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Lagwagon – Hang

Lagwagon está de volta! Depois de mais de 20 anos de carreira, numerosas mudanças na formação, 7 álbuns de estúdio e 9 anos sem lançar material original (se não contarmos com o EP I Think My Older Brother Used to Listen to Lagwagon em 2008), muitos pensavam que os californianos iam viver dos êxitos e continuar simplesmente a fazer concertos como fizeram nos últimos dois anos. Felizmente, estavam enganados! E parece que melhores que nunca, porque é Hang é, sem dúvida, um dos seus melhores trabalhos e possivelmente, um dos melhores discos do ano.

Como é já tradição, o álbum foi lançado através da discográfica Fat Wreck Chords, como foram todos os seus antecessores nas últimas duas décadas e dura aproximadamente 40 minutos.

“Hang” abre com uma combinação de duas músicas: a calma, lenta e a acústica “Burden of Proof”, seguida da bombástica e frenética “Reign”. As duas completam-se uma à outra e fazem com que o ouvinte chore por mais. Não se desespere senhor ouvinte, ainda temos 36 excelentes pela frente!

“Made of Broken Parts” não desilude após a grande abertura, e começa com uma “intro” de bateria e um riff de guitarra demolidor, com um leve travo de metal à mistura.

“The Cog in the Machine” é um dos destaques do álbum. Este tema contém tudo o que representa o punk. Uma secção rítmica furiosa e frenética que culmina com um refrão explosivo. Destaque também para as vocais de Joey Cape, demostrando que ainda temos Lagwagon para muitos anos.

Segue-se “Poison in the Well”, a mais dinâmica até este momento. Momentos mais rápidos, mais lentos e até um solo de guitarra! Todos sabemos que Lagwagon não é conhecida pelos dotes de “shredder” dos seus guitarristas, mas o solo é muito sólido e adapta-se bem ao contexto da canção.

Chegamos ao equador do disco e continuamos sem rasto de desapontamento. E a tendência mantém-se com pouco mais de 6 minutos de “Obsolete Absolute”. Cada instrumento tem a sua oportunidade de brilhar, seja pela introdução de baixo, o solo de “guitarras gémeas” ou os diversos “fills” de Dave Raun na bateria.

“Western Settlements” é o momento Foo Fighters do CD. É possível que esta canção se pareça mais ao som clássico dos “Foo” que os próprios no seu último trabalho. É certo que isto é uma crítica dos Lagwagon, mas reconheço que estive à espera dos gritos de Dave Grohl aparecessem a qualquer momento.

Depois deste pequeno parêntesis, “Burning out in Style” e “Drag” consegue levar-nos de novo aos anos 90 com um som característico dessa época, mas com um leve toque de frescura.
“One More Song”. É este o pensamento que nos invade a mente enquanto nos aproximamos ao final do CD. Não queremos que este grande trabalho acabe. Menção para bela inclusão de piano em dois momentos da canção.

Isto está a chegar ao fim. Ainda à procura da desilusão? Ainda não é desta. “You Know Me” é a música mais lenta do álbum, mas velocidade nem sempre é sinónimo qualidade, porque este é provavelmente outro dos pontos mais altos desta bela obra.

“In Your Wake” fecha o álbum, um trabalho que destaca pela sua qualidade e regularidade. É difícil encontrar um tema neste CD que seja significativamente inferior aos outros. Fãs de Lagwagon, a vossa espera não foi em vão! As coisas boas fazem-se esperar, e Hang é a prova disso.

Análise por David Westerman