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Flyleaf – Between the Stars

Chegou-se a temer pelo futuro dos Flyleaf quando, em 2012, pouco tempo antes do lançamento de New Horizons, a vocalista Lacey Sturm decidiu abandonar a banda e, embora o álbum tenha sido bem recebido, seguiram-se alguns tempos de insegurança, só encerrados quando Kristen May foi recrutada para encabeçar a formação americana.

Esta decisão dividiu os fãs da banda (a voz “arranhada” de May contrasta com o timbre e berros Nu Metal de Sturm), que até hoje ainda não chegou a um consenso na hora de ver a nova frontwoman dar voz às músicas antigas; no entanto, no novo Between the Stars, as músicas foram construídas de raiz por e para May, levando não só a uma mudança radical de direcção para os Flyleaf como um reforço de confiança nas capacidades da cantora.

Se até este álbum os americanos sempre se tinham movimentado numa linha ténue entre o Pop Rock e o Nu Metal, apoiados por músicas pesadas e uma voz poderosa que não tinha receio de gritar quando necessário, no novo cd a banda “dá asas” ao seu lado mais “adocicado” e faz um álbum definitivamente Pop, que os põe ao lado de nomes como Paramore.

Esta decisão, embora se adivinhe polémica, é a mais sensata, considerando as capacidades vocais de May, que atinge o topo da forma em momentos mais lentos, quase baladas, em vez de clímaxes agressivos como Sturm (o que não deixa de trazer saudades), como se pode ver em faixas como “Sober Serenade” (apoiada numa guitarra emotiva) ou na excelente “Marionette”.

No entanto, esta mudança de sonoridade e “suavização” dos Flyleaf não implica um decréscimo de qualidade, sendo que Between the Stars é um registo bastante coeso e bem conseguido, embora se insira num universo totalmente diferente do habitual para a banda, dando-lhe assim uma maior diversidade ao vivo (onde faixas como a já rodada “Set Me On Fire” ou a viciante “Platonic” prometem impor respeito).

A aproximação à banda de Hayley Williams é mais evidente curiosamente nas faixas mais fracas do cd, em que se incluem as banais “Traitor” e “Thread”, que, sem serem propriamente fracas, não causam impacto devido a um ADN demasiado familiar nas melodias.

Apesar disto, ainda se encontram momentos que soam aos Flyleaf de “outra vida”, seja pelo riff demolidor de baixo a abrir “Magnetic” ou pelo aumento de volume e distorção na fantástica “Well of Lies”, momento mais pesado e um dos melhores de Between the Stars, quase a “saber” a Nu Metal.

Infelizmente, o álbum tem uma recta final desapontante, depois de uma sublime “City Kids” onde May deslumbra (e há berros que provocam nostalgia), somos entregues a uma medíocre “Blue Roses” e uma banal “Home” que encerram o cd sem brio, como um registo de uma qualquer banda Pop Punk, o que é pena.

No entanto, se olharmos para Between the Stars globalmente, pode não ser brilhante, mas é sólido e, mais importante, mostra a competência de May à frente de uma banda que não procura re-inventar-se, antes evoluir e explorar novas sonoridades.