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Jack White – Lazaretto

Líder incontestado de uma das bandas mais importantes do século XXI, os White Stripes, bem como militante nos respeitáveis Dead Weather e Racounteurs, alguém dificilmente contesta que Jack White é um dos homens mais ocupados (e bem-sucedidos) do rock actual.

Guitarrista de destaque, vocalista único, produtor reputado, enfim, poucos títulos faltam ao americano, que há 3 anos decidiu dissolver os “seus” Stripes e dedicar-se a uma carreira a solo, lançando o também assombroso Blunderbuss, que “limpou” todos os prémios e mais alguns, mostrando que a inspiração ainda não abandonara Jack White.

Agora, com Lazaretto, o músico entrega a sequela da sua aclamada estreia, naquele que é o disco mais denso da carreira de White, de longe, mas também um dos mais gratificantes depois de se lhe dar o tempo devido.

A verdade é que ninguém encontrará aqui os riffs orelhudos dos White Stripes, ou temas imediatamente apelativos e de contornos pop como o antecessor Blunderbuss tinha, havendo antes um conjunto de músicas que tanto bebe do melhor Garage Rock, como do folclore americano que White parece idolatrar (impossível não notar um “cheirinho” a Country na ternurenta “Temporary Ground”), embebendo sempre tudo nos Blues que o músico parece também ele “respirar”.

Assim sendo, intrigante, negro e denso são adjectivos que caem bem em Lazaretto, que, por ser menos imediato que o seu antecessor, não é por isso menos brilhante, mostrando Jack White no melhor da sua angústia (veja-se a belíssima “Would You Fight For My Love?”), mas também com muita agressividade para destilar no rock bluesy a que já nos habituou, mostrando a sua mestria na guitarra em temas tremendos como “That Black Bat Licorice” e a faixa-título que são grandes adições ao seu cânone já bem preenchido e prometem ser verdadeiras pérolas ao vivo.

Além disso, o músico parece também ter aprimorado as suas baladas, com a belíssima “I Think I Found The Culprit” e a “despida” “Entitlement” a marcarem o passo, com White a abraçar as suas raízes na música tradicional americana e a entregar faixas com um sabor refrescante e nostálgico ao mesmo tempo.

No entanto, o cd sofre de uma quebra de ritmo a meio, visto que depois da eclética instrumental “High Ball Stepper” seguem-se duas faixas genéricas, “Just One Drink” e “Alone in My Home”, que fazem Lazaretto perder algum fôlego, ainda que o encontre pouco depois e encerre numa grande recta final.

Desta forma, ainda que ligeiramente abaixo de Blunderbuss, o novo cd de Jack White mostra um autêntico génio musical constantemente em expansão, que abraça aqui uma personalidade mais negra e menos imediata, mas que recompensa as audições repetidas.

Análise de Jorge Martins