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Head Up! For the Spring Tour [República da Música, Lisboa]

Foi uma noite quente e uma República da Música a meia capacidade que recebeu em ovações constantes a mais recente digressão da Head Up!, encabeçada pelos Our Last Night, americanos do Post-Hardcore mais conhecidos talvez pelo fenómeno YouTube onde partilham covers pesadas de músicas pop.

Com um público maioritariamente adolescente e facilmente “conquistável”, as bandas que desfilaram no palco durante toda a noite tiveram uma tarefa facilitada, mesmo ensombradas com inúmeros problemas de som.

Por motivos externos à redacção não possível ver o concerto dos Ella Palmer.

Ash Is A Robot: A banda setubalense apresentou-se no seu novo formato de quarteto para destilar o seu Hardcore com influências Math num espectáculo curto, mas caótico, embora as questões técnicas tenham impedido o conjunto de tornar a actuação memorável, como podia ter sido.

Cláudio Aníbal, verdadeiro animal de palco, dança, salta para o público, perde o microfone, agarra-se às colunas precariamente seguras no tecto e dá o litro para dar um bom concerto, mas o som desigual, com microfones de apoio demasiado altos, guitarras baixas e agudos exageradamente exacerbados resultam numa parede sónica em que pouco mais se percebe do que distorção em massa.

Em momentos mais calmos como “Karma Never Sleeps” ainda é possível perceber com alguma clareza os instrumentos, mas assim que a velocidade entra, perde-se a nitidez e volta a barreira de distorção que mancha a grandeza de faixas como a final “Ariadne”, resultando num concerto em que a banda deu tudo, mas o som não passou da mediania.

Os AliceAutores de Discórdia, disco nacional do ano para a nossa redacção em 2014, Os Alice beneficiam de um som muito mais definido do que os seus companheiros anteriores, embora o género também incida muito mais no Rock clássico e menos caótico, embora o som dos microfones e da guitarra lead também estivesse baixo durante a maioria do espectáculo, dando um maior ênfase no ritmo e  percussão que deixava algumas músicas com menos identidade.

No entanto, globalmente foi uma óptima actuação e as músicas de Discórdia provaram que se aguentam tão bem ou melhor ao vivo do que em disco, com o ponto alto da actuação a ir claramente para “Gato Morto”, single mais conhecido e verdadeiro portento musical que puxou todo o público para a dança.

Muito menos excêntricos na actuação do que os Ash is a Robotos Alice vão comunicando descontraidamente com um público receptivo e encerram o concerto com a nova “Geração Sem História”, que deixa água na boca para o promissor segundo disco que será brevemente editado.

Hills Have Eyes: Os setubalenses Hills Have Eyes assinaram uma actuação verdadeiramente demolidora, assente no peso do seu Metalcore raivoso, mas que, tal como os seus predecessores, foi assinada também por problemas técnicos em que na tentativa de soar pesados, os músicos tinham os seus instrumentos tão altos que só quase à entrada da sala era possível ouvir mais do que uma parede de distorção, problema que felizmente foi sendo resolvido até ao final da actuação, altura em que o som já estava mais definido.

Já com uma década de existência na bagagem e um novo disco à porta, os setubalenses não se poupam a esforços para agradar ao público, através de apoio e interacções constantes, músicas pesadas que suscitam headbanging furioso e as já clássicas fotos que povoarão as redes sociais das bandas.

Com a audiência na mão após pouco mais de meia hora de actuação, os Hills Have Eyes retiram-se com a sensação de dever cumprido e decerto muitos novos fãs de uma geração mais jovem.

Palisades: A sala estava a pouco mais de metade quando os Palisades começaram a tocar e pouco mais iria encher, mas, tal como já os Hills Have Eyes tinham apontado, os poucos presentes eram os suficientes para fazer a festa, como se notou pelo êxtase constante do vocalista Lou Miceli que não se poupou a elogios ao público nesta estreia da banda em território português.

Com uma mistura de géneros assente em Metal com laivos de música de dança, os americanos de Nova Jérsia vão fazendo a festa por entre êxitos como “No Chaser” ou “Bad Girls” (dedicada apropriadamente a “todas as meninas más” da audiência) que fazem as delícias de um público que ora faz mosh, ora dança como numa discoteca.

Com os microfones de apoio demasiado baixos, há músicas em que a partilha de vozes sai furada, mas para os espectadores isso nem importa quando as faixas têm o impacto de “Mind Games” ou da final “High and Low”, conclusão apoteótica de uma actuação curta mas segura dos americanos, que sai sob uma ovação e cânticos do seu nome que de certeza lhes dará a vontade de voltar em breve.

Our Last Night: Uma sala composta a pouco mais de metade recebeu os cabeças-de-cartaz desta digressão como se fosse um coliseu cheio, com ovações sucessivas desde o início do espectáculo, demonstrando imenso carinho pelos americanos que retribuíram através de muita interacção com o público e contacto físico com os sortudos fãs da frente enquanto que desfilavam o seu reportório que a audiência parecia conhecer de cor e salteado, até da nova “Home”, lançada há menos de uma semana.

Abrindo as hostilidades com a poderosa “Same Old War”, os americanos tiveram o público na mão desde o início e nunca o largaram, beneficiando também do som mais cristalino de toda a noite (o microfone de Matthew Wentworth, guitarrista e vocalista, começou baixo mas sendo foi posto nos eixos) que permitiu uma actuação memorável.

Passando por êxitos como “Fate” ou “Invincible”, que suscitaram explosões de energia da multidão com muitos circle pits e saltos à mistura, os Our Last Night mostram-se uma máquina extremamente bem oleada ao vivo, com o elo mais fraco a cair sobre Matthew, que ao contrário do seu irmão Trevor, o vocalista, teve de lutar com as notas mais altas, desafinando em várias músicas, mas nada que manchasse a actuação globalmente, compensando em boa disposição e energia.

Claro que o fenómeno das covers não poderia faltar, tendo sido servidas “Skyfall” de Adele e “Dark Horse” de Katy Perry, recebidas entusiasticamente pelo público, mas que comparadas com o reportório original da banda, não sobressaem, antes pelo contrário, mostrando menos intensidade do que as músicas assinadas pelo conjunto.

Terminando em registo de “isqueiro no ar” com “Sunrise”, os músicos cedo voltaram em resposta à ovação do público para um curto encore, com “I’ve Never Felt This Way” a marcar o final de uma actuação com muito suor e emoção que resultou numa clara vitória para a banda numa noite de bons concertos, mas também de muitos problemas de som.

Agradecimentos: Head Up! Shows || República da Música