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Head Up! For The Fall Tour ’14 [Hard Club, Porto]

Depois da estreia em Portugal no início deste ano, como banda de suporte nos concertos de apresentação do último trabalho dos More Than A Thousand, os Bury Tomorrow regressaram a solo luso como headliners e com ‘Runes’, o seu mais recente registo, ‘debaixo do braço’, numa noite preenchida e marcada também por uns igualmente aguardados Hands Like Houses e Close Your Eyes.

Honras de abertura feitas pelos nacionais Ash Is A Robot, que não conseguimos, infelizmente, presenciar devido aos atrasos e consequentes filas de espera que se verificaram, seguiram-se os Every Man Is An Island, adição de última hora ao cartaz.


Os brasileiros que aproveitaram a oportunidade para expor o seu novo EP intitulado ‘Humans’ revelaram-se uma excelente surpresa, destacando-se pelo metalcore bem trabalhado e executado que praticam e pela resultante combinação característica de peso e melodia.


Conhecidos da casa, após terem passado pela mesma inseridos na terceira edição da Brothers In Arms Tour, também no início deste ano, os Lock & Key não quiserem quebrar a corrente e através de ‘The Divide’, registo de estreia, imprimiram uma brutalidade admirável vincada no seu veemente mordern hardcore.

‘No Acceptance’, ‘So Alone’ e ‘Down But Not Out’ foram algumas das composições interpretadas pelos britânicos, às quais os presentes reagiram positivamente.


Há muito aguardados em território nacional, os Close Your Eyes cumpriram as expectativas contagiando a plateia com uma prestação enérgica assente no hardcore melódico de raízes pop-punk que cultivam.

Na verdade, aquilo que os americanos ostentam não anda muito distante, nem supera, a sonoridade que uns Set Your Goals ou The Story So Far praticam, mas a segura e activa postura que apresentaram em palco, bem como toda a empatia demonstrada, aliada a conhecidos temas como ‘Digging Graves’, ‘Valleys’, ‘Song For The Brokens’ e ‘The End’ foi, sem dúvida, uma mais valia que incentivou a maioria a se aventurar nos sing-alongs e stage dives.


 Com uma sonoridade deslocada do restante cartaz, os Hands Like Houses dividiram opiniões. A vertante mais post-hardcore e alternativa dos australianos não obteve um consenso geral, muito em parte pelo uso de vocalizações clean em detrimento dos habituais growls.

Não obstante, os rapazes de Canberra consentiram uma das melhores prestações da noite, evidenciando mesmo um excepcional trabalho compositivo e técnico, testemunhado em ‘Introduced Species’, ‘No Parallels’ e ‘Shapeshifters’, que satisfez, por certo, os conhecedores do seu trabalho e aqueles que possuem um discernimento musical mais abrangente.


A noite estava, no entanto, reservada para uns avassaladores Bury Tomorrow, que não deixaram cair o título de headliners por terra. A incrível sequência inicial de ‘Man On Fire’, ‘Royal Blood’ e ‘An Honourable Reign’ provou prontamente todo o ‘poder de fogo’ e explosividade do colectivo britânico, bem como toda a mestria na reprodução dos temas ao vivo por parte de Daniel Winter Bates e companhia, mas onde o destaque segue inevitavelmente para o guitarrista/vocalista Jason Cameron pelo extraordinário e fiel registo vocal.

Transitando entre ‘Runes’ e ‘The Union Of Crowns’, temas como ‘Knight Life’, ‘Watcher’, ‘Scepters’ e ‘The Torch’ deram o mote para completas vagas de mosh e stage dives que só terminariam com ‘You & I’, do registo ‘Portraits’, antes do encore.

Apesar de um número de presentes muito aquém do registado aquando da sua primeira aparição perante o público portuense, os Bury Tomorrow apresentaram a mesma garra e energia inesgotável que os acompanhou perante uma dimensão totalmente diferente no transacto Resurrection Fest, mostrando assim que a sua dedicação e postura no universo musical recai no amor verdadeiro pelo que fazem e não nos possíveis lucros que possam obter.

Uma atitude louvável e consentida na final ‘Lionheart’, que assinalou o ponto alto de um concerto, por certo, memorável.


Texto: Nuno Lobão | Fotografia: Nuno Fangueiro
Agradecimentos: Head Up! Shows