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Imagine Dragons – Night Visions

Mesmo para o comum mortal que não acompanhe regularmente os lançamentos do universo discográfico, será difícil nunca se ter cruzado com as músicas deste Night Visions, álbum de estreia dos americanos Imagine Dragons. Nos escaparates desde setembro de 2012, via Interscope Records.

Produzido por um homem do Hip-Hop, Alex da Kid e por um homem do Indie Rock, Brandon Darner, o álbum terá demorado cerca de três anos até ficar concluído e, na verdade, a fusão de estilos e géneros congrega nele uma musicalidade polimórfica que cruza sucessivamente fronteiras entre sonoridades mais matriciais como o Alternative Rock e o Indie, mas não deixa de, ocasionalmente, piscar o olho ao Dubstep, ao Folk e ao Hip-Hop, facto que ajuda a explicar o sucesso do disco, o apetite dos publicitários pelos temas mais “orelhudos” e a presença de “Radioactive” e “On Top Of The World” em diversos trailers e anúncios vários.

Assim, foi sem estranheza que Night Visons escalou no top de vendas nacional, facto que os ajudou a chegar ao palco do Coliseu dos Recreios via Everything Is New, para gáudio dos fás que lotaram por completo aquele espaço.

Night Visions abre com a caleidoscópica, electrónica e pós apocalíptica “Radioactive”. A fasquia está, sem receio, colocada bem alto. Imediatamente somos cativados pela melodia e pela voz encantatória de Dan Reynolds. “Tiptoe” aponta as baterias ainda mais para as linhas da electrónica e será, porventura, um daqueles temas que ao vivo faz levantar os pés do chão e abandonar o corpo aos ritmos mais dançáveis, no entanto, no conjunto do álbum parece algo deslocado e artificial. Entretanto surge aquele que foi o primeiro single e uma das músicas mais difundidas dos Imagine Dragons, “It´s Time”. Agora a toada é mais Indie e mesclada de elementos Folk, as melodias são mais delicadas e emotivas e a voz ganha em expressividade.

“On Top of the World”, o single mais recente (24 de agosto 2013) corresponde ao lado apolíneo e solar de um universo musical que, como o nome indica, apela mais a ambientes nocturnos e saturnianos. Música plena de energias positivas, é de facto o tema mais estival dos Imagine Dragons (a par de “Rocks”).

Musicalmente mais débeis que a generalidade das outras músicas, “Amsterdam” e “Hear Me” encantam mais por aquilo que se diz do que pelos sons que acompanham as palavras. Segue-se a “sui generis” balada minimalista “Every Night”. Depois, a grandíloqua “Bleeding Out” mostra a banda a puxar pelos galões e a elevar novamente a fasquia, alicerçando-se no trabalho de produção de Alex da Kid. De facto, este último é um tema apontado para as grandes multidões e concertos de estádio, destinado a arrancar vagas de palmas dos fãs. A próxima “Underdog” usa e abusa dos teclados e acaba por ser, na nossa opinião, um dos temas menos interessantes do álbum. A dose dupla “Nothing Left to Say / Rocks” define claramente a diversidade de elementos que os Imagine Dragons conseguem reunir no seu espectro musical.

Antes do final, a edição à nossa disposição para esta análise, oferece ainda a nefelibata, vaporosa e titilante “Cha-Ching”, reservando, para o final, “Working Man”.

O futuro apresenta-se auspicioso para os Imagine Dragons, sendo que este Night Visions constitui o corolário de um trabalho de composição e produção musical que deve ser realçado e que foi habitualmente reconhecido e amplamente mediatizado.

Análise de Rui Carneiro