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Drop D [Março 2012]

Drop D é uma banda de metal, constituída por: Marina Faria (Voz), André Castro (Guitarra Eléctrica e Acústica) Bruno Falcão Lhano (Baixo), José Daniel Faria (Bateria) e Tiago Reis (Guitarra Eléctrica e Acústica). A mesma teve início em 2001, e, em 2003, lançaram o EP “Nothing with Anything”. Em 2005, surge o EP “The Black Arrow”. Em 2011, os Drop D assinam com as editoras Raising Legends e Raging Planet, e nesse mesmo ano lançam seu o primeiro álbum, “Prologue”, o qual têm estado a espalhar pelo mundo.

O vosso primeiro EP, “Nothing with Anything”, foi gravado em 2003, desde então houve uma grande evolução tecnológica. Qual é a diferença mais notável num trabalho do género, feito à 9 anos atrás, para agora?
Destacadamente, a técnica. Não que Drop D seja uma banda extremamente técnica no seu estilo, mas a tenra idade e a inexperiência com que iniciámos o projecto obrigou-nos a criar, nessa altura, algo bastante mais simples e, por sua vez, mais calmo. A experiência ganha na estrada e em estúdio, com o passar dos anos, fez-nos desenvolver um estilo mais complexo, acompanhando a nossa evolução enquanto músicos para alcançar a sonoridade pretendida, o que, de resto, provavelmente, acontecerá com qualquer projecto que surja a partir de uma banda de garagem de simples miúdos.

Em algum momento, terem na voz um membro feminino, fez-se denotar alguma diferença?
Todos os dias. Na sua generalidade, os vocalistas são aqueles que recebem sempre mais atenção por parte do público, por serem frontmans e a cara da banda. No nosso caso, a frontlady chama ainda mais a atenção de todos, pela sua postura e características vocais fora do comum. Uma denotação positiva, em todas as situações.

Assinarem contrato com a Raising Legends e Raging Planet, foi um dos vossos maiores passos?
Sem dúvida. “Prologue” estava na gaveta até as duas editoras surgirem na vida de Drop D. Constituíram o passo fulcral para que o trabalho fosse publicado, e para que esteja a ser amplamente promovido. Na minha opinião, constituem tudo aquilo que uma boa editora precisa de ser: próxima dos seus músicos, atenta e preocupada, presente, conduzindo a banda de uma excelente forma tendo sempre em conta as suas vontades, prioridades e opiniões. Posso estar enganado, mas julgo que o trabalho desenvolvido por uma major acaba por se tornar o contrário daquilo que o músico pretende: exigente (num mau sentido), autoritária, ausente, e preocupada com as massas mais do que com a banda em si. Espero, sinceramente, que ambas as editoras cresçam enquanto membros da indústria discográfica, mas que nunca percam as características tão valiosas que têm actualmente. Nunca será demais agradecer ao André Matos (RL) e ao Daniel Makosch (RP) pelo trabalho que têm desenvolvido.

Como tem sido a recepção do vosso álbum de estreia “Prologue”, caracterizado enquanto “poderoso e melódico”?
Excelente. Os Drop D ganham fãs a cada dia que passa, e espero que assim continue a acontecer, consoante o seu som chegue a um público mais alargado e distante da sua cidade-natal e áreas circundantes. A afluência crescente de espectadores mostra que, claramente, existe público para este estilo alternativo.

São um exemplo de uma banda, na qual já houve grande alteração de membros. Isso alterou algo, na sonoridade da mesma?
Obviamente, a chegada de um novo membro a um projecto, mesmo que fora do campo musical, acarreta sempre um período de adaptação, mas também a chegada de uma torrente de novas ideias. Seria complicado imaginar, hoje em dia, como seria a sonoridade de Drop D se a banda se tivesse mantido “intacta” desde o início.

Relativamente aos festivais em Portugal, qual é a vossa opinião, sobre as nossas organizadoras, relativamente à música?
Será de louvar o aparecimento de novos eventos e festivais todos os anos. No nosso caso em particular, e porque o metal é algo fora do normal circuito comercial, é óptimo ver que surgem, ano após ano, novos festivais dedicados a esta sonoridade específica. Por outro lado, é bom ver que alguns festivais generalistas continuam a reservar pelo menos um dia para os estilos mais “pesados”, e tal deveria acontecer com todos eles. Não devem nunca esquecer, que estes acabam até por ser os dias mais repletos a nível de público.

É fácil fazer algo apenas por paixão? Em tempo algum, houve a necessidade de olharem para o projecto Drop D como algo estritamente profissional?
Enquanto miúdos, a paixão é a única coisa que nos guia, aliada à falta de responsabilidades e tempo livre. Felizmente, sempre tivemos pais que nos ajudaram e incentivaram no nosso percurso. Enquanto adultos, e com o alcançar de uma nova etapa na vida, torna-se mais complicada toda essa gestão de disponibilidade e investimento, principalmente porque Portugal continua a ser um país em que se revela muito difícil viver apenas da música. Continua a ser, no entanto, a paixão pela música que nos faz lutar, e cada vez mais. Actualmente, cada membro de Drop D tem o seu trabalho e vida fora do projecto musical, e não surgiu a oportunidade e necessidade de o fazer a tempo inteiro. Obviamente, penso que será esse o desejo e vontade de qualquer banda que leve as suas intenções de uma forma séria, e DD não é excepção.

Qual é o melhor elogio que uma banda pode receber?
Como é lógico, o agradecimento do público é aquilo por que uma banda luta. Seja ao alcançarem um estado de quase-êxtase num concerto (que melhor forma de agradecimento poderia existir), até ao simples pedido de autógrafo ou mesmo o facto de nos reconhecerem fora de um evento do género. É, sem dúvida, uma óptima sensação, o reconhecimento do trabalho desenvolvido.

Enquanto banda com já uma década de palco, o público que vos acompanhava ao início mantem-se, ou vão surgindo mais caras novas?
O início de qualquer banda jovem irá incluir amigos como o seu público central. Os amigos de Drop D continuam a acompanhar a banda mediante a sua disponibilidade, mas não são eles que constituem o sucesso, pois acabarão por dizer sempre que “tudo está excelente”, não providenciando o feedback necessário. Felizmente, o passar do tempo trouxe imensas caras novas e desconhecidas até então, e um núcleo de fãs que acompanha a banda. O objectivo será sempre chegar a novas pessoas, mantendo as anteriores.

Com que banda, se consideravam completos, a fim de realizar um projecto?
Será complicado dizer. Sem dúvida, os RAMP, com quem já tocamos por duas vezes, seriam uma boa escolha, pois constituem uma fortíssima influência para nós, apesar de nunca terem alcançado o justo reconhecimento enquanto pilar do metal português, principalmente em tempos mais recentes. De facto, Rui Duarte, vocalista de RAMP, acaba por participar numa das músicas do nosso álbum de estreia. Por outro lado, é muito interessante quando se juntam estilos e visões diferentes. “D Resurrection”, do nosso longa-duração, recebe a participação do produtor electrónico Cláudio Oliveira, uma ‘aliança’ que, provavelmente, não ficará por aí. Os DD chegaram até a gravar um tema acústico com o músico de reggae Romano Rafael (Souls of Fire), ainda não publicado, o que mostra que nenhuma porta está fechada nesse tipo de projectos. Quem sabe não surge um outro dueto improvável no próximo álbum…

Consideram que houve/está a haver uma abertura de consciência, relativamente à música alternativa?
Sem dúvida. O metal tem ganho, na minha opinião, mais público em anos recentes. É necessário continuar a cultivar e fomentar o gosto por qualquer tipo de sonoridade alternativa nos mais jovens, pois a maior parte do mainstream acaba por se revelar insuficiente para agradar aos mais expeditos. Mas para além dos agentes culturais, que devem participar activamente neste processo, também isto passa pelas próprias bandas, que devem realizar um esforço por se manterem actuais e acompanharem a evolução dos tempos, sem nunca se resignarem a um tipo de música que já desapareceu há vários anos.

Quais são os vossos projectos para futuro, onde vos podemos encontrar?
Se o trabalho da Raising Legends e da Raging Planet continuar a ser desenvolvido como tem acontecido até agora, poderão encontrar-nos em muitos sítios, e em locais por onde nunca tínhamos passado anteriormente. Não me querendo repetir, e acabando por já o fazer, é vital o alcance de novos públicos. Portugal não é um país tão pequeno quanto isso, e é necessário divulgar o nosso trabalho pelo máximo de pessoas possível, tentando sempre, obviamente, chegar também aos mercados internacionais.

Para finalizar, que título teria um álbum de fotografias, desde o começo da banda, Drop D?
Provavelmente, a escolha iria recair sobre o mesmo título do álbum, “Prologue”. Isto porque apesar de a banda já ter vários anos, apenas agora começa a ter uma maior visibilidade, após o lançamento do álbum e a aliança RL/RP. Queremos que este seja apenas o início de uma longa lista crescente de álbuns de fotografias.