free website stats program

Fall Out Boy – American Beauty/American Psycho

Os Fall Out Boy nunca poderão ser acusados de “dormir” às custas dos seus feitos passados, bem como de terem medo de desafiar os seus limites; de precursores do Skater Punk e Post-Hardcore, passaram a ícones do Pop Punk e, quando isso já não lhes chegava, editaram o melhor álbum da sua carreira (Folie à Deux, de 2008), que já expandia a sua sonoridade, antes de entrarem em hiato.

Ao voltarem, com a morte anunciada do seu género de sempre, os americanos não tiveram mais uma vez receio de se re-inventarem e foram em busca de um som alimentado a sintetizadores, mais próximos de Electro-Rock que de Punk, resultando em Save Rock & Roll, álbum sólido, mas ainda com algumas arestas por limar.

Agora, com American Beauty/American Psycho (AB/AP), voltam a trilhar esse caminho, mas com um novo amor descoberto: os samples. Mais característicos do Hip-Hop que do Rock, são usados pela banda como fundações à volta das quais a música assenta, seja pelo Surf Rock gingão da excelente “Uma Thurman”, pelo piscar de olho a “Bad Romance” de Lady Gaga na viciante “Novocaine” ou pelo riff de sabor oriental da brilhante “Immortals” (do filme de animação Big Hero 6), nota-se que os Fall Out Boy conseguiram integrar bem esta nova paixão no seu som, levando a uma expansão bem-vinda do mesmo.

Além disso, uma das preocupações em Save Rock & Roll foi a aparente perda de fôlego nas letras, que passaram do sarcasmo bem-disposto dos álbuns anteriores para megalomania Rock genérica, pelo que é agradável ver o retorno de forma de Pete Wentz na escrita, embora quem esteja à espera de mais acidez adolescente sairá desapontado, pois as letras do baixista estão mais maduras, mantendo a megalomania, mas acrescentando-lhe referências incisivas, seja logo na inicial “Irresistible” ou pelo aceno a “Paradise City”, dos Guns N’ Roses na final “Twin Skeleton’s (Hotel In NYC)”, faixa mais brilhante de todo o álbum e excelente conclusão do mesmo, com uma performance vocal de Patrick Stump de louvar.

O cantor está também em destaque, pela sua evolução em termos de versatilidade e de alma que põe nas palavras de Wentz, trazendo-as à vida com um poder e uma garra que nos levam a questionar se os Fall Out Boy não foram desde sempre feitos para tocar em arenas por todo o mundo.

No entanto, tal como o seu predecessor, AB/AP apresenta algumas fragilidades, observáveis na festiva faixa-título e na colegial “The Kids Aren’t Alright”, banais na sua abordagem aos sintetizadores, ou em “Jet Pack Blues”, que embora tenha uma prestação de Stump impecável na emoção que emprega à música, ela não tem muito mais para dar além disso.

Desta forma, verifica-se que a evolução dos Fall Out Boy continua, com um CD que, embora não seja perfeito, mostra como a banda se tem vindo a encontrar nesta sua nova persona até culminar em momentos que são da música mais interessante que se faz no universo mainstream actualmente.