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Foo Fighters – Sonic Highways

Dave Grohl é um homem conhecido por não parar quieto: desde o último cd dos Foo Fighters, em 2011 colaborou com os Queens of the Stone Age, realizou um documentário e ainda teve tempo para “reunir” os Nirvana sob a alçada de Sir Paul McCartney.

Além disso, é também um músico conhecido pelo seu gosto pela inovação, ou melhor, da inovação possível quando se tem uma das maiores bandas de rock do mundo com uma identidade já bem definida; foi por isso que Wasting Light foi gravado na sua casa e analogicamente, apesar de soar à “maior banda de garagem” de sempre e In Your Honor foi editado como cd duplo, para mostrar ambos os lados mais agressivo e sentimental dos Foo Fighters.

Seguindo a mesma tendência, Sonic Highways foi gravado em 8 cidades diferentes dos EUA, uma por música (e com documentário a acompanhar), de forma a permitir à banda absorver a cultura musical e as influências de cada local no seu processo de composição, havendo ainda uma lista de convidados ilustres ao longo do álbum (embora a presença da maioria passe bastante despercebida, ao contrário de Wasting Light).

Ironicamente, naquele que é sem dúvida o maior esforço até à data de Grohl para escapar ao rock genérico que muitas vezes assombra a sua banda, o resultado acaba por ser talvez o cd mais formulaico dos Foo Fighters, que tem tanto de previsível como de banal na maioria das faixas.

É impossível negar o esforço da banda americana em escapar ao seu registo nalgumas músicas, como a inicial “Something From Nothing”, que embora culmine num estilo apoteótico típico da banda, vai andando num crescendo com riffs que “transpiram” Black Sabbath até lá, bem como a balada “Subterranean”, com a participação discreta de Ben Gibbard dos Death Cab for Cutie, que mostra um lado mais honesto e emocional dos Foo Fighters que é refrescante e lhes assenta bem.

Num disco repleto de colaborações, é importante distinguir as mais bem conseguidas, como a dos Bad Brains na acelerada “The Feast and The Famine” que representa o lado da banda influenciado pelo Punk de toada mais Hardcore e que, embora pareça ser a “White Limo” de Sonic Highways, tem uma personalidade própria e acaba por ser mesmo a melhor música do álbum;  além desta, também “Outside” se destaca pela positiva, com a participação de Joe Walsh, dos Eagles, que “empresta” o seu carisma a uma música que, mesmo tendo a sonoridade típica da banda, não cansa e parece mesmo fresca e feita para clímaxes ao vivo.

Por outro lado, “What Did I Do?/God As My Witness”, com Gary Clark Jr. é um “piscar de olhos” aos Blues, que não combina com a toada mais épica que Grohl e companhia tentam incutir na faixa, soando apenas genérica, tal como “I Am A River”, com direito a arranjos de cordas e presença de Joan Jett que se traduz numa power ballad monótona e demasiado arrebatadora com as suas mudanças de dinâmica pouco conseguidas, encerrando o álbum numa nota mediana.

Desta forma, Sonic Highways é o cd com a premissa mais aventureira dos Foo Fighters até à data, mas a verdade é que as influências e colaborações só se notam nalguns casos, preenchendo o resto do cd com momentos de rock de estádio genérico que em nada acrescentam valor ao já respeitável reportório da banda.