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Disturbed – Immortalized

Os Disturbed são um caso raro de sucesso: partiram da 2ª linha do Nu Metal, nunca atingindo a devoção de uns Linkin Park ou Limp Bizkit e à medida que o género foi definhando estabeleceram-se no Heavy Metal com raízes de Groove, onde começaram a liderar tabelas de vendas e a criar uma legião de fãs, sem nunca se terem tornado num fenómeno aclamado criticamente.

Pouco muda com Immortalized, o sexto registo após um muito desinspirado Asylum em 2010, com a pausa de meia década a fazer bem aos músicos, que regressam de baterias recarregadas e entregam um disco que, sem qualquer inovação, é mais fresco que o seu predecessor e renova a imagem de marca dos músicos de Chicago, mas que decerto não conquistará críticos ou novos fãs.

“The Vengeful One”, single de promoção, é uma faixa inteiramente Disturbed, com os riffs pesados q.b., letras épicas e gritos rasgados de David Draiman, cujo timbre nunca deixa saudades mesmo ao fim de década e meia a ouvi-lo, revelando assim aquilo que podemos esperar do disco na globalidade e sem grande margem de erro.

A verdade é que o conjunto sabe como agradar aos fãs e o CD parece cirurgicamente preparado para isso mesmo e nada mais; há o tom ominoso da banal faixa-título a lembrar “Indestructible”, há os coros fáceis e a paixão inflamada da monótona “What Are You Waiting For” e até o praguejo inconsequente no refrão adolescente de “Who” (Who the fuck are you gritado a plenos pulmões) para despejar as misérias.

A verdade é que, posto isto, pouco de interessante resta, curiosamente reservando os melhores momentos para faixas inesperadas como a pseudo-balada “The Light” ou a emotiva “You’re Mine” que, sem serem pedras essenciais do Metal, mostram alguma vontade de experimentar dos Disturbed e com resultados interessantes, num esforço que seria de louvar caso não fossem momentos sufocados pela banalidade de músicas como “Never Wrong”.

Em destaque está ainda (e sempre) a técnica de Dan Donegan, homem das guitarras (que aqui também assumiu os deveres de baixista) e que se revela mais uma vez como um dos guitarristas mais subvalorizados actualmente, seja no momento de desfilar solos que primam pela emoção em vez de pela rapidez (ouça-se a abismal “The Eye of The Storm” a abrir Immortalized) ou na construção de melodias intrincadas que disparam riffs certeiros e inflamados como na final “Who Taught You How To Hate”, mostrando um músico muito sub-aproveitado numa banda como esta e pronto para voos mais altos.

Dito isto, o novo CD dos Disturbed está longe de ser a revolução que a banda precisa (os alarmes devem soar quando a melhor música de um álbum não é da banda que o assina, como provado pela arrepiante versão de “The Sound of Silence”), mas afirma-se como aquilo que os fãs desejam e é sem dúvida mais inspirado do que Asylum e só isso já devia contar para algo, mesmo que não muito.