição; Vertikal é daqueles cd’s para ser admirado com tempo e paciência, sucessivas vezes, sendo que por cada vez que termina, já se descobriu mais uma camada, mais um pormenor, mais algo encantador que julgávamos não estar lá e ainda nos prende mais a este disco.

Por outro lado, os Cult of Luna remaram contra a maré neste disco, visto que, com o formato de consumo fácil e de adoração de singles que a indústria musical cada vez mais adopta, será bastante difícil para um cd conceptual como este singrar, onde não existem músicas fáceis nem singles óbvios e tudo tem o seu merecido destaque.

É fácil ver que este cd não tem valor pelas músicas separadas, mas antes pela sua globalidade, numa beleza conceptual que intercala músicas de 2 minutos com outras de 18, mas que nunca se torna aborrecido ou previsível; é também pelos detalhes que Vertikal se destaca, com a banda a mostrar uma grande atenção na altura de dar forma às canções, notando-se sobretudo no jogo cuidado que é feito com os sintetizadores, esculpindo padrões delicados e que até são repetidos em várias faixas, mostrando uma coesão do registo.

Mas não é só de coesão que se faz este álbum, mas também de contraste, com sequências pesadas (ilustradas por guitarras a carregar na distorção e growling agressivo) a trocarem com melodias calmas (instrumentais ou, ocasionalmente, com vocais clean), mais próximas de uns God is an Astronaut do que de uma banda de Metal!

E, no entanto, é esta harmonia entre a leveza e a agressividade, entre o belo e o brutal, que torna este disco digno de registo, pois, independentemente do ritmo, a intensidade é sempre a mesma (máxima!), seja em faixas mais melodiosas como na bela “Passing Through”, ou em momentos multifacetados como na gigante “I: The Weapon” ou o final espectacular “The Flow Reversed”.

Na hora de destacar músicas más, é impossível, tal como para dar relevo a alguma faixa mais grandiosa, visto que todo o cd parece uma música gigante, onde tudo tem o devido lugar e está perfeitamente harmonizado com o restante.

Posto isto, mais do que um cd, Vertikal é uma viagem de emoções, sendo um raro fenómeno de um disco que vale mais como um todo do que como um aglomerado de músicas, numa experiência de outro mundo…2012 já passou, mas espero que os Cult of Luna não sejam esquecidos em Dezembro!

Análise de Jorge Martins