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Korpiklaani – Ukon Wacka

Os KORPIKLAANI regressam em 2011 com o álbum, “UKON WACKA”. Como tem sido habitual, a banda continua a reinventar o seu processo criativo e depois de “Karkelo”, um álbum mais circunspecto, surge esta “Bachanalia” sonora que rapidamente contagia quem tem o prazer de a escutar e nos transporta para cenários medievos onde pululam Húscarls brandindo machados de dupla lâmina ou sucumbindo aos eflúvios etílicos do mead.
Assim sendo, Korpiklaani, o clã da floresta, convida-nos, novamente, para uma celebração repleta de excessos, em que abunda a Sahti (cerveja nórdica) e belas deidades femininas seguem os ritmos da humppa.
A faixa de abertura, “Louhen Yhdeksäs Poika”, mostra os KORPIKLAANI a debitarem alguns dos riffs mais furiosos de “Ukon Wacka”. Para esta avalanche de decibéis, ainda contribui a percussão de Matti “Matson” Johansson que dispara indiscriminadamente com ferocidade avassaladora. “Päät Pois Tai Hirteen” é uma cover de “Bad Boys Are Here” dos finlandeses PEER GÜNT e abre num registo bem heavy para os parâmetros dos KORPIKLAANI com as guitarras a debitarem riffs intensos e Jonne Jarvela a manter um registo poderoso, sendo também de destacar o papel do violino na construção melódica. “Tuoppi Oltta” é outro dos momentos mais poderosos do álbum. A utilização recorrente do acordeão marca o intróito da música, mas aquele instrumento rapidamente cede o protagonismo às guitarras e à percussão. “Lonkkaluut” continua a mesclar sonoridades. “Tequila”, depois de “Vodka”, em “KARKELO”, recupera a tradição dos temas com elevada carga etílica e, neste caso, com a devida reverência sul-americana, sendo, de facto, um tributo a todos os fãs da banda que habitam nessa região do globo. “Tequila” é uma música rápida e com alguma dose de experimentalismo, quando analisada segundo os cânones da banda, particularmente ao nível da percussão, conjugando a humppa com os ritmos do samba. “Ukon Wacka”, a faixa que dá nome ao álbum, é construída em crescendo, pois o ritmo começa extremamente lento com as guitarras a marcarem bem a cadência em consonância com a secção rítmica, sendo ainda de realçar a participação do cantor Finlandês, Tuomari Nurmio. “Korvesta Liha” começa rápida e com muita distorção, conferindo mais “punch” à sonoridade da banda, mantendo-se essa nota de intensidade até ao final. “Koivu Ja Tähti” traz, de novo, o ambiente festivo do Folk, mas acrescenta-lhe poderosos riffs de guitarra e o realce vai para a densidade instrumental da faixa com diversas camadas sonoras e linhas melódicas a confluírem até ao final. A instrumental “Vaarinpolkka”, pelo seu ritmo frenético e contagiante que convida à dança e a libações extáticas, é o hino perfeito para acompanhar qualquer liturgia pagã. “Surma” é uma das faixas mais complexas do álbum graças a variações em termos de ritmos e estilos. A um início instrumental e Folk, com flauta e cordas tradicionais e uma batida suave na percussão, sucede a potência do metal. O álbum encerra com “Iron Fist” (cover de Motörhead) que como seria de esperar alia, à acutilância das guitarras, a melodia dos instrumentos tradicionais, criando uma síntese entre as sonoridades Heavy e Folk.
Depois de escutarmos o álbum, reflectimos acerca do título: “Ukon Wacka”, ou “Ukon Vakat”, é, segundo a banda, um festim sacrificial pagão oriundo dos tempos antigo onde os convivas partilhavam uma cerveja produzida especialmente para esse efeito. Resta-nos agradecer o convite dos KORPIKLAANI e acompanhar estes jograis dos tempos modernos nas suas incursões histriónicas pelos domínios mais festivos do Folk Metal.

Análise de Rui  Carneiro