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Killer be Killed – Killer be Killed

O termo supergrupo traz sempre emoções contraditórias; se por um lado, é fácil deixarmo-nos levar pela imaginação ao pensar nas possibilidades quase infinitas de juntar alguns dos nossos músics favoritos, por outro o receio de que a banda acabe por soar apenas como a soma das suas partes, sem apresentar nada de novo, é uma possibilidade real e até bastante provável.

No entanto, nos últimos anos temos visto uma abundância de supergrupos que realmente acrescentou algo à cena musical e que merece o seu lugar ao lado das “bandas principais” dos seus membros, como é o caso dos Them Crooked Vultures, Atoms for Peace ou Palms, apenas para citar alguns exemplos de vários géneros diferentes.

Assim, quando os Killer be Killed e o seu álbum homónimo nos chegam às mãos, basta pensar nos seus membros (Troy Sanders dos Mastodon, Greg Puciato dos Dillinger Escape Plan, Max Cavalera dos Sepultura e Soulfly e Dave Elitch dos Mars Volta) para nos deixar a salivar perigosamente perto da desidratação.

Se só isso não basta, a faixa de abertura e single do cd, “Wings of Feather and Wax”, com a sua mistura impecável de vozes (Puciato é dono de um dos melhores registos actuais na música) e riffs brutais com alguns “ganchos” melódicos para prenderem a atenção chega para a curiosidade ficar aguçada ao máximo.

E a verdade é que, ouvindo o álbum de uma ponta à outra, descobrimos um registo verdadeiramente demolidor, em que os riffs esmagadores se juntam a melodias viciantes e em que a flexibilidade nos arranjos das vozes (proporcionado por 3 vocalistas) dá um toque original e fresco a cada momento no álbum.

“Melting of My Marrow”, com a sua alternância entre growling e vocais limpos, a juntar a uma guitarra poderosa entregue por Cavalera, mostra a dinâmica referida acima da melhor forma, tal como na impressionante “Curb Crusher”, que personifica o que o melhor Metal deve ser: frontal, curto, mas directo e uma descarga de energia pela espinha abaixo que não deixe ninguém indiferente.

Por outro lado, também existem momentos mais experimentais para os Killer be Killed, como na estratosférica “Save the Robots”, que combina riffs de peso (literalmente) com jogos de vozes e efeitos na guitarra que a tornam num dos melhores momentos de cd, tal como a final “Forbidden Fire”, cujo enganador “lume brando” não dura muito, progredindo numa faixa de intensidade ímpar e o momento em que os arranjos vocais mais impressionam.

Para além da faixa inicial, Killer be Killed já produziu mais dois singles, com “I.E.D.” a mostrar-se uma faixa caótica (por vezes quase incomodativa), mas que promete ser das mais explosivas ao vivo, enquanto que “Face Down”, pela sua dinâmica e mudanças constantes de ritmo é talvez a experiência mais completa e gratificante do álbum, embora exija mais do que um par de audições.

No entanto, há que referir os momentos menos conseguidos do álbum, em que o Metalcore de “Fire to Your Flag” não consegue convencer e a agressividade de “Snakes of Jehovah” também acaba por parecer banal, quando há exemplos bem melhores no álbum de como entregar um registo brutal e apelativo ao mesmo tempo.

Desta forma, os Killer be Killed apresentam-se da melhor forma, com conteúdo relevante e sem se inserir em nenhum género, bebendo das influências dos seus membros e beneficiando das suas capacidades técnicas exímias para entregar uma experiência “metaleira” ímpar num passado recente em termos de poderio e de intensidade.

Análise de Jorge Martins