free website stats program

Foals – What Went Down

Os Foals, desde o seu lançamento de 2010 Total Life Forever, tornaram-se numa das bandas mais queridas pela crítica e cultivaram uma legião de fãs adoradores dos seus hinos agridoces e muitas vezes inofensivos que são o porta-estandarte da música Indie britânica desde meados da década passada.

No entanto, embora tenham alguns êxitos dignos desse nome, os músicos de Oxford tiveram sempre um problema vital nos seus lançamentos: o talento dos músicos liderados por Yannis Philippakis estava lá, mas a garra e a energia porque sempre foram elogiados ao vivo perdia-se algures no estúdio, tornando os Foals numa banda morna, introspectiva e, segundo a imprensa, avant-garde, mas, na verdade, aborrecida e monótona em CD.

Ao quarto disco, o conjunto britânico parece ter-se apercebido desse facto e ‘ligou a tomada’ em What Went Down, privilegiando muito a distorção que sempre tinha estado presente (muito) em segundo plano e, sem perder a emoção na sua sonoridade, re-inventou-se com fúria e peso que nada ficam a dever ao Punk em certos momentos do álbum; em resumo, fizeram o que os Mumford and Sons tentaram e falharam redondamente: adoptaram uma postura mais electrificada e não se tornaram apenas em mais uma banda genérica para dar banda-sonora àquela série de televisão das tardes preguiçosas.

Logo a abrir o CD, a faixa-título permite perceber que estes não são os mesmos Foals que conhecíamos, com Philippakis a berrar a plens pulmões “When I see a man, I see a liar/You’re the apple of my eyes” numa demonstração de energia e vitalidade impressionante, colocando o pé no acelerador logo na primeira música para raramente abrandar a partir daí.

Para quem pensava que essa explosão seria coisa única, a banda guardou a viciante “Mountain at My Gates” com os seus riffs extraordinários e progressão gradual até ao clímax final extremamente gratificante, bem como a sublime “Albatross”, repleta de energia e intensidade sem nunca descurar no seu apelo Pop que a tornam no melhor momento do álbum.

No entanto, é também um prazer verificar que quando os Foals regressam à sua pele original, mais íntima e contida, os resultados continuam a ser impressionantes e jogam bem com a tempestade que são os temas mais pesados, permitindo recuperar o fôlego sem quebrar o ritmo do álbum enquanto todo, como se pode ver nas dançáveis “Birch Tree” ou “Lonely Hunter” que prometem ser novos êxitos ao vivo, mas sobretudo na fantástica balada “London Thunder” que mostra o grupo num registo minimalista de forma arrepiante e agridoce.

Em todo o álbum, apenas a final “A Knife in the Ocean” desaponta, arrastando-se demasiado num registo monótono antes da sua explosão final que, embora prenda o interesse, vem atrasada e numa altura em que o ritmo brando anterior já arrefeceu os ânimos em demasia, sendo pecaminoso terminar um CD de outra forma sem falhas com um momento como este, que ilustra os defeitos dos Foals nas encarnações anteriores.

Ainda assim, What Went Down mostra os britânicos completamente re-inventados e a agarrarem esta nova pele de energia e vivacidade de uma forma que promete tornar os seus concertos ainda mais incendiários e finalmente catapultar o seu nome para os astros da cena musical. Para trás, fica um dos melhores CD’s do século XXI.