free website stats program

Epica [Julho 2014]

Os EPICA são uma referência incontornável no seu nicho musical no âmbito do Metal. Quando Mark Jansen abandonou os After Forever e formou os Epica, estavam lançadas as raízes para a ascensão de uma nova banda de culto dentro do género. A voz etérea e cristalina de Simone contrastando com o gutural de Mark criaram uma simbiose perfeita onde os opostos constantemente se atraem e colidem em harmoniosa comunhão.

Depois do lançamento de The Quantum Enigma, em maio, pela Nuclear Blast, a banda encontra-se em digressão promovendo um álbum que encantou os fãs e mereceu merecido louvor pelos críticos musicais.

No início de Agosto, os fãs portugueses terão oportunidade de os ver ao vivo no Vagos Open Air, mas antes disso a Rock n’Heavy esteve à conversa com Mark Jansen em antevisão dessa vinda a Portugal.

Olá Mark, muito obrigado por esta entrevista. A última vez que a Rock n’Heavy teve o prazer de conversar com Epica foi em Janeiro de 2012 e estavam prestes a lançar o “Requiem for the Indifferent”. Nessa altura tivemos uma agradável conversa com o vosso ex-baixista, Yves Huts. Desde então muita coisa mudou e, nomeadamente, a Simone tem agora um filho, Vincent. Como tem sido para os Epica lidar com estas mudanças naturais no decorrer da vida e como é que estas influenciaram o novo disco e a banda como um todo?
Olá, de nada! De facto, muitas coisas mudaram. O Yves esteve na banda quase uma década e estamos muito gratos por isso. Quando alguém decide retirar-se para se concentrar num novo projeto há que respeitar essa decisão. Vemo-lo de tempos a tempos em concertos e será sempre um membro da família Epica.

A Simone teve o Vincent e a mulher do Coen teve o segundo filho, chamado Pepijn. Esses desenvolvimentos vão certamente ter alguma influência nos nossos planos para digressões, mas felizmente ambos ainda querem continuar a realizá-las, por isso vamos arranjar maneira para que tudo continue a funcionar. Há sempre uma solução quando se quer realmente algo.

As sessões de gravação do TQE correram bastante bem. Redescobrimos a importância de trabalharmos juntos, como uma equipa. Durante a última década a Internet trouxe-nos muitas vantagens e tornou mais fácil a troca de ficheiros (musicais) entre a banda, mas isso leva-nos a sentir falta de algum contacto pessoal. Desta vez juntámo-nos e ensaiamos todas as músicas como uma banda, trabalhamos nessas músicas como uma banda e gravámo-las como uma banda. Tudo isto com um novo produtor: Joost van den Broek; fez um trabalho magnífico e trouxe nova energia à banda. Também trabalhamos com um novo engenheiro de som, o Jocob Hansen, que acrescentou à mistura alguns elementos refrescantes. As guitarras estão mais pesadas do que alguma vez estiveram!

Não enfrentamos muitas dificuldades à exceção de alguma pressão de tempo no final e um dia extra para gravação de cordas (por causa da enorme quantidade de trabalho), mas todos os problemas foram resolvidos, por isso podemos dizer que estivemos perante uma sessão de gravação bastante agradável.

Se pudesses dar um “Quantum Leap” e avançar no tempo para o futuro, como imaginarias os Epica em, por exemplo, 2022, celebrando o vosso vigésimo aniversário como banda?
Não sou um grande sonhador, por isso essas perguntas são as mais difíceis para mim. Vivo um dia de cada vez e não penso muito no futuro. Mas espero verdadeiramente que os Epica ainda estejam por cá, e, se tal acontecer, seria fantástico estarmos, por essa altura, a encabeçar alguns dos grandes festivais de verão europeus com grandes e magníficos espetáculos.

O “The Quantum Enigma” entrou de forma brilhante nos tops musicais por todo o mundo, nomeadamente na Holanda, Alemanha, Finlândia e Suíça, e foi muito elogiado pelos críticos musicais. Estavam à espera de um triunfo desta magnitude? Sabemos que todos os membros da banda trabalharam arduamente neste álbum, designadamente o vosso novo baixista, Rob van der Loo. O que nos podes contar sobre o novo disco e a sua relação (evolução) com os anteriores?
Não estávamos à espera de críticas tão boas, mas tínhamos essa esperança. Quando estamos à espera de certas coisas podemos ficar muito desapontados, caso elas não se realizem.

Quando se aguarda pelas críticas sem quaisquer expectativas pode haver surpresas agradáveis e foi isso que nos aconteceu. Mudamos um número significativo de coisas em comparação com os últimos cinco discos. Esses foram todos gravados e produzidos pelo Sascha Paeth, e apesar de estarmos muito satisfeitos com o seu trabalho, desta vez pareceu certo trabalharmos com o Joost van den Broek, de forma a experimentarmos algumas coisas novas e refrescarmo-nos. Tirou-nos da nossa zona de conforto e obrigou-nos a trabalhar arduamente. Também trabalhamos muito nas músicas uns dos outros, como uma banda, e a mistura também esteve a cargo de uma pessoa nova, por isso, de uma forma geral, foram mudanças suficientes. A única coisa que nunca mudaremos é a base dos Epica. Os Epica vão precisar sempre de ter os ingredientes típicos e dentro desse conceito há muito espaço para experimentar e diversificar.

A Teoria Quântica diz-nos que todas as coisas que num dado momento interagiram entre si estarão para sempre “interligadas”. Gostavas de comentar esta ideia sob uma perspetiva pessoal, mas também relacionando-a com o vosso novo álbum e como a relação de uma banda com a sua música e os seus fãs pode (ou não) reproduzir este conceito?
O entrelaçamento é um assunto muito interessante da Física Quântica. A partir do momento em que alguma coisa se encontre entrelaçada com outra, podemos separá-las e enviar uma dessas partes para o outro lado do universo, que elas ainda assim estarão ligadas. Isto significa que quando influenciamos uma dessas coisas a outra reagirá instantaneamente. Sem um único milissegundo de atraso, instantaneamente!

Como já disse, os Epica são como uma grande família. Quando se é membro dos Epica, permanece-se para sempre como membro da família e ligado à banda. Visto assim assemelha-se um pouco ao princípio do entrelaçamento!

Os Epica têm uma relação próxima com Portugal e a banda nunca perde uma oportunidade de tocar no nosso soalheiro país. Estiveram presentes, em 2009, na primeira edição do festival Vagos Open Air. Ainda guardam memórias sobre esse dia de verão e como é que se vão sentir quando voltarem a subir ao palco no VOA?
Lembro-me exatamente do local, como era e que os The Gathering também iam tocar.

Também me lembro que algumas raparigas estavam nas grades a gritar por nós. Mas ,pelo que ouvi, o festival realiza-se agora num novo local, por isso não será igual. Aguardo com grandes expectativas voltar a tocar no VOA. Os fãs portugueses receberam-nos sempre de braços abertos e com muita energia, vai ser mais uma grande festa!

Vão tocar no VOA, a 8 de Agosto, ao lado de outras bandas da Nuclear Blast como os Kreator, Soilwork e Sylosis. Olhando para o cartaz do festival, e do teu ponto de vista pessoal, como perspetivas a reunião de todas estas bandas num só festival e achas que serão capazes de proporcionar um concerto épico?
Gosto de variedade. Quanto mais variedade houver num festival melhor. Das bandas que mencionaste a que gosto mais são os Soilwork, e, se o concerto deles se encaixar com o nosso horário, irei certamente vê-lo.

Os Kandia e os Gates of Hell são as bandas portuguesas que irão abrir o VOA. Nomeadamente, os Kandia têm uma maior similaridade com a vossa identidade musical. O que sabes sobre a cena metal portuguesa?
Conheço obviamente os Moonspell, são umas das bandas que ouvia quando era mais novo. Conheço os Gates of Hell de nome e dos Kandia nunca ouvi falar, mas estou sempre aberto a nova música e parecem-me interessantes.

Estive a dar uma vista de olhos ao vosso calendário para 2014 e parece verdadeiramente duro; datas na europa, um voo para o Canadá imediatamente após o VOA, voltam à Europa para o Pukkelpop e o Motocultor, depois partem para a América do Sul e regressam à Europa. Como é que uma banda como os Epica lida com todas estas viagens de forma a, no final, conseguirem sempre proporcionar um grande espetáculo?
Tentamos sempre dar um grande espetáculo, já demos mais de mil concertos com os Epica por todo o mundo e nem todos foram tão bons como os nossos melhores concertos, mas tentamos dar sempre 100% com toda a paixão e, se por alguma razão fora do nosso controlo o concerto não corre como planeado, não temos de nos culpar. Os fãs apreciam imenso que sob quaisquer circunstâncias a banda consigo dar espetáculo e a passar um bom bocado, e é isso que defendemos. Felizmente a maior parte das vezes tudo corre bem e os concertos são ainda melhores. É verdade que viajamos imenso, mas usamos o nosso tempo sensatamente, por exemplo, estou a responder a esta entrevista enquanto estou numa viagem de avião.

Quais são as principais diferenças entre encabeçarem uma digressão e tocarem num festival? De qual é que gostas mais (e porquê), uma vez que ambos têm os seus pontos positivos e negativos?

R. As principais diferenças são:

1- As digressões onde somos cabeças de cartaz dão-nos a oportunidade de fazer soundcheck. A maior parte dos festivais só nos deixa verificar os cabos. (linecheck);

2- Em festivais há muitas mais pessoas para conquistar com a nossa música, visto haver sempre pessoas às quais a nossa música é desconhecida. As digressões onde somos cabeça de cartaz são normalmente concertos que tocamos em frente dos nossos fãs;

3- Os festivais dão-nos a oportunidade de encontrar os nossos amigos de outras bandas;

4- Por norma, os festivais pagam mais;

5- Os festivais podem ser extremamente quentes ou frios. Em salas de espetáculos a temperatura é mais ou menos sempre a mesma;

6- Quanto mais tarde se toca num festival mais bêbeda está uma parte do público. Em casas de espetáculos é raro ver pessoas assim tão bêbedas. 😉

Gosto de festivais e concertos pois ambos tem pontos positivos e negativos. E como gosto de variedade, sabe bem voltar a tocar em festivais depois de muitos concertos, e vice-versa.

Até agora lançaram dois lyric videos: “Unchained Utopia” e “the Essence of Silence”. Pareceram bastante agradados com o primeiro, mas quando é que vamos poder ver um verdadeiro vídeo e qual será a música escolhida e por que razão?
Estamos neste momento na fase final da escolha da música para o nosso videoclipe. Tudo o que podemos avançar neste momento é que será uma música pesada.

Depois de todas as entrevistas sobre os Epica e o novo álbum, que pergunta nunca foi feita? Gostavas de responder?
Há mais de um milhão de perguntas que nunca foram feitas. 😉 Mas uma delas seria: O que fazes quando não estás em digressão?
Tento passar o maior tempo possível com a família, a namorada e os cães, quando estou em casa. Além disso adoro andar de bicicleta. É a minha maneira de desanuviar e ficar em forma para as digressões. Quando me sinto inspirado gravo música nova ou pratico guitarra.

Por último, gostarias de deixar uma mensagem aos vossos fãs portugueses?
Obrigado pelo apoio e vejo-vos a todos no VOA! Mal podemos esperar e contamos que vocês também não.