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Kandia [Julho 2014]

A Rock n’Heavy continua o seu périplo de entrevistas pelas bandas que subirão ao palco do Festival Vagos Open Air (VOA), sendo que desta vez coube ao André Cruz, dos Kandia, o papel de interlocutor:

Em nome da Rock n’Heavy e de toda a sua equipa, quero agradecer o tempo disponibilizado na realização desta entrevista. Kandia. O nome da vossa banda, segundo averiguei, foi escolhido usando influências cabo-verdianas. Podem explicar como tudo aconteceu e o que significa?
Quando começamos este projecto em 2007, queríamos um nome que transmitisse algo relacionado com luz. Ao fazermos uma pesquisa relativamente exaustiva chegamos à palavra “kandia” que é o modo cabo-verdiano de dizer encandear. Achamos piada à palavra/significado e adotamos para nomear o projecto.

Ao fazer a pesquisa para esta entrevista, apercebi-me que são a única banda portuguesa extrema (que conheço) a fazer uma ascensão quase meteórica em níveis de popularidade, dentro e fora do país. Também sei que lutaram imenso para conquistar o que têm. Estão cansados?
Bom, eu não considero a nossa música extrema, a nossa base está toda no rock, mas aparte disso, tivemos alguma sorte em conseguir cativar fãs que nos são extremamente dedicados e nos ajudam incansavelmente a “espalhar a palavra” o que acaba por trazer-nos novos seguidores. Longe de ser uma ascensão meteórica, ou se assim fosse, provavelmente estaríamos constantemente em tour! Mas tentamos fazer o possível com os nossos escassos meios, as coisas têm rolado lentamente, mas duma forma positiva e não estamos cansados porque querer é poder e quem corre por gosto não cansa!

Ganhar o Global Rockstar também vos deu um impulso incrível. Quantas bandas é que vocês tiveram de defrontar no decorrer do concurso?
Verdade! No início eram acima de 700 bandas e artistas. No decorrer do concurso, havia eliminatórias onde cortavam as bandas a metade até haver 2 e daí sair um vencedor. Felizmente fomos a banda vencedora e inerente a isso veio também alguma exposição e notoriedade.

O prémio eram 7.300€ em dinheiro e equipamento. O que é que trouxeram para casa?
Recebemos algum equipamento da marca patrocinadora do concurso – a AKG -, nomeadamente microfones profissionais e sistemas que irão permitir simplificar e melhorar a vertente mais técnica das nossas actuações.

Vamos relembrar as raízes humildes deste projeto. Como apareceu o Daniel Cardoso na vida do vosso primeiro EP, “Light”? E como influenciou o mesmo todos os trabalhos seguintes?
Mesmo antes de Kandia existir, o Daniel já era amigo dos membros base da banda, logo, o trabalho em conjunto para o “Light” foi implícito. Foi uma óptima experiência na medida em que, sem tirar identidade ao que estava composto, ajudou com ideias e pormenores que valorizaram imenso os temas. A partir daí, e como adeptos da máxima “em equipa que ganha, não se mexe”, decidimos dar continuidade à mesma fórmula.

Custou mais executar o EP ou os álbuns que se lhe seguiram?
O EP foi o trabalho mais simples de fazer, principalmente por não haver qualquer tipo de pressões. Após termos lançado o primeiro trabalho e este ter sido exposto à crítica e ao público com reacções muito boas, automaticamente a partir daí, começamos a impor-nos uma certa responsabilidade e peso nos ombros em superar o trabalho anterior.

De onde vêm as influências eletrónicas presentes nos vossos trabalhos?
Tanto eu como a Nya sempre ouvimos bandas com componentes electrónicas e sempre quisemos ter alguma vertente electrónica na banda. Neste último trabalho conseguimos introduzi-las de forma mais vincada e, por causa de toda a estética instrumental, acabou por fazer ainda mais sentido. Em todo o caso, as influências vêm de bandas como Nine Inch Nails e Kidneythieves e, mais recentemente, o movimento de dubstep acabou por ter também alguma influencia neste trabalho.

O “Inward Beauty|Outward Reflection” contem uma musica onde existe uma participação muito especial. Querem falar sobre isso?
Na altura que estavamos a gravar o disco, sabíamos que queríamos contar com um convidado especial num dos temas. Compus a “Reflections” a pensar nisso e a Nya escreveu-a a pensar num dueto. A escolha de J.P Leppaluoto foi uma escolha inteiramente dela, pois era vocalista de Charon, umas das bandas que muito a marcou na altura em que se começou a aventurar no mundo da música, e que sem dúvida tinha uma voz e um timbre que não só encaixava bem com o tema, mas também ligava bem com a voz dela. Ficamos muito honrados por ele ter acedido imediatamente ao convite e ter feito um excelente trabalho.

Abrir os concertos nacionais para Within Temptation deve ter sido um ponto alto no vosso percurso, Como é que isso aconteceu?
Sem dúvida, até hoje, o nosso ponto mais alto e simplesmente aconteceu devido ao convite da própria banda por intermédio da promotora do evento a umas 3 semanas antes das datas. Como é óbvio foi um convite completamente irrecusável!

E agora, o Vagos Open Air. O que acham do festival?
A existência e permanência do V.O.A é extremamente positiva visto ser o maior festival – e com mais exposição – dentro da musica alternativa mais pesada. É também positivo o facto de dar lugar às bandas portuguesas mais pequenas de forma a poderem experienciar tocar num palco com excelentes condições performativas, e partilhar o palco com bandas maiores e mais reconhecidas, podendo assim actuar para mais pessoas, o que de outra forma seria mais complicado.
Claro que isto é para não falar dos slots headliners que normalmente são sempre preenchidos por grandes bandas e estilos diversificados e que quase consegue “agradar a gregos e troianos”!

Uma pergunta dividida em três. Quem é que vão querer ver actuar no VOA, quem gostariam que lá fosse e quem gostariam de ver lá outra vez? Concordamos mutuamente excluir Devin Townsend da terceira parte da pergunta, por ser mais que é mais do que obvio que o mesmo iria estar presente na resposta?
– Eu pessoalmente estou muito ansioso por Soilwork, pois é das minhas bandas preferidas de há alguns anos a esta parte. Gostaria que lá actuassem Tesseract, Tool, ou eventualmente The Ocean ou até The Faceless. Quanto a quem gostaria de rever no cartaz do Vagos, apesar de não ter concordado em excluir o Devin ( que seria indubitávelmente a minha resposta ) apostava em Meshuggah ou Textures ( estes num horário mais tardio )

Acham que existe espaço para mais festivais de música extrema em Portugal?
Espaço há sempre. O maior problema é sempre a divulgação que muitas vezes é insuficiente. Os cartazes também nem sempre são apelativos o bastante para tirarem as pessoas de casa. Infelizmente estamos a atravessar uma fase em que todos temos que ter controlo nos gastos, e se houver alguma hesitação, a pessoa não vai. Acho que falta apostar em bons cartazes com boas bandas, em que o valor por entrada seja bastante acessível, como fazem lá fora. Se as promotoras se guiarem por esse prisma e não se atropelarem nas datas de festivais, temos perfeitamente capacidade para realizar mais festivais de música pesada.

E a conquista das estradas do mundo numa tour à séria? Para quando? E quais os planos para o futuro?
Provavelmente será um dos próximos passos na carreira de Kandia, não sabemos para quando nem como. Vamos trabalhando essa ideia para descobrirmos uma maneira de a passar a realidade. Um dia destes também iremos começar a escrever material novo para um sucessor do All is Gone.

Gostariam de deixar uma mensagem a quem nos lê e vai estar presente no VOA? Possuem alguma surpresa para esse dia?
Gostaria de apelar a todos os que poderão ir ao Vagos para que apareçam cedo e apoiem as bandas nacionais (pois é cedo que elas sempre tocam) e que, independentemente dos gostos de género, além de estarem a fazer algo que gostam, estão a lutar pela música feita em Portugal, e o apoio do público é sempre imprescindível nestas coisas. A surpresa de Kandia para esse dia é apresentarmos a nova banda bem coesa e dar um bom espetáculo. Se vamos ter mais surpresas? O melhor é mesmo aparecer ver o que acontece! 🙂

Muito obrigado, novamente. Espero que partam tudo no VOA e ainda que o futuro vos seja ainda mais brilhante, com muito trabalho e ainda mais recompensas pelo mesmo.