free website stats program

Falconer – Armod

ARMOD” é o sétimo álbum da banda sueca de Power Metal, FALCONER, e em comparação com os trabalhos anteriores faz uma investida muito mais assertiva na direcção do Viking Metal, ao convocar uma sonoridade mais Folk e Medieval, facto que resulta numa composição musical bem mais apelativa e inebriante, colocando-os algures entre Finntroll e os aclamados Eluveitie.

No que diz respeito ao trabalho de produção, a qualidade é evidente, sendo que a gravação teve lugar nos Sonic Train Studios, em Varberg, entre Dezembro e Janeiro, e ficou a cargo de Andy LaRocque.
“Armod”, “Pobreza” em sueco, leva-nos numa viagem fantástica pelos fiordes medievais de Midgard. De notar que sete das onze faixas do álbum foram compostas pelo guitarrista Stefan Weinerhall, três são adaptações de canções Folk tradicionais e que uma nasce da veia poética do insigne trovador sueco, Cornelis Vreeswijk.’
‘Svarta Änkan” é um início poderoso para “Armod” e, para muitos, esta será a faixa de eleição do álbum. Liricamente sombria, ”Svarta Änkan” (“A Viúva Negra”), aborda o tema da morte com um misto de poder e doçura que rapidamente nos contagia. Os ritmos sincopados do tema resultam de uma simbiose quase perfeita entre as guitarras lancinantes e a voz teatral de Mathias Blad. De realçar o momento central da faixa, quando se juntam elementos acústicos coadjuvados por um magnífico solo de guitarra. De facto, tanto a percussão como as cordas dão uma nota de excelência ao intróito de “Armod”.
”Dimmornas Drottning” (“Rainha do Nevoeiro”) – “Vê como ela dança com as fadas nos bosques e prados (…) ela é a rainha de nevoeiro” – a letra e a música remetem para ambientes feéricos, sendo que em termos musicais assistimos a uma bela performance ao nível das cordas. ”Griftefrid” começa com corais em primeiro plano, mas rapidamente entra em máxima rotação com as guitarras a debitarem riffs poderosos e a percussão a acelerar nas BPM (batidas por minuto) para criarem em conjunto uma sonoridade épica que lembra Amon Amarth. ”Griftefrid” marca também, uma aproximação dos FALCONER aos meandros mais extremos da cena Heavy.
Abandonamos a energia de ”Griftefrid” e transitamos para o ritmo lento e delicodoce da balada ”O, Tysta Ensamhet” e realmente é para os meandros nefelibatas da ataraxia que os FALCONER nos transportam durante este tema predominantemente acústico e Folk, onde Blad demonstra os seus dotes de menestrel. “Vid Rosornas Grav” (vídeo já disponível online) evoca um tema recorrente no universo lírico da banda: a sacralidade e a natureza delicada da morte, algo que está inteiramente de acordo com o imaginário Viking, uma vez que esta cultura valorizava e festejava a morte enquanto transição para o Nilfheim. O tema desenvolve-se sempre em alta rotação com predomínio dos instrumentos eléctricos, solos bem esgalhados, uma percussão orgânica e motivos Folk cativantes. O tema seguinte “Grimborg” amplifica a dinâmica gerada anteriormente e reveste-se de contornos épicos.
“Herr Peder Och Hans Syster” abre com uma bela linha do baixo de Magnus Linhardt. Se Blad não é um vocalista excepcional para uma banda como FALCONER, no entanto, em momentos como este a sua voz é o motor que mobiliza o tema. Uma nota também para o trabalho da secção rítmica e, particularmente, do baixo ao longo de toda a faixa. O violino histriónico da instrumental “Eklundapolskan” é verdadeiramente delicioso para o ouvido, desempenhando e amplificando na perfeição o papel destinado, anteriormente, ao vocalista. Note-se como a expressividade dramática do instrumento é inebriante e convida o corpo para o desvario cinético ao bom estilo jogralesco.
Na balada “Grimasch Om Morgonen”, a banda continua a movimentar-se no hemisfério Folk.
“Fru Silfver” é uma festividade Folk com Power à mistura. À simplicidade singela da flauta sucedem os riffs poderosos das guitarras e o peso da percussão, sem faltar o solo da praxe.
A última faixa original, “Gammal Fäbodpsalm” é um instrumental melancólico e muito semelhante a um requiem Doom, com o órgão funéreo a pautar o intróito e o epílogo, entrecortado por riffs pesados, lentos, lúgubres e crepusculares.
“Armod” cativa pelo seu ecletismo e mostra-nos que a banda está empenhada em explorar diversas dimensões do espectro musical. Um pendor mais heavy torna o álbum mais apelativo e a opção pelo sueco é uma aposta ganha, na medida em que traz algo novo à componente lírica do som dos FALCONER. Este é um álbum que agradará certamente aos fãs da banda e que não deixará de ser bem recebido fora dos círculos habituais, nomeadamente, por amantes de sonoridades mais Folk.

Texto por Rui Carneiro