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Dornenreich [Abril 2013]

Originários da Áustria, os Dornenreich brindam-nos com uma mistura eclética de sonoridades que vagueiam entre diversas fronteiras nos meandros do Black Metal. Música feita de espinhos, como o próprio nome parece indiciar, e para conhecer hoje nas páginas da Rock n’Heavy.

No passado mês de janeiro, vocês deram alguns concertos dentro de Igrejas. Poder-nos-iam dar uma olhadela a essa experiência?
Foi uma experiência memorável tanto em termos de som como pela aura que estes edifícios especiais criam e se encaixam absolutamente nas vibrações da nossa expressão artística. Por isso mesmo as nossas músicas acústicas tornaram-se ainda mais transcendentes, mais intensas e ainda mais dinâmicas que nos álbuns.
Ainda para mais pelo facto de que a audiência pôde permanecer sentada e também por não haver nenhum bar dentro das Igrejas, o que tornou o concerto muito atmosférico e numa experiência íntima para todas as pessoas envolvidas.

Com Flammentriebe vocês encontraram o equilíbrio perfeito entre o som acústico e o mais pesado, entre a melancolia e a atmosfera caótica que os Dornenreich têm espalhado ao longo da sua carreira. As reviews do álbum corresponderam às vossas expectativas?
Sem margem para dúvidas. Atendendo ao futuro da banda, as reviews foram quase assustadoras pois recebemos muitas notas de 10 em 9 de cada 10 críticas ao álbum… se a atividade da banda dependesse do ímpeto exterior, se calhar seria melhor parar a banda agora porque as próximas reviews não poderão ser muito melhores haha! Mas como os Dornenreich sempre foram baseados na intuição, numa percepção cíclica das coisas e numa paixão original, ainda estamos por cá – e bastante vitais.”

Em outubro disseram que iriam trabalhar exclusivamente este ano nas preparações finais do vosso novo álbum “Freiheit”. Têm já uma data exata para o lançamento? Irá ser mais pesado ou mais acústico comparativamente com o anterior?
Vamos entrar em estúdio no final de outubro e planeamos lançar o álbum quando formos em tour, ou seja, por volta de abril/maio 2014.
De novo, o próximo álbum vai ser uma espécie de surpresa para grande parte das pessoas que partilham a nossa perspectiva de que os Dornenreich são uma banda independente e profundamente artística. Como considero que é demasiado cedo para falar detalhadamente sobre este álbum, apenas posso dizer que vai ser um claro sucessor do “Flemmentriebe” pelo facto que irá soar exatamente o oposto deste, de uma maneira ou de outra.

Qual será o próximo passo musical para os Dornenreich após este álbum?
Não sei mesmo neste momento. Ainda vai ser um caminho longo até o “Freiheit” ser gravado, lançado e promovido, por isso, no final deste ano vamos ver como as coisas ficarão. Mas, tendo em mente todos os álbuns – incluindo as músicas do “Freiheit” que ouço dentro de mim para já – é possível que este álbum seja o último “álbum-de-estúdio-dos-Dornenreich” ou pelo menos o último álbum de estúdio num grande intervalo de tempo. Nós vamos ver o que a sua autenticidade significa para nós e para os Dornenreich por essa altura. Por enquanto, vamo-nos concentrar na elaboração final do “Freiheit” com todas as nossas energias.

Preferem dar concertos acústicos?
Eu tenderia a dizer … sim, neste momento sim. Especialmente depois da nossa última tour onde tocamos em Igrejas, como mencionado anteriormente. É óbvio que ainda gosto da extase fervorosa de um concerto de Metal. No entanto, penso que as performances acústicas conseguem ser muito mais variadas, isto é, multi-dimensionais e provocadoras de vibrações únicas. As dinâmicas, a profundidade, a naturalidade e, por conseguinte, a intimidade de tais performances radiam algo de universal na minha percepção, algo que até a mais forte performance de “Metal” não consegue cumprir na mesma pura e comprometida maneira.

Vocês são diretamente influenciados pela música Clássica?
A música Clássica é importante para todos os membros da banda, sim, apesar disso, é o Inve, o nosso violinista, que gosta mais intensamente de música Clássica, nem que seja pelo facto de ser professor de violino…

Grande parte das vossas canções são inspiradas pelas vossas vidas, a vossa cultura, a natureza e aquilo que vos envolve. Acham que se vivessem noutro lugar a vossa música seria diferente?
Hm.. uma questão realmente interessante. A um certo nível diria que sim. Como em particular a música de bandas, que significaram muito para mim quando começamos a banda nos anos 90 – como Ulver, Emperor, Satyricon, Kvist –, acentuaram os poderes e os segredos da natureza como fonte central de inspiração para a imaginação deles, eu senti-me atraído e encorajado pela clara semelhança das paisagens Austríacas comparativamente com as Escandinavas. Assim sendo, sempre senti tudo isso porque estava realmente envolvido e entrelaçado pelas paisagens. Parecia-me autêntico e natural tocar música daquele tipo, uma abordagem natural ao fenómeno; mistérios e energias via expressão artística individual.
No entanto, eu penso e sinto que a minha maior inspiração reside na maneira como me apercebo do mundo individualmente, o que é algo que considero ter nascido comigo de uma maneira, e de outra por ser algo moldado pelas inúmeras experiências e circunstâncias (sociais) que a minha vida como humano singular me tornou.

Alguma vez pensaram em escrever as vossas letras em Alemão Austríaco?
A diferença entre, digamos, a língua padrão-Alemã da Alemanha e a língua padrão-Alemã da Áustria não é assim tão grande. A diferença reside basicamente no vocabulário específico. De qualquer das formas, eu realmente pensei na possibilidade de utilizar algum idioma de Tirol … mas isso tornar-se-ia em algo muito, mas mesmo muito difícil de concretizar…

Nos anos mais recentes temos testemunhado a emancipação de várias línguas nacionais (com imensos exemplos mas com o recente caso da separação das Repúblicas Checa e Eslovaca cujas línguas não põe dificuldades de mútua compreensão entre o povo destes países). No entanto, é largamente conhecido que alguém da Áustria e alguém do Norte da Alemanha, por exemplo, têm que utilizar uma terceira língua, um Alemão padrão não utilizado em casa, para que se possam compreender (com nível similar ao da comunicação entre alguém Português e Italiano, ou alguém Francês e Romeno: a raíz linguística é a mesma mas existe uma clara dificuldade intercomunicacional). O que pensam do papel da língua Austríaca? Acham que é devido à abertura da visão do mundo na cultura nacional Austríaca?
Wow, de novo uma questão muito interessante. Na verdade existem três variedades-padrão legalmente reconhecidas na língua Alemã: o Alemão Alemão, o Alemão Austríaco e o Alemão Helvético. Bem, ao pensar nisto considero que o Alemão-padrão da Alemanha é visto no mundo como a versão non plus ultra atual da língua pela simples razão que a Alemanha neste momento domina a Áustria e o cantão Alemão da Suiça em termos de economia e total populacional. E, por falar, não penso que as pessoas Austríacas sejam assim tão abertas mentalmente, mas de acordo com a minha experiência pessoal, os Austríacos tendem a ser muito teimosos – é talvez por causa disso que o Alemão Austríaco conseguiu afirmar-se por si mesmo…

Na vossa carreira musical e nas vossas tours, o que é que vos mais surpreendeu?
A forma como a expressão artística transcende fronteiras e une pessoas de todas as culturas. Na verdade isso é algo que muitos músicos e artistas dizem, mas é diferente quando alguém experiência de facto isso.

Vão regressar ao nosso país num breve futuro para promover o novo álbum?
Nós esperamos mesmo que sim! Nos 17 anos da nossa história tocamos apenas 3 vezes em Portugal… Bem, penso que um festival seria perfeito pois não acredito que iremos tocar numa tour Europeia assim tão vasta nos próximos anos.

Querem deixar alguma mensagem para os vossos fãs Portugueses?
Eu guardo em boa memória os 3 espectáculos que fizemos em Portugal, em particular pela devoção que tanto a audiência como os promotores demonstraram. E adoraria tocar de novo em Portugal. Por isso, se quiserem experienciar Dornenreich ao vivo em Portugal apenas têm de chamar a atenção dos promotores locais para a nossa banda. Fiquem bem e vemo-nos brevemente!