free website stats program

Green Day – Dos!

E é assim que, menos de dois meses após o lançamento de Uno!, os Green Day lançam o segundo disco de uma prometida trilogia, que será concluída em Janeiro, com Tré!.

Segundo o anunciado por Billy Joe Armstrong, vocalista, guitarrista e líder da banda, enquanto o primeiro cd era mais focado no pop punk característico da banda, este registo é mais inclinado para a vertente do Garage Rock, enquanto que o terceiro será assumidamente épico.

Uma coisa já ninguém pode retirar aos Green Day, pois, enquanto a maioria das bandas que se atrevesse a fazer um lançamento deste género, por muitas promessas que fizesse, dificilmente fugiria ao lugar-comum de compilar as melhores músicas num cd e encher os discos restantes de pouco mais que “palha”. Pelo contrário, a banda de Billy Joe, Mike Dirnt e Tré Cool aposta mesmo em sonoridades claramente diferentes, pelo mesmo nestes dois primeiros cd’s.

E se, em Uno!, o pop punk a lembrar os tempos de Dookie, a banda já tinha encantado pelas suas melodias directas e descomprometidas, em Dos!, numa toada definitivamente mais Rock N’ Roll, os Green Day ganham mais uma aposta e evitam o típico “tiro no pé” das grandes bandas que apostam em novas sonoridades.

Na faixa de abertura, See You Tonight, Billy Joe aparece apenas munido de uma guitarra e de uma voz doce, enganando quanto ao que a meia hora seguinte nos reservará. Esses enganos ficam imediatamente desfeitos com Fuck Time, música de rock clássico que espelha as influências da banda neste registo, soando como os grandes dinossauros do rock, os Rolling Stones, ou os The Who, mostrando que este cd vai mesmo ser rock como deve ser.

Passando por Stop When the Red Lights Flash, uma das poucas músicas que não fica na memória, chega-se a Lazy Bones, dos melhores momentos do cd, pela guitarra emotivamente aguda e a voz e letra tão “à Green Day”, que soam sempre bem.

Aqui, a banda parece dar um descanso (resta saber se temporário ou permanente) às suas raízes políticas e faz música simples e descomprometida, reflectida nas suas letras leves, em que, como disse Billy Joe, “é como estar no meio da festa a bombar”.

Para além disso, nota-se uma clara evolução deste enquanto músico e compositor, com melodias a escaparem aos estereótipos simplistas do punk rock e a aventurar-se até em solos bem conseguidos em várias faixas.

Se em Wild One os Green Day se focam num rock mais psicadélico numa pseudo-balada suave e pegajosa (no bom sentido), o rock visceral volta em Makeout Party, que lembra East Jesus Nowhere, das melhores faixas do registo de 2008 da banda, 21st Century Breakdown. Com um solo rápido, gritos e uma letra agressiva, é uma faixa que tem tudo para ser um “monstro” ao vivo. Para já, em estúdio resulta bem!

Tal como em Uno!, a velha máxima de “não se julga um livro pela capa” é aqui bem aplicada, pois o single de apresentação do cd, Stray Heart, é mesmo a música mais desinteressante e genérica de todo o álbum. Felizmente que se segue Ashley, uma “balada punk” rápida que torna a dar o humor certo para festejar aos saltos, algo que parece ser o objectivo claro deste disco, que o consegue com distinção.

Passando por Baby Eyes, melodia de rock curta, pegajosa e eficaz que certamente ficará na memória por muito tempo a ser trauteada, chega-se a Lady Cobra, onde às influências clássicas supracitadas é impossível não se juntar o revivalismo dos anos 00 no Garage Rock dos White Stripes em Fell in Love With a Girl, pois as semelhanças estão lá todas, mas nós esquecemos e perdoamos, pois soa bem e isso é que interessa!

Na recta final, somos agraciados com Nightlife, colaboração com a artista Lady Cobra numa melodia arriscada, mas que resulta tremendamente bem e merece aplausos pela sua mistura entre hip-hop, música de cabaret e um baixo em grande forma (cortesia de Mike Dirnt), transmitindo uma aura negra e sensual (sobretudo pelas vozes e pela letra fantástica), que poderia ser ouvida num qualquer bar de strip sujo no meio de nenhures; outro grande
momento deste cd.

Para o fim, fica a inconsequente Wow! That’s Loud, que não passa de engraçada, comparando com o que ficou para trás e a grande Amy, homenagem leve e sentida a Amy Winehouse, encerrando assim um grande disco.

Os Green Day souberam aproveitar aqui influências de renome e construir um grande cd de rock, mostrando que esta sua trilogia foi uma grande ideia e com muito boa música para dar!

Texto de Jorge Martins