free website stats program

Deafheaven + Myrkur [RCA, Lisboa]

Na sexta-feira dia 4 de março, o RCA em Lisboa recebeu a primeira data – das duas agendadas em Portugal – que marcou o regresso dos Deafheaven a Portugal. Logo à entrada vimos que este tipo de sonoridade tem vindo a ganhar fãs, algo que fez baixar e muito a média de idades do público esperado nessa noite.

Os Deafheaven sempre dividiram opiniões, enquanto uns elogiam as mudanças que trouxeram à música, outros não gostam da abordagem que a banda tem em relação a um género tão fechado como o black metal. Mas se os Deafheaven têm sido muito falados, que dizer do ato de abertura desta tour, Myrkur. Liderado por Amalie Bruun, o projeto rapidamente foi alvo de todo o tipo de críticas, não só à música feita como também à figura em si, embora isso comece a ser algo secundário ao ver-se a grande legião de fãs que têm vindo a ganhar.

O concerto de Myrkur provou que o hype à sua volta é exagerado, ao vivo é acompanhada por um conjunto de músicos competentes, mas quando Amalie pegava numa guitarra mal a tocava, parecia que era só para dar imagem, em termos vocais precisa de dois microfones com efeitos – falta de capacidade vocal? E tanto se fala dela no black metal mas raramente foram pisados esses campos, tirando a música “Skaði” a meio do concerto, o único momento que merece ser mencionado em que levou muito do público presente a fazer headbang. Foram 40 minutos só para fãs, que como foi possível comprovar, haviam muitos num RCA que quase esgotou. Para o fim, já só com Amalie em palco junto ao piano, a mesma interpretou uma cover da música “Song To Hall Up High” de Bathory.

Desde que se formaram em 2010 que os Deafheaven ainda mal tiraram férias, em cinco anos lançaram três discos, com o último, “New Bermuda” a ter honras de destaque nesta tour, não andasse a banda a tocá-lo na íntegra. É o disco do conjunto de San Francisco, Califórnia que mais opiniões repartiu entre os fãs, embora ao vivo a história seja outra. As partes mais melódicas fizeram os presentes dançar e as pesadas partiram alguns pescoços e deram início a uns quantos moshes a pedido do energético vocalista George Clarke como se pode verificar na música “Luna”.

Após a interpretação do disco “New Bermuda”, a banda fez uma breve pausa, regressando depois para um encore em que visitou o disco “Sunbather” e que resultou em 20 minutos finais demolidores com bastante mosh ao som da faixa-título do disco e “Dream House”, esta última ainda com direito a stage dives e crowdsurf.

Texto: Marco António Pires
Fotos cedidas por: Nuno Bernardo / Cvlt Nation
Agradecimentos: Amplificasom

Marco António Pires

Sou amante da música em geral com gostos mais virados para o metal, mas estou sempre disposto a ouvir coisas novas!