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God Is An Astronaut [Armazém F, Lisboa]

Foi às 21 horas em ponto e sob o escrutínio de um Armazém F ainda a meio gás que os Katabatic deram início às hostilidades, perante uma plateia que esteve durante toda a noite difícil de convencer e por vezes mesmo pouco receptiva.
Com um som muito mais pesado do que God Is An Astronaut (GIAA) e um novo EP na bagagem, os lisboetas vão tecendo as suas atmosferas violentas de traços góticos sem uma palavra para a audiência, que à excepção de alguns entusiastas na fila da frente, também se limita a contemplar sem mostrar indícios da emoção que é o conceito chave no Post Rock.
Os músicos passam de cada música diretamente para a seguinte, apenas com uns segundos de reverb no ar entre pausas para afinação de instrumentos e isso não os beneficia, pois as faixas não têm identidade suficiente para se destacarem sozinhas e todo o espectáculo acaba por parecer uma música longa e repetitiva de 40 minutos.


Fazem-se as despedidas perante uma plateia já mais bem composta (sem nunca encher, no entanto, ao contrário da última visita da banda irlandesa ao nosso país, em 2013) e esperam-se mais 20 minutos até às 22, altura em que os GIAA entram em palco para tocar “Autumn’s Song”, do último “Origins”.
Menos comunicativos do que da última vez (não há introdução a cada faixa, talvez porque, como revela o baixista no fim, alguém roubou todas as setlists da banda em França e eles tocam de memória), os irlandeses ainda assim fazem a festa, com Jamie Dean, vocalista e teclista do conjunto a puxar por um público que, à excepção de momentos mais enérgicos, pareceu sempre difícil de conquistar.
Falamos claro de êxitos como “Echoes”, servida logo ao início para animar uma plateia até aí algo “morta” e intercalada com músicas mais indicadas para a catarse, como “Fragile” ou “From Dust to Beyond”, cujas melodias intrincadas hipnotizam o público e a banda, mesmo quando o primeiro não parece receptivo.
Vieram também momentos do novo álbum “Helios”, a ser lançado no próximo mês, com direito a 4 das suas 8 músicas reveladas e que soa a uns GIAA que nunca ouvimos antes, com músicas longas e complexas que alternam entre riffs melódicos e secções pesadonas com afinações baixas dignas de sonoridades mais agressivas (“há uma banda de Heavy Metal dentro de nós”, diz entre risos Niels Kinsella após o espectáculo).
Jamie Dean foi servindo mesmo como mestre de cerimónias e entre máquinas fotográficas roubadas ao público para fotografar os membros da banda, descidas ao público (“Worlds in Collision” foi sem dúvida dos momentos altos do concerto) e muita conversa, o músico acabou por conseguir “quebrar” a plateia na recta final, levando ao êxtase durante um encore pouco convencional.
Em vez de sair e regressar como habitual, a banda disse que não queria “uma relação de mentiras com os fãs”, pelo que se limitou a voltar as costas e a regressar, sem nunca sair do palco, num momento engraçado e refrescante, “atacando” a faixa introdutória do novo “Helios” num momento arrojado, mas que não compensou, com o público a amornar perante uma faixa desconhecida e pouco imediata.
Ficou reservada a apoteose para a final “Suicide by Star”, sucesso garantido e ponto final em mais um concerto dos GIAA que como sempre foi um prazer de ver, mesmo perante um público que demorou a entrar nos eixos com a banda.

Texto: Jorge Martins  |  Fotografias: Inês Silva
Agradecimentos: Amplificasom