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Linkin Park – The Hunting Party

Desde o segundo álbum, o bem sucedido Meteora que sucedeu ao êxito estrondoso de Hybrid Theory que os Linkin Park não editam um cd que traga consenso em termos críticos e de fãs, tendo já experimentado a pele de rockeiros em Minutes to Midnight e de mestres de electrónica avant-garde em A Thousand Suns, tentando misturar ambas as facetas em Living Things e tornando-se numa das maiores bandas do planeta no processo (provavelmente a maior actualmente, a par dos Muse, sobretudo nas faixas etárias mais juvenis), alienando assim um grande número de fãs com as sucessivas mudanças.

Eis que, após o anúncio deste The Hunting Party, se esperava que a banda continuasse as suas experiências e Mike Shinoda, vocalista, guitarrista e um dos principais rostos dos Linkin Park, veio dizer exactamente o contrário: que a banda estava descontente com a postura e o peso do rock actual e como tal ia regressar às origens para fazer um álbum de rock “à antiga”.

Antes de mais, isto não é necessariamente assim, visto que, enquanto que nos seus primórdios o sexteto americano misturava o hip-hop com o Groove Metal tornado famoso por bandas como Pantera naquele que é talvez o mais mal-amado movimento da História da Música, a par do Glam Metal, o Nu Metal, neste caso as influências são claramente mais aceleradas e menos pesadas, vulgo Punk.

Basta atentar na percussão e nos riffs “orelhudos” da maior parte das faixas em The Hunting Party para quase se confundir o estilo dos Linkin Park com bandas do chamado Post-Hardcore, prova disso é a excelente faixa de abertura “Keys to the Kingdom”, que, além disto, ainda nos permite receber de braços abertos o dueto vocal de Chester Bennington e Shinoda na melhor forma possível.

Além disso, neste álbum a banda americana recebeu pela primeira vez convidados (e todos de elevado gabarito), revelando-se como uma decisão mais do que apropriada, com os músicos extra a darem o seu cunho pessoal a algumas músicas que, ainda assim, não perdem a sua própria “alma”, como é o caso da magnífica “All for Nothing”, com Page Hamilton dos Helmet e da lindíssima e surpreendente “Drawbar”, instrumental dividida com Tom Morello, guitarrista eclético dos Rage Against the Machine e Audioslave, se bem que o destaque vai para a incendiária “Rebellion”, com a colaboração de Daron Malakian, dos System of a Down, que dá um toque muito característico a uma música explosiva e de riffs que trazem ao de cima o melhor de ambas as bandas, naquele que se consagra como melhor momento de The Hunting Party.

Ainda no capítulo das colaborações, “Guilty All the Same” tem o toque do rapper Rakim mas é a associação menos bem conseguida, visto que, mesmo com um riff viciante e um Chester agressivo no refrão, a parte do convidado consegue tornar a música monótona e é difícil recuperar daí, acabando por ser apenas razoável (editem a parte de Rakim e já será um momento bastante bom).

É curioso verificar que é mesmo quando os Linkin Park vestem as suas roupagens mais rockeiras que conseguem os melhores momentos, sendo que quando tentam criar uma associação com as suas personas dos últimos álbuns as músicas perdem de imediato ritmo e qualidade, acabando por ser banais ou aborrecidas, como na olvidável “Until It’s Gone”, single de apresentação do cd que poderia estar presente em Living Things ou na demasiado longa e genérica “Mark the Graves”, que “tresanda” Minutes to Midnight.

Assim sendo, rompendo quase por completo com o seu trajecto no passado recente, os Linkin Park editaram um novo álbum de contornos pesados, mas que abraça mais o Punk do que o Metal das suas origens, acabando por (exceptuando alguns desquilíbrios) ser o seu melhor registo desde o incontornável Hybrid Theory.

Análise de Jorge Martins