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Linda Martini [Setembro de 2013]

Os Linda Martini parecem fadados para cativar até os corações mais empedernidos com o mais recente álbum de originais. “Turbo Lento” nasce no vértice paradoxal expresso sob o signo do oximoro que lhe dá título.
Na verdade, a amplificação semântica leva-nos ainda mais longe, se pensarmos que este é um álbum manifestamente “turbulento”, porque nele as canções guardam o frémito do punk e uma ânsia inverosímil da vertigem etérea e da voragem abissal.

“Turbo Lento” acaba de sair da forja para os escaparates, assim sendo temos o prazer de apresentar o álbum aos nossos leitores pelas palavras demiúrgicas dos músicos na nossa entrevista com os Linda Martini.

“Turbo Lento” é dos álbuns mais aguardados de 2013. Depois de algumas audições, diria que este é, provavelmente, não só um dos discos do ano como também “o” vosso disco, soa mais forte e apesar de ter algo novo, define-vos bem. Concordam? Como disseram numa entrevista, “não é o álbum óbvio depois de “Casa Ocupada””. Atingiram o que queriam?
Podemos concordar com isso. É um disco que nos define. Mostra várias facetas do que somos, ou do que podemos ser. Estamos muito contentes com o resultado final e sentimo-nos orgulhosos. Agora é esperar que surta o mesmo sentimento nas pessoas que o ouvirem.

O vosso álbum foi número 1 no iTunes em Portugal e após disponibilizarem o disco em stream no spotify, as audições dispararam. A reacção do público fez jus à expectativa?
Não podemos dizer que as coisas não têm corrido bem com este disco. Os resultados têm-nos deixado muito contentes e expectantes. As reacções e a interação de quem nos ouve só nos têm dado mais força. Têm sido muito positivas.

“Turbo Lento”, é o vosso primeiro álbum com a chancela de excelência da Universal Music Portugal. Como foi trabalhar com a Universal e gravar nos estúdios Valentim de Carvalho?
Já tínhamos gravado o Casa Ocupada na Valentim de Carvalho. A Universal aparece pouco antes de entrarmos em estúdio, e de uma forma muito concertada com o que imaginávamos para promover este disco. Compreendem-nos muito bem e ao nosso público. Isso é muito importante.

“Ratos”, o single escolhido, acaba por ter um pouco de todos os momentos do álbum. O respectivo videoclip está muito original! Como é que surgiu a ideia subjacente ao vídeo e como foi a experiência?
A ideia surgiu pós-ensaio. Estávamos com alguma fome e o Bruno Ferreira (realizador) juntou-se a nós para discutirmos ideias para o vídeo. A fome falou mais alto e alguém referiu comer-se no chinês. Depois disso veio a ideia do restaurante onde o vídeo foi gravado e como tinha Karaoke, lembrámo-nos de retirar a banda do vídeo e coloca-la somente no vídeo dentro do vídeo – no Karaoke. Foi intenso. Tivemos que nos rir durante umas três horas seguidas. Mas ficamos muito contentes com o resultado final.

O “artwork” do álbum está incrível, resultou muito bem. Quem foi o responsável? Será que podem reflectir um pouco sobre os nexos entre a capa, o título e a música do vosso novo disco?
O nome apareceu primeiro e a partir daí, foi tudo muito natural. Quem fez o artwork foi a Cláudia Guerreiro, com a ajuda da Rita Vieira na parte do design. Cada quadro do artwork foi feito com o sentido de ilustrar a música adjacente. Julgamos ter cumprido com o proposto. Quer a capa e contra-capa, em que o Turbo e o Lento são cada uma das duas cores do exterior do disco, quer o interior.

Sendo vocês de Lisboa, como é que está a capital a nível artístico? O que destacam?
Lisboa é feita de gente muito talentosa. E gente de todo o país. Somos um povo que sempre fez coisas incríveis com muito poucos recursos. Se a nossa classe política tivesse o mesmo engenho para governar, seríamos um país incrível.

Aproveitando o facto de também terem editado “Turbo Lento” em vinil, pergunto-vos: acham que há mais interesse das pessoas em ouvir, realmente, música?
A música e a forma como as pessoas a consomem, mudou bastante nos últimos vinte anos. No entanto, as pessoas continuam a consumir muita música. Mas neste momento vivemos tempos de mudança e de adaptação. Ainda estamos todos a aprender a lidar com essas mudanças. As pessoas continuam a ouvi-la, os músicos continuam a compô-la, as editoras continuam a editá-la. O grande desafio passa por perceber de que forma a própria música ainda se consegue auto-sustentar, mais concretamente os discos. É certo que hoje em dia as bandas vivem mais de concertos do que de vendas de discos. Mas a verdade é que se um dia deixarem de ter editoras para os editarem, talvez não tenham dinheiro para gravar um disco novo. E aí, talvez não tenham argumentos para continuar a conseguir marcar concertos. É importante pensar-se nisso.

Até ao momento, qual é o disco da vossa vida ou aquela banda que vos ponha “o sangue a ferver”?
Somos quatro e consumimos muita música. Talvez At the drive-in seja a mais consensual.

Vocês já actuaram em vários festivais, alguns de grande nome. No dia 25 de Outubro, cerca de 60 festivais vão a votos para o Portugal Festival Awards. Se vos pedisse para votar, como músicos, que festivais mereciam o vosso voto e porquê?
Já tocámos praticamente em todos e seria injusto e parcial estarmos a assumir uma posição pública sobre qual o melhor. Até porque os cartazes mudam de ano para ano.

Já passaram dez anos desde que vocês começaram. Como descrevem este vosso percurso?
Sustentado. Tranquilo. Privilegiado, pelo público que tem estado lá sempre. Feliz.

Nos dias 5 e 10 de Outubro, o que podemos esperar dos concertos de apresentação?
Vamos tocar o disco novo na íntegra, pela primeira vez. Estamos muito entusiasmados com isso. Vamos também tocar algumas músicas dos outros discos. Queremos fazer uma festa bonita.

E para terminar, a palavra aos músicos! Algo mais que queiram partilhar com os vossos fãs?
Obrigado! Têm sido incansáveis e têm provado que a força do público ainda é muito grande e que ainda consegue “fazer” bandas sem estruturas gigantes de promoção. Chegámos aqui muito por vossa culpa. <3