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Mangualde HardMetalFest

No dia 10 de janeiro foi dado o pontapé de saída no que toca a festivais de peso, com o tradicional Mangualde HardMetalFest, já na sua 21ª edição, que faz dele o “Festival de peso mais antigo do país”, segundo a organização, que reservou o Centro Cultural de Santo André para acolher as cerca de 800 pessoas esperadas, e com um cartaz eminentemente nacional mas que não dispensou pesos pesados da cena internacional.

Pelas 15h30, os Terror Empire foram os primeiros a pisar o palco, apresentando o seu primeiro álbum, “The empire strikes black”. Com a sempre dura tarefa de “aquecer” a plateia, aos conimbricenses não faltou atitude ao debitar o seu thrash de conteúdo sociopolítico. Após meia hora de atuação, subiam os lisboetas Undersave, para uma rápida atuação e descarga de death, enquanto que os Ravensire, de Almada, conduziram-nos seguidamente ao bom velho heavy metal old school, com uma atuação segura e boa interação com o público. Os EnChanTya debateram-se com problemas técnicos logo de início, resolvendo-os em tempo real para que a voz sibilante de Rute Fevereiro pudesse ser ouvida, num set baseado inteiramente no álbum “Dark Rising”. Num estilo completamente diferente e atitude pouco católica (apesar dos hábitos monásticos), os Acromaníacos brindaram o público com a sua irreverência, e este retribuiu com muita animação – tal como se esperava, estes veteranos do punk proporcionaram uma das atuações mais memoráveis do festival beirão, que nunca deu intervalo aos espetadores, e mantendo um rigor exemplar nos horários, fez subir ao palco outra banda de Coimbra, os Midnight Priest, uma das bandas “de ponta” da nova geração de heavy metal tradicional, e com o novo trabalho “Midnight steel” em mãos, entregaram-se de forma total à atuação, com os guitarristas a proporcionarem momentos épicos.

Pelas 20h, a maratona de bandas ia ainda a meio, e entrava-se já nos pesos pesados do cartaz.
Era ansiado o regresso aos palcos dos portuenses Web, eles que ultimam o seu novo álbum de originais, “Everything ends”. Uma atuação poderosa para uma plateia já compacta e fervilhante, que manteve a energia para receber os espanhóis Display Of Power, banda de tributo aos Pantera. Os britânicos Arkham Witch atuavam de seguida, e pela primeira vez em Portugal, trazendo o seu metal arrastado, e abrindo caminho aos seus conterrâneos Cancer, mítica banda do final dos anos 80, e que se reuniu recentemente para promover o relançamento do seu catálogo. Contemporâneos dos Cancer, e com estatuto de co-headliners, os alemães Desaster trouxeram o seu death metal thrashado, eles que celebram na estrada os seus 25 anos de existência. Antes do final absoluto do festival, que fechou com set do DJ Old Skull, foi tempo da atuação dos Serrabulho, que entraram vestidos de esfregona (!) e debitaram a sua excêntrica fórmula de death/grind pontuada de momentos de bom humor. No total, cumpriram-se doze horas de música praticamente ininterrupta, para um espaço completamente preenchido, e que deixa muito boas indicações para a 22ª edição.

Fotografia e texto: João Fitas
Agradecimentos: Rocha Produções; Web