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I Am Giant – Science & Survival

O Post-Grunge é um dos géneros menos famosos de sempre, acusado de ser derivativo do seu “pai” e de não trazer nada de novo à música, criando ainda algumas das bandas mais desprezadas de sempre pelos melómanos, como BushPuddle of Mud of Creed, para citar algumas.

Assim sendo, é de espantar que ao fim de quase 20 anos ainda haja bandas a aventurar-se por esses terrenos, ainda para mais, como os I Am Giant, fundindo-o com Nu Metal, outro dos tipos de música mais questionados de sempre.

Os neo-zelandeses, ao segundo CD, como se nota logo pelos sinos da inicial “Guethary”, decidiram adoptar uma postura mais negra e pesada neste álbum, embora sem comprometer os géneros que lhes dão inspiração, criando um resultado que, sem ser brilhante, é na mesma um bom disco de Rock.

“Echo From the Gallows” deslumbra logo ao início com os seus riffs certeiros, embora o destaque do CD (e da banda), é o talento vocal do ex-vocalista Ed Martin, dotado de um carisma e de uma versatilidade que o diferenciam dos concorrentes no género, sendo capaz de alternar entre falsetes arrepiantes e tons mais agressivos e sentimentais que lembram Maynard James Keenan.

A fórmula não é difícil de adivinhar, entre riffs pesados, refrões viciantes e letras melancólicas (embora algo genéricas) que ainda assim convencem em momentos bem conseguidos como “Minefield”, embora também possam resvalar para o banal como em “Razor Wire Reality” ou na aborrecida balada “Draggind The Slow Dance Out”, que efectivamente se arrasta demais.

Existe, no entanto, alguma vontade de experimentar pelos I Am Giant, que também tem uma dualidade de resultados que oscila entre as guitarras gingonas da excelente “Death Of You” ou os teclados atmosféricos de “Out Of Date Hallucination” e os vários interlúdios que só se percebem como fillers no álbum, ou nas mudanças abruptas de “Silhouette” que acabam por desperdiçar um dos melhores riffs de Science & Survival.

No entanto, se vamos falar de ambição, a definição tem de estar guardada para o épico de 12 minutos que é a final “Bought With Ignorance. Sold With Arrogance” que, embora tenha momentos verdadeiramente fantásticos, também conhece demasiadas alterações de dinâmica e ecletismos excessivos em nome do experimentalismo que nem sempre resultam.

Assim sendo, ao segundo CD, os I Am Giant não deslumbram, mas também não desapontam, oferecendo um álbum mais negro, mas sólido e que deixa curiosidade para o futuro da banda sem o comando de Ed Martin.