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Daniel Cardoso (Anathema) [Outubro 2014]

Os Anathema voltam a Portugal esta sexta e sábado para concertos no Paradise Garage e no Hard Club, respectivamente. Dois anos volvidos desde a apresentação de “Weather Systems” em palcos portugueses, os concertos deste fim-de-semana têm como mote a apresentação de “Distant Satellites“, o décimo (e considerado por muitos o melhor) álbum da carreira dos britânicos, lançado em junho.

O que alguns não sabem é que o baterista da banda londrina é bem português. Daniel Cardoso, multi-instrumentista nascido em Beja, começou a tocar ao vivo com os Anathema em 2010 e , desde então, passou a membro definitivo da banda. A Rock n’ Heavy teve a oportunidade de ter uma pequena conversa com o Daniel sobre a vida na banda, a digressão que passa por Portugal e “The DC“, o projeto a solo.

Leia a entrevista abaixo:

RnH: A primeira vez que tocaste ao vivo com os Anathema foi em 2010, na Tunísia. Como é que surgiu essa oportunidade?

DC: Surgiu numa altura em que estava a trabalhar com o Danny (Cavanagh) num projeto paralelo. Estávamos em estúdio quando ele recebeu uma chamada de Skype do management da banda sobre o concerto na Tunísia e sobre a impossibilidade do John, baterista, o fazer. Basicamente estávamos na mesma sala e durante a chamada o Danny voltou-se para trás e perguntou-me “queres tocar na Tunísia connosco?”. Claro que quis.

Em novembro de 2012 foste anunciado como teclista permanente dos Anathema. Depois de algum tempo em que tocaste essencialmente teclas, passaste finalmente para a bateria, o teu lugar preferido. Parabéns! Como ocorreu esta mudança?

Toda a gente na banda sabia que o meu lugar era na bateria, mas flexível como sou, sempre adoptei da melhor forma possível o papel que me foi inicialmente destinado. Tenho formação de piano e fui educado como pianista, portanto não foi difícil. Mas brincávamos com isso, eu dizia que estar em Anathema era tipo “having a dream job, but being on the shitty office”. Alguns membros da banda “flirtavam” com a ideia de me ter a mim como baterista em alguns temas e chegou a ser discutida a possibilidade de se ter dois bateristas ao vivo. Julgo que a transição se deu durante a pré-produção do novo álbum. O John teve que se ausentar por motivos familiares e acabei por gravar eu as demos e posteriormente gravar o álbum. Durante as tours que fizemos nos Estados Unidos o John esteve mais uma vez ausente, mas acabou por estar presente na composição musical do álbum tendo agora voltado à formação live da banda como percussionista, também responsável por uma panóplia de gadgets eletrónicos, mantendo-me eu assim na bateria.

Em 2014 a banda lançou o álbum “Distant Satellites”, que tem sido muito aplaudido pela crítica. Como foi o processo de gravação e qual o teu papel nele?

Como disse anteriormente, estive presente na pré-produção e ajudei a moldar alguns temas na sua fase embrionária criando partes rítmicas. Mas o processo de composição de Anathema é muito fechado e extremamente sobrecarregado de ideias existentes e ideias em desenvolvimento. É redundante estar a atirar mais ideias para o turbilhão. Limitei-me essencialmente a dar ideias de bateria e a gravá-las posteriormente.

Os Anathema têm concertos marcados em Portugal dias 10 e 11 de outubro. Não vai ser a tua primeira vez a tocar com a banda em Portugal, mas será a primeira vez como membro permanente e atrás da bateria. Que expectativas tens para este regresso?

Tocar em Portugal é sempre um voltar a casa. Literalmente, porque vou mesmo aproveitar para ir a casa nem que seja lavar roupa. Vai ser sempre especial, vai sempre lembrar-me os sonhos de adolescente de ver as bandas estrangeiras que passavam pelo nosso país em tour e desejar um dia ser eu. Vai sempre haver uma comitiva de amigos e família a transbordar a guestlist em ambos os concertos. Vai ser sempre bom.

Podemos esperar alguma surpresa para esta digressão?

Para além do facto de a banda estar a soar extremamente bem e extremamente coesa, acho que não haverá grandes surpresas. Vai haver algum “swing” de posições, sou capaz de tocar teclas num par de temas, mas essencialmente será sempre um show intenso já conhecido de Anathema com o acrescento de temas do novo álbum.

Os Anathema são como uma grande família, com os irmãos Cavanagh (Vincent, Danny e Jamie) e os irmãos Douglas (Lee e John). Como tem sido a relação com a banda?

Sempre boa. Serei sempre um bocado outsider primeiro por não ter ligações familiares com ninguém da banda, segundo por ser o único não-inglês. Mas os Douglas adotaram-me, dizem que sou um Douglas de forma a haver um balanço melhor entre as duas famílias, 3 Douglas, 3 Cavanaghs. No fundo esta será sempre uma banda extremamente familiar, o ambiente é bom, com os altos e baixos normais de quem está confinado ao mesmo espaço com as mesmas pessoas durante semanas, mas essencialmente um ambiente de respeito, amizade e poucos choques de egos.

Tens um projeto a solo chamado “The DC”, no qual todos os instrumentos são tocados por ti, o que já antes acontecera no teu projeto Head Control System, com o vocalista dos Ulver, Kristoffer Rygg. Desta vez, contudo, estás também a cargo das vozes. Era algo que já querias fazer há algum tempo?

Era de facto. Sempre cantei. Mas agora que tenho o álbum pronto estou a criar alguma resistência ao seu lançamento. Vou ter que o lançar, porque é algo que no fundo quero fazer, mas acho que me tornei demasiado protecionista em relação a este trabalho e está a custar-me ter que o atirar aos leões numa altura em que estou bastante descrente no mercado musical e na indústria discográfica. Vai acontecer, eventualmente, até porque tenho compromissos que tenho que cumprir, mas é um parto doloroso.

Para quando podemos esperar o lançamento do álbum “City Blur”? Quais são as tuas expectativas?

Para este ano sem dúvida. Vou aproveitar a tour de Anathema para lhe dar uns retoques finais e vou aproveitar o próximo ano para o promover dentro do possível.

  Os Anathema tocam no dia 10 no Paradise Garage, em Lisboa, e 11 no Hard Club (sala 1), no Porto, em concertos promovidos pela Prime Artists. O preço dos bilhetes é de 22€.