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Ensiferum [Hard Club, Porto]

No mês em que o último dia se destina a uma festa peculiar como a das bruxas, a verdadeira comemoração antecipou-se com o regresso dos gaudiosos Ensiferum nos passados dias 19 e 20 de Outubro, ao Paradise Garage (Lisboa) e Hard Club (Porto), respectivamente, para a apresentação do novo álbum “One Man Army”.
No que toca à cidade Invicta, a magia finlandesa uniu-se à genuinidade portuense, tendo resultado numa noite de plena celebração.


Um império de ferro

Chegados de Torres Novas, coube aos Cruz de Ferro fazer as honras e aquecer a sala 2 do Hard Club, que já se encontrava algo composta.
Na bagagem, trouxeram o EP “Guerreiros do Metal”, boa disposição e uma determinação tenaz. O que ecoou do palco foi um puro heavy metal, cantado em português, o qual foi objecto a evidenciar, “Cantamos em português com muito orgulho”, após a faixa “Glória ao Rey”.
Fez-se ouvir “5º Império”, tema de avanço do novo trabalho, mas o que se foi construindo foi, de facto, um império de Ferro.
Para quem ainda não estivesse conquistado, rapidamente se renderia à banda quando Ricardo Pombo, vocalista e guitarrista, nos contou um segredo: “Eu vou-vos contar um segredo, eu adoro o Porto!”.
Foi com este sentimento e sincero agradecimento pelo apoio que conduziram toda a sua actuação.
A cumplicidade entre o quarteto e o público fez-se notar, particularmente, na primeira música do EP, “Defensores”.
E quem são eles? Todos os que têm defendido o metal, referiu o vocalista.
Houve também espaço para a apresentação de um novo tema de avanço do futuro álbum “Morreremos de pé”, a ser lançado em dezembro: “A Lúcifer”. Com “Guerreiros do metal” terminaram a actuação e cumpriram a missão!


Norte por norte, “In Ensiferum We Trust”

Do portento pedaço de terra que é a Finlândia até nós, estava próxima a hora dos Ensiferum fazerem valer a viagem e marcarem este seu regresso de forma exemplar.
Sala bem composta, ansiedade pelo começo do verdadeiro gáudio.
Alguns minutos de espera e a marcha fez-se elevar (“March of War”), anunciando a subida dos finlandeses ao palco, com a característica indumentária e pintura.
Seguiram-se “Axe of Judgemente” e “Heathen Horde”, num aviso de que a “tempestade” estava, realmente, perto, e com ela mais alguns temas deste novo trabalho, como “Two Of Spades”, “My ancestor’s blood” ou “Warrior without a war”.
Porém, foi com “From Afar” que o ambiente se foi intensificando e Petri aproveitou para fazer um pedido mais do que razoável, tendo em conta a música de quem falamos, “I wanna see this mosh pit going really really f*cking wild!”: pedido atendido e continuado com a revisitação a temas do primeiro álbum, como “Battle Song” ou “Token of Time”, sem esquecer uma “Lai Lai Hei” que elevou igualmente os ânimos, e o calor humanos, na sala 2.
No entanto, um dos momentos altos da noite estava para chegar com os sombreros (pretos e vermelhos) trazidos para cada dos elementos da banda, e, “atenção, atenção, aviso à população”, como diria Adolfo Luxúria Canibal, estávamos prestes a presenciar a autêntica festa com “Bamboleo” – cover dos Gipsy Kings – na melhor versão: a versão metal, destes donos das espadas.
Definitivamente, Petri, Markus, Sami, Netta e Janne sabem como transformar algo bom em melhor; divertido e pedagógico: para além do movimento criado, mostraram ao público como bater as palmas da forma correcta para acompanhar este hino dançante.
Sami liderou o público do lado direito, Markus o do lado esquerdo, alternando até se ouvir em uníssono. Ode ao ritmo!
A competência musical dos Ensiferum é evidente, pelo que é importante salientar, sim, a elevada proximidade e constante interacção que criaram com o público, particularmente Sami, sempre bastante atento e activo, e Markus, embora com um olhar mais observador.
Ao lado, Petri e Janne partilhavam o mesmo entusiasmo, e Netta Skog sempre sorridente.
Como se costuma dizer, o melhor deve guardar-se para o fim, e assim foi, após o encore, os Ensiferum voltaram com a sua espada: “In My Sword I trust”, fazendo emergir novamente uma só voz, que se manteve até chegarmos ao local de enlevo natural: “… there’s only one special place we like to invite you… only one mission: to party hard. So come with us and celebrate in our Twilight Tavern”.
Mas foi com “Iron” que encerraram este belíssimo concerto, onde houve mais uma evocação durante a música, a pedido de Petri: “Ta ta da da ta ta da da”. Markus terminou de modo perfeito, com a guitarra no ombro, de costas, produzindo uma respeitável linha de notas, tão nítida quanto a satisfação do público, esta última sob a forma de firmes aplausos.
Dominam a espada, dominaram o palco. “In Ensiferum We Trust!”.


Texto: Cristina Costa
Fotografias: João Fitas
Agradecimentos: Prime Artists