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Linkin Park – Living Things

Depois de um interregno de cerca de dois anos, chegou aos escaparates o sucessor de “A Thousand Suns”. “Living Things” marca o regresso às diatribes musicais de um nos nomes incontornáveis da fusão metal/rap – Linkin Park – a banda de Mike Shinoda e Chester Bennington.
Recorde-se que, para este novo álbum os Linkin Park decidiram “go down to basics” e extirparam das canções todos os elementos supérfluos. Não admira por isso que o álbum seja pleno de imediatismo, disparando velozmente cada um dos temas que o compõem.
Há agora uma maior diversidade implícita na paleta referencial da banda. Na verdade, “Living Things” tem, em determinados momentos, ecos de sonoridades das décadas de oitenta e noventa, mas provavelmente o aspeto mais peculiar serão as ocasionais referências folk que encontramos neste trabalho.

O álbum começa em alta rotação com o frenesim eletrónico de “Lost in The Echo”. Com sintetizadores acidulantes intercalados por batimentos sincopados. Irrompendo em convulsão, este tema faz a ponte com “A Thousand Suns” – Bennington a pautar melodicamente a faixa e Shinoda a romper ocasionalmente no rap. “In My Remains” apresenta partes rítmicas que lembram uma marcha militar com cadências bem marcadas.
Esporadicamente, o toque de caixa, em pano de fundo, assume algum destaque, enfatizando ainda mais a vocação mavórtica do tema. Também em termos líricos há uma aposta na imagética bélica com versos como “Like an army falling one by one by one”.
Em relação ao primeiro single “Burn It Down”, a banda afirmou que este tema se destaca no conjunto do álbum pela sua energia e pelas intensas melodias eletrónicas. A canção relaciona- se liricamente com a cultura pop atual onde se investe na tentativa de fazer de algo a sensação do momento, para, mais tarde, pura e simplesmente o destruirmos. Com vocalizações enfáticas e melodiosas e a batida “orelhuda” (que o tornam extremamente dançável) este tema cumpre a sua função radiofónica, mas realmente não traz nada de novo ao universo da banda.

“Lies Greed Misery” convoca todo o potencial de Shinoda para debitar palavras assertivas, contrastando com as vocalizações agressivas de Bennington, construindo um dos temas mais diretos e virulentos do álbum.
Segue-se nova profusão de agressividade com “ I’ll Be Gone”, mas agora são as guitarras que tomam conta das operações, conferindo a este tema uma intensidade e emoção muito heavy. O momento seguinte deve ser enfatizado no seio do álbum, “Castle of Glass” – o tema mais iconoclasta de “Living Things” – oferece ressonâncias folk e vocalizações limpas, mas sempre com uma energia muito rock. Shinoda dá ao tema uma interpretação singular na carreira da banda e a riqueza lírica confere-lhe roupagens crepusculares e emotivas.

O núcleo central de “Living Things” adquire ainda maior preponderância, quando ao tema anterior se junta o fulgor punk-rock de “Victimized”. Tudo aqui é explosivo e enérgico, as guitarras são flamejantes e as vocalizações brutais. “Road Untraveled” é um momento de rutura com o frenesim elétrico, visto que esta balada melancólica aponta baterias à vocação mais introspetiva e emocional de Bennington. “Skin to Bone” continua na senda do tema anterior, promovendo descontinuidades em relação a sonoridades mais heavy, mas agora com uma dimensão mais eletrónica.
No entanto, sendo um tema lírica e ritmicamente linear, acaba por pautar-se pela mediania valorativa. “Until it Breaks” utiliza os ritmos mais futurísticos e eletrónicos; segue-se o instrumental “Tinfoil” e por fim a balada outonal “Powerless”. No final “Living Things” parece pautado por uma “aurea mediocritas” horaciana, visto que não há no álbum verdadeiros rasgos de conceção e criatividade. A exceção que confirma a regra é “Castle of Glass” e, de facto, os Linkin Park neste tema construíram algo de ímpar no contexto deste último trabalho.

Texto por Rui Carneiro