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Fall Out Boy – Save Rock And Roll

Os Fall Out Boy são um daqueles casos raros de uma banda talentosa que só não reúne o consenso da crítica e não tem mais fãs porque “não quer”. Ou seja, eles têm capacidades e potencial e criaram grande álbuns dentro do seu género habitual, só que aqui está o grande problema: o seu género habitual é o pop punk.

Assim sendo, eles foram uma banda que, independentemente do que fizessem, nunca reuniam consenso, pois as suas canções apelativas e descontraídas eram traduzidas como “imaturas” e “acessíveis de mais”, acabando por lhes prejudicar as críticas e a base de fãs em geral.

Para este seu regresso, a banda parece ter pensado algo como “bem, nunca vão gostar de nós de qualquer forma, por isso vamos fazer algo diferente, sem querer saber das opiniões”, saindo daí este Save Rock & Roll.

Isto parece uma hipótese plausível pois a banda decidiu afastar-se do seu terreno habitual do pop punk inconsequente e dirigir-se ao terreno novo (embora já bastante explorado) da pop electrónica alimentada a guitarras.

Parece uma mudança demasiado brusca? De todo, visto que a banda sempre “teve olho” para fazer canções de efeito rápido e contagiantes, acabando por aplicar aqui a mesma fórmula, mudando apenas a sonoridade.

Ainda assim, o single “My Songs Know What You Did In The Dark” é das faixas mais rockeiras do cd, com grande predominância de guitarras, mesmo já tendo uma sonoridade mais electrónica e épica, que vai ser regra habitual no álbum restante; o que é certo é que é das faixas mais fortes que já se ouviram dos Fall Out Boy, mesmo com a mudança de som.

Em “The Phoenix”, faixa de abertura, no entanto, a camada de rock aparece quase inteiramente removida, deixando apenas uma faixa de traços épicos, mas que não fica na memória, como na balada movida a sintetizadores e “pop doce” “Alone Together”, mostrando que o talento da banda fica reservado às músicas mais enérgicas.

Apesar do início a meio gás, quem conseguir resistir vai encontrar “Where Did the Party Go”, com a sua linha de baixo gingona e contagiante a dar o mote para uma música de discoteca, mas ainda assim a mostrar os Fall Out Boy a mostrarem que sabem pegar num riff pegajoso e torná-lo numa grande música, por muito inconsequente que seja.

A partir daqui, é quase sempre a melhorar, com a seguinte “Just One Yesterday” a ser a excepção, numa pseudo-balada que é mais do que apenas semelhante a “Rolling in the Deep”, o mega-sucesso de Adele que tem ecos frequentes nesta música; no entanto, a grande faixa que é a próxima “The Mighty Fall”, com a sua mistura de rock inflamado e de hip-hop agressivo apaga tudo o que há de mau no cd da nossa memória, ficando apenas os melhores 3 minutos e meio do cd.

Segue-se mais uma balada alimentada a sintetizadores, “Miss Missing You”, que, embora não tenha a substância necessária para fazer dela um sucesso, é bastante suportável, sobretudo pelo refrão orelhudo (como de costume) e fácil de cantarolar.

O rock volta a estar em voga com a enérgica “Death Valley”, talvez o mais próximo dos Fall Out Boy habituais, numa mistura entre riffs poderosos, vocais desgarrados e pop q.b., em mais um óptimo momento do cd (comparável à também excelente “Rat a Tat”, com participação de Courtney Love num momento punk e repleto de uma crueza e agressividade refrescantes, empregues pela vocalista das Hole).

Restam a balada “Save Rock & Roll”, com Elton John, que nem parece uma música digna deste gigante, sendo apenas uma música calma e ínsipida que nada acrescenta ao cd e “Young Volcanoes”, momento leve (podia estar a ser cantado por Jason Mraz) mas agradável, embora também não perdure na memória.

Assim, o regresso dos Fall Out Boy é sem dúvida algo diferente e, mesmo sem salvarem o rock & roll (de forma alguma), têm aqui um cd sólido de electrónica com bons momentos de guitarradas “à antiga”, embora tenham também a sua quota-parte de “tiros no escuro”, sem grande interesse.

Análise de Jorge Martins