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God Is An Astronaut – Helios Erebus

Dois anos depois do último álbum Origins (e um par de bem-sucedidas passagens pelo nosso país), que marcava uma transição do som Post-Rock clássico que os God Is An Astronaut (GIAA) ajudaram a cunhar para margens mais progressivas, assistimos a um fenómeno semelhante no novo Helios Erebus, mas misturando um regresso às origens por vezes demasiado marcado com uma abordagem mais experimental e, sobretudo, mais pesada.

Num mundo em que o Post-Rock é um dos géneros mais habitados e alvo de culto (só deve perder para o Metalcore), assiste-se a um previsível escassear de bandas únicas com uma identidade marcada e relevante, exemplo que contraria a marca dos GIAA, que além de “pais” do género, se conseguiram manter interessantes ao longo de toda a carreira através de uma evolução sonora sempre acompanhada de resultados consistentes que continuam a marcar o passo no novo álbum.

Um dos melhores exemplos disto será “Vetus Memoria”, epopeia de quase 6 minutos que consegue trazer ao de cima nostalgia (cola-se por vezes demasiado à faixa-título do brilhante All Is Violent, All Is Bright) e ao mesmo tempo revolucionar o som dos irlandeses através da experimentação com afinações mais baixas e distorção mais suja que prova que existe uma alma metaleira neste grupo, algo que se revela constante por quase todo o CD.

Com apenas 8 faixas, Helios Erebus passa ligeiramente dos 45 minutos de duração, ilustrando assim o desejo mais progressivo dos GIAA, com nenhuma música abaixo de 4 minutos e o expoente máximo atingido aos 8 minutos e meio da assombrosa faixa-título, que no seu começo etéreo e semi-dançável já adivinha a explosão sonora em que se torna, com muita emoção e melodia a acompanhar o jogo de distorção e coros que tornam esta canção uma obra-prima e quase num álbum auto-contido.

Mas se os GIAA parecem estar orgulhosos da sua pele mais pesada (a inicial “Agneya” é prova disso, entregue em ritmo rápido e superando a clássica “Suicide Star” em peso, prometendo ser um verdadeiro peso-pesado [perdoem a piada] ao vivo), não significa que abandonem de todo a sua veia etérea, antes pelo contrário, entregando alguns dos momentos mais agradáveis de música ambiente da sua carreira, como se pode ver pela excelente atmosfera de “Pig Powder” ou nos jogos de melodia da sublime “Sea of Trees”, que encerra o álbum de forma perfeita.

Mesmo se por vezes parecem apelar demasiado à nostalgia, de forma quase a serem cópias de si mesmos a espaços (“Obscura Somnia” é de longe o momento mais fraco do álbum, entregando-se a devaneios atmosféricos que nada de novo trazem e poderiam ser interlúdios de bandas questionáveis do género), os GIAA voltam aos CD’s com desejo de progredir numa direcção mais pesada e sobretudo progressiva, marcando assim mais um óptimo lançamento de uma banda que parece não saber desiludir.