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Dying Fetus [Hard Club, Porto]

É raro poder assistir-se a uma tour em que a variedade e qualidade estejam presentes ao longo de todo o cartaz.

Foi isso que aconteceu na noite de 27 de novembro, na sala 2 do Hard Club, no Porto.

Quatro bandas, quatro estilos, um cartaz para a memória.

Não interessa se “Reign Supreme” é já de 2012, pois só agora os norte-americanos Dying Fetus puderam fazer a digressão merecida e trazer a mesma a Portugal.

Para isso souberam acompanhar-se de três excelentes bandas, a começar com os Fallujah, de San Francisco, que reuniram em palco cinco músicos de execução irrepreensível, como raramente se vê entre nomes de death técnico.

Com dois álbuns na bagagem e apenas 25 minutos para atuar, o quinteto abriu com um tema do Ep “Nomadic” de 2013, passando depois ao trabalho de 2011 (com “Cerebral Hybridization“) e só ao terceiro tema, “Carved From Stone”, se focarem em “The Flesh Prevails” deste ano.

Com mais um tema para cada álbum, – “Ritual of Godflesh” seguido de “Sapphire” – o grupo fechou a atuação, ficando, entre o público que chegava à sala, a vontade de ver mais.

Alguém que os traga de novo, obrigado!


Menos conhecidos e única banda europeia no cartaz os britânicos Malevolence, ofereceram um som pesado e groovy, baseado no seu trabalho de estreia “Reign of Suffering”, de 2013, que tocaram quase completo.

Talvez o nome mais deslocado no cartaz, mesmo assim deu um concerto interessante que deixou a curiosidade de ver o quinteto com outras companhias, capazes de chamar outro público, mais metalcore, por exemplo, porventura mais apreciador do som crossover praticado. Entretanto é de seguir a carreira destes senhores vindos de Sheffield.

Ponto negativo para uma estranha sensação, de que durante toda a atuação o vocalista Alex tentava apelar a uma wall of death, que nunca se formava por força de um moshpit constante.


O black death dos Goatwhore brilhou particularmente através do seu vocalista L. Ben Falgoust II, um excelente frontman que soube cativar a audiência e manter a energia ao longo de temas como “An End to Nothing” ou “Apocalypse Havoc”, por vezes com temas rápidos, mas com o ponto mais alto do concerto na dupla “Alchemy of the Black Sun Cult” e “Nocturnal Conjuration of the Accurse”, dois temas que conjuraram o melhor de Goatwhore.

Uma excelente estreia, por cá, desta banda da Louisiana já com uma carreira longa, mas que ainda persistia sem nos visitar.

A uma dada altura, já eram mais os elementos do público em palco que membros da banda, sinal da adesão à banda e à energia debitada em palco, naquele que foi o concerto mais interessante da noite.


Com sets não muito longos, e bandas de qualidade, foi fácil chegar a Dying Fetus ainda com energia e vontade de aguentar um set de brutal death.

Era por Dying Fetus que muitos estavam lá e o trio soube merecer isso.

Se o estilo levou a pouca mobilidade em palco, já o mesmo não se verificou na energia com que os temas foram atacados no palco ou da agitação do moshpit que em dados momentos, como “Intentional Manslaugter” ou “Second Skin”, chegava a ocupar metade da sala, levando o resto do público quase até à porta.

O set oficial foi encerrado com “Praise the Lord”, mas no encore a banda de John Gallagher entregou ainda “Pissing in the Mainstream”, a clássica “Kill Your Mother, Rape Your Dog” e “Your Treachery Will Die With You”.