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Halestorm – Into The Wild Life

Ao terceiro longa-duração, Lzzy Hale parece ter-se fartado de ser “apenas” a porta-estandarte do Hard Rock de protagonismo feminino, tendo referido em entrevistas que Into The Wild Life era um disco marcado por uma maturação da banda e, mais do que isso, um lado de experimentação e re-invenção em que tentaram escapar à sua sonoridade típica sem perder a identidade e a verdade é que o álbum é o registo mais diverso do grupo na sua (até agora) curta carreira, simultaneamente também o seu esforço mais completo e mais forte.

“Scream”, a abrir o CD, é a prova disso, no seu registo contido e quase em ópera rock, com a banda a experimentar transições abruptas e elementos electrónicos que dão variedade e força a uma música que, sem explosão, corria o risco de se tornar aborrecida.

Os singles entretanto divulgados pela banda mostram uma mistura saudável do seu lado mais abrasivo e da faceta tradicional que os tornou num peso-pesado do Hard Rock “sem espinhas”, sendo que “Apocalyptic”, primeiro “cheirinho” de Into The Wild Life que tivemos, não se desvia um milímetro da fórmula já mais que testada do Rock pesado e de pêlo na venta, de refrão fácil, guitarras ao alto e riffs contagiantes, mas no final de contas é eficaz e não cansa e isso é que importa.

“Mayhem”, por outro lado, combina esse lado mais formulaico dos Halestorm com uma raiva e um peso que assentam num riff dissonante que quase poderia ter saído do melhor Mathcore e num refrão gritado a plenos pulmões por Hale, que, para além de estar em plena forma vocal, tem nos duelos de guitarra com Joe Hottinger sempre um ponto de destaque e, neste caso, a receita para a melhor música do CD.

Finalmente, “Amen” no seu registo coral e contido recorda-nos bandas mais do domínio Indie como Dead Sara, enquanto que a triunfal “I Am The Fire” mostra os Halestorm em perfeito domínio das dinâmicas melódicas de uma faixa que contém um dos refrões mais catárticos e memoráveis do Rock pesado do passado recentemente, embebido do mesmo lado dramático e épico que parece ter dominado as experimentações dos americanos neste álbum.

Claro que numa banda de Rock os momentos pesados não podem deixar de ser balançados com power ballads, sendo que em Into The Wild Life continuam a mostrar-se o ponto fraco dos Halestorm, sendo que, embora “Dear Daughter” comece monótona, atinge o clímax num solo de guitarra “Floydiano” que a salva e “Bad Girls World” é contagiante e mostra todo o poderio vocal de Hale numa faixa emocionante, o “reverso da medalha” são os momentos banais que nunca passam de “agradáveis” e facilmente olvidáveis proporcionados por “The Reckoning” ou “What Sober Couldn’t Say”.

Desta forma, os Halestorm assinaram ao terceiro álbum o testemunho mais forte da sua carreira até agora, num disco que reúne a sua fúria e capacidade de fazer Hard Rock incisivo e sem limites com momentos de experimentação com sonoridades mais épicas e/ou dançáveis que resultam bem numa banda em constante evolução.