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Heavenwood – Abyss Masterpiece

Os HEAVENWOOD, prestes a celebrar 20 anos de carreira, têm créditos firmados como uma das mais relevantes bandas nacionais no espectro da música pesada. Já com três álbuns bem recebidos no currículo (“Diva”, “Swallow” e “Redemption”), a banda prepara-se agora para apresentar o seu quarto registo de originais, “Abyss Masterpiece”.
O álbum, com data de lançamento marcada para 14 de Março na Europa e 3 de Maio nos Estados Unidos, foi gravado nos ULTRASOUND Studios em Braga, editado no Estúdio 213 no Porto e produzido pela própria banda. A mistura e masterização ficaram a cargo de Kristian “Kohle” Kohlmannslehner, nos Kohlekeller Studios na Alemanha.

Abre o álbum The Arcadia Order, uma música cuja curta intro instrumental denuncia desde logo a imponência do mesmo. A intro depressa dá lugar a um riff que nos parece obrigar a fazer headbanging, para depois os inconfundíveis vocais nos receberem de braços abertos. Quando, perto do final do tema, somos brindados com um sentido solo, já nos encontramos absoluta e irreversivelmente imersos na viagem que o álbum nos vai proporcionar.
Um breve mas arrepiante coro não nos prepara para a magnificência de Morning Glory Clouds, um dos momentos mais altos do álbum. O refrão, absolutamente demolidor, não deixa margem para dúvidas: os HEAVENWOOD possuem um enorme sentido melódico e uma sensibilidade que não são comuns entre bandas dos ramos mais pesados do metal.
Goddess Presiding Over Solitude tem um trabalho rítmico impressionante, com sucessivos riffs e breakdowns, apresentando claros traços de metal progressivo.
É impossível ficar indiferente à carga emotiva presente nos vocais melódicos de Once A Burden e Winter Slave, consecutivamente intercalados com os poderosos guturais característicos da banda, o que lhes confere um impacto ainda maior.
Segue-se Leonor, cuja letra, tal como a de Goddess Presiding Over Solitude, é inspirada numa adaptação para inglês de um poema de D. Leonor (também conhecida como Marquesa de Alorna). Este tema conta com a participação de Miriam Elisabeth “SfinX” Renvåg, dos noruegueses RAM-ZET, o que, a par de uma “catchy” lead guitar o torna absolutamente memorável.
Poem For Matilde (com o seu abrupto e inesperado final), Fading Sun e September Blood são músicas ao bom estilo de metal melódico a que os HEAVENWOOD habituaram os fãs, mantendo o ritmo para a entrada na recta final desta viagem auditiva.
Com um riff de abertura sincopado a desaguar num palm muting duro, o som de Sudden Scars expande-se assim que ouvimos as palavras “In silence I delight you…” cantadas num gutural arrastado, seguindo-se mais um refrão inesquecível (“Shine or reflection / A kiss from a silk morning star / Sign of perfection / Her sweetness unleash sudden scars”).
Já Like Yesterday, de carácter vincadamente rock, será o momento “menos pesado” do álbum, mas nem assim aliviando a força com que cativa o ouvinte.
O ponto final de “Abyss Masterpiece” chega na forma do tranquilo instrumental Her Lament, mais um momento revelador da excepcional sensibilidade com que a banda aborda a sua música.

O álbum apresenta-se, assim, como uma obra de arte sólida e coesa, livre de album fillers.
Os arranjos orquestrais conferem uma especial magnificência aos temas, embora isso altere, de certa forma, a dinâmica característica da música dos HEAVENWOOD. Da inevitável (mas muito frequentemente ingrata) comparação com o trabalho anterior ressalta que os novos temas podem não possuir a mesma força directa que os seus antecessores; porém é inegável que os arranjos épicos criam uma atmosfera envolvente, que se estende ao longo de todo o álbum como um fio condutor.
O trabalho vocal e instrumental em “Abyss Masterpiece” é irrepreensível, demonstrando claramente a boa forma dos músicos envolvidos na sua criação e execução. As letras remetem-nos para o imaginário gótico, com sentimentos melancólicos, de tristeza e de perda, seguindo a orientação estilística habitual dos HEAVENWOOD.
Quanto à produção e pós-produção, estas são do mais alto nível, tornando a audição deste álbum um enorme prazer.

Com “Abyss Masterpiece” a banda deu um claro passo em frente, ao mesmo tempo que se mantive fiel à sua sonoridade distinta. Um álbum que, definitivamente, vale a pena ouvir.

Review por Pedro Macedo