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Dead Sara – Pleasure To Meet You

Os Dead Sara, quando se estrearam com o álbum homónimo em 2012, deram que falar pelo single “Weatherman”, que recebeu alguma notoriedade e pela energia que demonstravam, destilando um Rock embelezado por Blues e com muito Soul alicerçado na voz gigantesca da vocalista Emily Armstrong, de timbre rouco e alcance invejável.

Mesmo com algumas falhas, típicas de uma banda ainda a descobrir-se a si mesma, o álbum de estreia foi promissor e foi sem sacrifício que fui seguindo a banda, até à edição deste Pleasure To Meet You, 3 anos depois, para tentar passar no difícil “teste do segundo CD”, o qual passa, com distinção.

O que havia em Dead Sara, há aqui e muitas vezes melhor: alma, energia, intensidade, muito Blues e momentos quase a roçar no Punk, Emily Armstrong a dar provas que é uma das melhores vocalistas actuais e enfim, momentos musicais de grande qualidade, este álbum tem para dar em vender.

“Mona Lisa”, primeiro single do CD, é como uma “Weatherman” mais sofisticada, com mais raíz nos Blues e uns ecos de Gospel e Armstrong em grande forma (“I’m so cold and lonely/I could be dead” dá arrepios), arrebatando-nos logo à primeira audição para apenas melhorar com o tempo, algo que não se pode dizer da sua sucessora “Something Good”, pseudo-balada que foca demasiado o Gospel e acaba por ser monótona.

Se dúvidas ainda havia que Emily Armstrong é uma autêntica força da natureza, essas foram sem dúvidas retiradas num álbum onde a sua forma é mesmo impecável, seja na fúria Punk demonstrada em momentos mais enérgicos como “Lovesick” como em deixas mais doces (mas nem por isso menos contidas) como no excelente final “For You I Am”.

Claro que embora o ênfase esteja em Armostrong, não pode deixar de ser dada uma palavra de apreço pelo trabalho da restante banda, tanto nos riffs viciantes da contagiante “Mr. Mr.” (e aquele solo demoníaco), melhor momento do álbum, ou pela atmosfera quase eclesial da inaugural “Suicidal”, conseguida por uma guitarra endiabrada junta com coros incisivos e uma percussão eficaz.

Além disto, os Dead Sara parecem ainda dispostos a evoluir musicalmente, entregando “malhas” onde experimentam na sua sonoridade, como se pode ver na abertamente Blues “Blue Was The Beautiful You”, numa “pelagem” que assenta muito bem a esta banda que parece milagreira na forma como pega em melancolia e a torna num sentimento quase festivo.

Desta forma, ao segundo álbum deu-se a consagração do conjunto americano, com um CD que explora a sua identidade de forma quase irrepreensível e ainda lhes dá margem para evoluir no futuro, deixando vários futuros marcos da Histórica Rock contemporânea pelo caminho.