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From Kids To Heroes – From Kids To Heroes

Ninguém esperava que o disco de estreia dos From Kids To Heroes (FKTH) fosse um desastre; banda de créditos firmados ao vivo, apadrinhada por Cláudio Aníbal dos Ash is a Robot, um dos músicos mais aclamados do submundo nacional e com elogios colhidos das músicas já lançadas anteriormente; sem surpresa, o álbum homónimo não é um desastre; mas também ninguém esperaria que esta banda jovem e relativamente desconhecida assinasse o melhor CD de Pop Punk português desde Caminho, dos Fonzie e efectivamente é isso que acontece.

Curiosamente, a primeira faixa divulgada como single, “4 Months”, não deixava adivinhar o poderio que o álbum iria encerrar, apresentando-se como uma canção promissora, animada e com energia, amigável, mas bastante convencional e formulaica, ficando na prateleira dos bons esforços e escondendo o verdadeiro talento, que está presente no restante disco.

Banda assumidamente de muitas influências (como admitiram na recente entrevista à Rock N’ Heavy), os FKTH tentaram pegar nos seus ídolos e incorporá-los na sua abordagem de Punk directo e catchy, resultando num álbum refrescante, com identidade mas ainda assim multifacetado, como se pode ver pela sonoridade algures entre o Skater Punk e o Post-Hardcore da excelente “Center of the World”, ou da abordagem mais clássica e sem espinhas de “Inner Tragedy”, que surge como melhor momento do disco muito graças ao trabalho impecável do guitarrista Pedro Duarte.

Como convidados especiais no CD estão o já mencionado Cláudio Aníbal e Dani Cross, dos The Medusa Smile, que sem destoarem conseguem imprimir a sua marca nas faixas em que estão presentes, com muito peso incluído que traz ao de cima o lado mais metaleiro dos FKTH, com destaque para “Fresh Start” e o seu refrão memorável que ecoará na cabeça dos ouvintes por dias.

Embora tenham escapado com habilidade à “armadilha” das baladas melosas pseudo-Punk que costumam adornar o Pop Punk sem nada lhe acrescentar, preferindo antes dar como moldura a letras mais emocionais melodias enérgicas e animadas (veja-se a intensa “Penguin”), o disco perde algum fôlego na recta banal, com “Make Me Believe” a dar asas ao lado Skater da banda e “We Won’t Back Down” a soar a Tonight Alive em momentos mais Pop e, portanto, mais banais, apesar da conclusão de “Don’t Let The Kid Die Young” voltar a elevar os ânimos com os seus coros certeiros e guitarras em riste para fechar o álbum da melhor forma.

Desta forma, mesmo sem ser isento de falhas, o álbum de estreia dos FKTH mostra que o Pop Punk, habitualmente rotulado como à beira de extinção, não precisa de ser re-inventado para dar sinais de saúde, só precisa de um disco cheio de energia e boas ideias como aqui temos!